uu

Após as vendas de Ricardo Pereira e Diogo Dalot, e da saída, em final de contrato, de Iván Marcano, a defesa do FC Porto parte para 2018/2019 órfã de dois dos seus esteios e de um dos jovens laterais direitos mais promissores do futebol europeu e de quem se esperava que pudesse vir a assumir a titularidade após a venda do “mundialista” Ricardo. Assim sendo, da defesa que mais jogos realizou na temporada transata, restam apenas os brasileiros Felipe e Alex Telles.

O presente artigo, contudo, incide apenas sobre o lateral-esquerdo que protagonizou uma época sublime e que ganha, agora, o rótulo de intransferível.

Anúncio Publicitário

Formado na Juventude, modesto clube de Caxias do Sul no Brasil, foi no Grémio FBPA que Alex despontou. Após um ano num dos maiores clubes de Porto Alegre e depois de ter sido considerado o melhor Lateral-esquerdo do Brasileirão, deu o salto para a Europa, transferindo-se para os turcos do Galatasaray S.K com apenas 20 anos. Após duas épocas regulares no clube turco, cumpriu uma temporada por empréstimo no gigante italiano Inter de Milão onde as coisas não lhe correram de feição. No verão de 2016 transferiu-se, a troco de 6,5M€, para o FC Porto.

Alex Telles foi o rei das assistências do FC Porto
Fonte: FC Porto

Vendo o lateral brasileiro jogar, salta logo à vista a sua capacidade ofensiva mas confesso que, por mais paradoxal que possa parecer dado o excecional número de assistências para golo que assinou no último ano, é a sua qualidade a defender que mais me impressiona. É um jogador muito completo. Fortíssimo a defender no um para um, é igualmente eficaz no controlo do espaço nas suas costas e na dobra aos centrais, tendo na sua enorme velocidade um dos maiores trunfos. Depois, e porque Alex Telles é um lateral-esquerdo e não um defesa-esquerdo, tem um enorme pendor ofensivo. A atacar é muito competente, tanto em condução, como no cruzamento e nas bolas paradas (mais em cantos e livres laterais do que propriamente quando é chamado a executar livres diretos). Demonstra, ainda, uma enorme capacidade física que lhe permite fazer todo o corredor esquerdo durante o total dos 90 minutos e apresentar um nível de jogo elevado e constante ao longo de toda a temporada.

Apesar de todas estas qualidades que fazem do brasileiro, na minha opinião, o melhor lateral-esquerdo do nosso futebol, pode melhorar na inteligência de jogo. O cruzamento é um dos seus vícios e uma solução à qual recorre mesmo quando não parece ser a melhor opção. Ainda assim, nesta última temporada, comandado por Sérgio Conceição, apresentou evidentes e significativas melhorias nesse aspeto. Deixou de procurar em demasia o jogo direto para os avançados e passou a priorizar a combinação com os médios. Raramente procura movimentos interiores, sendo que, no entanto, isso se deve ao seu companheiro de flanco, Yacine Brahimi, que assume as despesas do jogo interior e liberta o corredor para o lateral brasileiro. Indubitavelmente, uma das melhores contratações do FC Porto nos últimos anos e um lateral a seguir a recente tradição de excelentes jogadores que têm passado por aquele posto, nomeadamente Alex Sandro e Álvaro Pereira, para citar os mais recentes.

Desta forma, por todas as suas valências técnico táticas e pelas recentes vendas do clube, Alex assume o papel de insubstituível e intransferível e pedra basilar do FC Porto versão 2018/2019.

artigo revisto por: Ana Ferreira