tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

A probabilidade do erro

As arbitragens são o tema deste texto. É bom avisar porque assim podem preparar-se para a revolta, para a indignação e para os aborrecimentos que o mesmo possa causar. É, tem que ser, é preciso falar das arbitragens, dado que temos assistido a demasiados erros e não distribuídos de forma minimamente equitativa.

Se pensarmos nos erros de arbitragem como um acontecimento de uma experiência aleatória, em que a probabilidade de beneficiar uma equipa ou outra é de 50% (já que as duas partem em pé de igualdade), então, com o repetir da experiência, a tendência é que, ao fim de muito tempo, o erro de arbitragem se divida para todas as equipas num número aproximado de prejuízo e benefício. Esta estatística “manhosa”, no entanto, não pode ser completamente aplicada ao futebol pois há diversos factores que influenciam a probabilidade de um árbitro errar mais em beneficio de uma equipa do que de outra:

– A equipa que ataca mais está mais próxima da área e, portanto, mais susceptível à dúvida do penalty;

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– A equipa da casa conta com mais apoio e, por isso, é também maior a pressão sobre o juiz do jogo com o objectivo de esta ser favorecida;

– O ambiente que se vive no futebol, designadamente a pressão dos adeptos e a “política” de alguma comunicação social;

– O estatuto que cada equipa detém.

Entre outros, estes factores são as condicionantes a que um árbitro está sujeito na sua carreira, sendo que, em função da sua maior ou menor competência, se deixará (ou não) influenciar por tais circunstâncias, e, portanto, os seus erros (menos erros são sinónimo de mais competência, claro) irão cair, de forma natural e aleatória, para uma e outra equipa.

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O FC Porto tem-se deparado com vários obstáculos nesta época
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

As arbitragens desta época

Esta época as arbitragens têm sido particularmente favoráveis ao Benfica. Não entrando em suposições nem em esquemas maquiavélicos, penso que os factores enumerados acima têm um grande peso para que isso aconteça. Não é fácil arbitrar uma equipa que tem mais adeptos do que qualquer outra nem que apresenta uma comunicação social geralmente simpática – o que permite que passe incólume (ou então com pouca referência) grande parte destes erros.

Quando o Porto ganhou vários campeonatos seguidos, foi vítima de perseguição pela imprensa e por outros clubes, em especial pelo Benfica – designadamente com as constantes referências à verdade desportiva, especialmente vindas do paladino da transparência Luís Filipe Vieira, por forma a desviar a atenção dos resultados menos conseguidos. Neste momento, nada acontece; é um passeio para o Benfica, não há realmente consequências a nível de imagem para o clube das Luz – simplesmente ganha. Ganha porque sim, e não por causa dos penalties, dos jogadores emprestados (e até vendidos a outros clubes) que não jogam, dos foras-de-jogo, dos livres… ganha! É o único clube em Portugal que se dá ao luxo de ganhar menos bem e de bradar, de “peito feito”, que ganhou muito bem.

Este ano já assistimos a muitos lances duvidosos. Para não ser demasiado exaustivo, a título de exemplo, posso lembrar-me do Boavista-Benfica (golo mal anulado aos axadrezados), do Nacional-Benfica (golo mal anulado ao Nacional), do Benfica-Gil Vicente (vitória por 1-0 com um golo de Gaitán precedido de fora de jogo), ou do Moreirense-Benfica (canto que dá o golo do empate é inexistente, sendo originado por uma simulação de Salvio). Mas há mais; ficam apenas alguns. Aliás, se for preciso, mais tarde, farei referência a outros. São lances que decidem jogos mas que, como envolvem as águias, passam incólumes ou com um simples “errar é humano”.

A eterna desculpa da arbitragem

Um clube que perde não pode estar bem. Tem que fazer mais, tem que descobrir onde errou e tentar emendar os seus erros. Desde o processo Apito Dourado – que culminou com a retirada de 6 pontos ao Porto –, rapidamente se encontrou o porquê dos males dos nossos adversários, em especial de quem ficava constantemente em 2º lugar: a arbitragem. Não só o presente era falseado como o futuro também o seria e especialmente o passado já o era. A aritmética é simples: dá-se um número de anos (quase aleatório) e acrescenta-se que “aquilo era uma grande roubalheira”.

Esquecem-se é das grandes conquistas internacionais; esquecem-se dos sete campeonatos que o Porto ganhou desde o referido processo; ou esquecem-se mesmo que os dragões continuam a ser a equipa que melhores prestações apresenta na Liga dos Campeões – mas tudo isso não interessa nada. Também optam por não recordar os seus roubos de igreja, as suas polémicas com arbitragens e os seus raptos de jogadores; enfim, atiram pedras e têm telhados de vidro. Não se pode ser ingénuo ao ponto de pensar que a hegemonia portista foi devido a uma qualquer teoria da conspiração, da mesma forma que não acredito que épocas como a deste ano continuem sempre a acontecer. Por isso, temos toda a legitimidade para nos queixarmos – afinal, um clube que luta pela transparência e verdade desportiva como o Benfica de Vieira faz, tem de deixar os outros queixarem-se e expressarem a sua revolta!

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Igreja da Antas, no Porto. Para simbolizar “roubos” de tempos mais silenciosos de revolta

Mais recentemente, Bruno de Carvalho escreveu na sua página do Facebook que Luís Filipe Vieira propôs uma aliança para alternarem a vitória nos campeonatos. Ninguém se revoltou, ninguém ligou. Das duas, uma: ou Bruno de Carvalho (já) tem pouca credibilidade ou continua-se a assobiar para o lado quando o assunto não é Porto. Como seria essa aliança? O que significa alternarem os campeonatos? Enfim, a nossa imprensa sempre tão pro-Sul parece que não querer saber…

Para o futuro

Termino reiterando o que disse na minha última crónica: o Porto está muito calado, muito calmo. Não pode ser assim para sempre; há muitas forças opostas e opositoras do nosso clube para simplesmente “deixarmos andar”. É preciso encontrar uma estratégia de comunicação que demonstre que estamos atentos e que, como sempre, nunca nos deixamos dominar por ninguém neste país. Cada vez mais é preciso ser guerreiro porque os tempos de acalmia no futebol português só acontecem em campeonatos como o de 2014/2015, em que o clube que é mais beneficiado (e vai na frente) é o Benfica – tudo tranquilo, ‘no pasa nada’.

Foto de capa: guimaraesdigital.com

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