Anúncio Publicitário

a minha eternidade

O Futebol Clube do Porto ganhou muito justamente o jogo frente ao Arouca por 5-0. As constantes trocas posicionais entre Quintero e Brahimi foram uma nuance táctica muito bem conseguida por parte de Lopetegui neste jogo. Os dois jogadores apresentam características técnicas que pedem uma zona de acção preferencialmente interior, e as inúmeras alterações zonais entre estes dois “génios na definição” (último passe/remate) possibilitaram aos portistas uma verticalidade em zonas adiantadas forte e um jogo interior imensamente ameaçador para a equipa contrária, algo raro nesta época.

Pedro Emanuel, treinador da equipa visitada, estudou correctamente a formação portista e montou acertadamente a estratégia de jogo. O Arouca pressionou alto a primeira zona de construção dos portistas, que, quando ameaçada, tem perdido bolas em zonas comprometedoras e sem retorno de recuperação. Os arouquenses entraram num 4x3x3 em cima dos defesas portistas e criaram alguns calafrios na defesa contrária. Até podiam ter alcançado o primeiro golo da partida, numa perda de bola do central do Porto Marcano, que originou um remate perigosíssimo, tendo Fabiano efectuado a melhor defesa de todo o encontro nesse lance. A primeira zona de pressão dos da casa foi incómoda mas não muito eficaz. Quando os primeiros quatro homens eram batidos, o duplo pivot  David Simão/Bruno Amaro não conseguia segurar o miolo do Porto, ocupado com Herrera, Quintero, Brahimi e Jackson, que recuou muitas vezes para vir jogar em apoios e permitir diagonais nas suas costas. Esta superioridade de dois jogadores do Arouca para quatro do Porto permitiu um domínio total azul e branco nessa zona nevrálgica do campo.

Anúncio Publicitário

O Futebol Clube do Porto efectuou três alterações. Quaresma entrou para o lugar de um não muito inspirado Tello, apesar da excelente assistência para o quarto golo. O espanhol foi o mais apagado do tridente ofensivo, sendo justificada a inserção de Quaresma no jogo, que fez uma assistência para Aboubakar (que substituiu Jackson) finalizar com frieza. Adrián López (para o lugar de Quintero) entrou já na recta final da partida e com o jogo resolvido, nada acrescentou. Não contestando abertamente as substituições, gostava de ter visto Aboubakar coabitar com Jackson na frente de ataque. Apesar das boas diagonais de Brahimi por troca com o colombiano, Aboubakar é o único jogador que em trocas posicionais com Jackson ocuparia exactamente os mesmos espaços de finalização. Esta é uma dinâmica que convém explorar.

Apesar da vitória numericamente esmagadora dos visitantes, importa reiterar que Fabiano foi decisivo nessa primeira grande defesa e em outras duas na segunda parte que evitaram pelo menos um golo do Arouca, que até seria justo, não fosse a ineficácia. Esta vitória “sem pressão” acontece porque o quarteto construtivo foi pressionado mas não muito incomodado. A excessiva circulação de bola em zonas recuadas é para manter, Lopetegui já o afirmou. Este Arouca não conseguiu aproveitar essa concepção estilística errada. O problema está em equipas de maior dimensão. No ano passado, Paulo Fonseca “morreu” agarrado ao seu modelo de dois médios defensivos. O treinador espanhol mantém a mesma postura obstinada que o seu antecessor. Apesar desta excelente vitória, a manutenção deste modelo de saída de bola não traz indícios positivos para uma cimentação autoritária e consistente, necessária a uma equipa deste calibre, dominadora e devedora de títulos.

Jackson bisou nesta partida e é o novo melhor marcador do campeonato com 7 golos Fonte: Zerozero
Jackson bisou nesta partida e é o novo melhor marcador do campeonato com 7 golos
Fonte: Zerozero

A Figura

Considero Jackson Martinez a figura do jogo, principalmente pelos golos que marcou. Excelente a jogar em apoios; as recepções “dóceis” habituais, movimentações inteligentes a abrir espaços nas suas costas, numa exibição de encher o olho onde até roubou bolas a meio-campo. Também tenho de falar em Quintero, que, não sendo a personalidade da partida, terá sido o jogador mais influente; não a “figura”, mas o melhor em campo. Recuou para camuflar as limitações na primeira zona de construção, fazendo todo o meio-campo até finalizar em remates de fora da área, embora tenha tido alguma sorte no golo. Organizou o jogo em posse, pautando-o; simplificou jogando rápido ao primeiro toque e definiu jogadas, a sua função preferencial. Exibição completíssima.

O Fora-de-Jogo

Considero Marcano, principalmente pelo péssimo passe que permitiu a primeira situação de golo da partida, que só Fabiano evitou. Também fez uma recepção falhada que colocou a bola no adversário, e perdeu alguns duelos individuais. Felizmente para si e para o grupo, os seus erros não originaram golos. Poderia ter libertado uma fantasmagoria colectiva com frémitos assustadores repetindo: erros defensivos, erros defensivos!

Anúncio Publicitário