A janela de transferências encerrou à meia noite da passada sexta-feira e, com isso, o prazo para o FC Porto inscrever novos jogadores (excetuando jogadores sem clube) chegou, igualmente, ao fim.

Estes dois meses de mercado trazem à tona três conclusões ou confirmações principais: 1º A situação financeira do clube é, ou continua a ser, preocupante e mostra ser um forte entrave na hora das negociações; 2º O FC Porto mostra algum desnorte em toda a sua estrutura, incompetências claras ao nível do scouting e gritantes falhas de comunicação entre o poder decisório e o treinador; 3º O FC Porto parte para a nova época com um plantel substancialmente mais carenciado do que o seu principal rival, o SL Benfica.

Foi um período de mercado que volta a ficar aquém das expectativas dos portistas mas que acaba por ser um mal menor quando se verifica que a espinha dorsal da equipa que terminou a época 17/18 se mantém no seu essencial. O clube recebeu mais de 60M€ em alienações de passes de jogadores, destacando-se as vendas de Ricardo Pereira (20M€), Diogo Dalot (22,5M€) e Wily Boly (12M€). No capítulo das saídas, importa, ainda, destacar as perdas de Ivan Marcano para a Roma e de Diego Reyes para o Fenerbahçe, ambos em final de contrato. Marega, esteve com um pé fora, esteve afastado do plantel por motivos disciplinares, regressou, ficou e até já renovou o contrato, triplicando o ordenado.

Quanto a entradas, o comportamento do FC Porto começou errático e, até, insólito, mas acabou, mais tarde, por corrigir alguns dos erros cometidos sem ter conseguido, ainda assim, preencher com sucesso as diversas lacunas que o plantel, apesar de campeão nacional, apresentava. Às saídas de Ricardo e Dalot, a SAD respondeu com as contratações de Saidy e João Pedro. O primeiro não durou mais do que duas semanas às ordens de Sérgio Conceição e o segundo não apresenta, ainda, níveis mínimos para representar o FC Porto, tendo apenas alinhado pela equipa B. E assim, contas feitas, é Maxi Pereira (o suplente da época passada) que vai assumindo a lateral direita defensiva da equipa, sendo que tem vindo a apresentar as notórias dificuldades físicas naturais de quem vai a caminho dos 35 anos. Para suprimir as desastrosas saídas de Marcano e Reyes, as soluções encontradas foram Mbemba (congolês com experiência de Premier League) e Éder Militão (promessa brasileira). Parecem, à primeira vista, soluções interessantes, mas fica na retina o desmesurado intervalo de tempo entre o início das negociações pelos jogadores e a efetiva chegada de ambos ao plantel.

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No setor intermédio saiu André André e chegou, inicialmente, Ewerton. Mais um jogador que não durou mais do que uma dúzia de dias no clube antes de ser dispensado pelo treinador. Voltou ao Portimonense e importará perceber, num futuro relatório e contas, quais os custos desta operação para a SAD. No último dia de mercado, o tão desejado médio chegou por empréstimo do Wolfsburgo. Bazoer, um jovem holandês chegou com o rótulo de grande promessa e num negócio que contempla, diz-se, um empréstimo com opção de compra no final da temporada. Nos mesmos moldes, mas um dia antes, chegou a concorrência que tem vindo a faltar a Alex Telles. Jorge, que alinhava no Mónaco de Leonardo Jardim, chegou, também, à cidade invicta. Uma excelente solução. No entanto, não deixa de ser interessante relembrar que o FC Porto esteve perto de pagar 1M€ por Zakarya, um lateral de 29 anos que chegou ao Belenenses há um mês, imagine-se, em regime de custo 0. Assim, pode dizer-se que os últimos dias de mercado serviram para camuflar a preocupante inoperância e desnorte da SAD e parece claro que os melhores reforços do clube são os jogadores que ficam, bem como a equipa técnica que prolongou, igualmente, o seu contrato.

Bazoer foi o último reforço contratado pelo FC Porto para a nova época
Fonte: FC Porto

O plantel está, ou assim parece, mais completo, mas as posições de central e, principalmente, defesa direito poderão vir a ser (ou já o estarão a ser) um foco de preocupação ao longo da época. O extremo desejado pelo treinador não chegou.
Se tivermos em conta o reforço feroz do plantel levado a cabo pelo SL Benfica parece evidente que o FC Porto parte para a nova época bem mais fragilizado do que o rival. Ainda assim, é um plantel capaz, composto por jogadores de enorme qualidade e que deve ter a (legítima) ambição de conquistar todas as provas internas e apresentar um rendimento alto na Liga dos Campeões.

Retomando as conclusões abordadas no começo do presente artigo, começa a parecer evidente que a SAD portista vive, atualmente, com a corda no pescoço e quase sem qualquer tipo de margem de manobra e capacidade negocial no mercado.
Outro tema que gravita, perigosamente, no Reino no Dragão, são as periclitantes situações contratuais de Brahimi e Herrera (aqui abordadas na semana passada) e que devem ser, agora, uma das principais, se não a principal, prioridade da SAD, não se afigurando fácil a permanência destes jogadores no clube, nem tampouco, a possibilidade da SAD ser ressarcida por uma eventual saída.

Findo o mercado, segue-se uma longa, exigente e fundamental época desportiva e, como tal, não quero deixar de concluir este artigo de balanço do mesmo com um apelo à união e competência de todos os envolvidos no dia-a-dia do clube para que possamos voltar a estar na Avenida dos Aliados, na Alameda do Dragão e um pouco por todo o mundo a festejar o tão ambicionado título de bi-campeão nacional.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.                                                                                                                                                 O Bernardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.