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Não faz muito tempo que escrevi, num texto anterior neste mesmo espaço, que achava que Helton continuava a ser o nº 1 da baliza dos Dragões, mesmo após lesão. Ainda assim, a semana passada admiti que Fabiano está numa forma fabulosa e que o facto de o Porto jogar com uma defesa muito subida no terreno, por forma a pressionar o adversário, necessita de um guarda-redes mais rápido a sair da baliza (veja-se, por exemplo, o jogo com o Basileia).

Contudo, devido à expulsão de Fabiano no jogo com o Arouca, Lopetegui viu-se obrigado a lançar para jogo Helton e este voltou a brilhar, fazendo aquela que, a meu ver, é, até agora, a defesa do campeonato. Depois de ser o melhor em campo em Braga, em jogo a contar para a Taça da Liga, desta vez o veterano keeper “segurou” os 3 pontos em pleno Dragão e a possibilidade de os Dragões baterem o recorde de equipa com mais jogos seguidos sem sofrer golos – faltam dois.

A manter este desempenho, Helton e Fabiano darão fortes dores de cabeça ao treinador espanhol, até porque se aproxima a Champions e a aposta tem recaído em Fabiano. Teremos, até final da época, um Porto com rotação de guarda-redes ao estilo do Barcelona, com um guarda-redes para consumo interno (Helton) e outro para as competições europeias (Fabiano)? Não me parece, mas nunca se sabe…

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Com Helton e Fabiano em pleno, qual será a escolha de Lopetegui?
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Mudar de guardião de forma abrupta também pode ser um factor de desestabilização para a própria equipa, mas a verdade é que, se Helton está ainda a jogar, é porque continuará, pelo menos, mais um ou dois anos de azul e branco ao peito, o que é sinal de luta (e condições) pela titularidade… Gosto muito de Fabiano, mas não vejo nele o “novo” Baia, como vi no veterano brasileiro. Vejo mais um jovem – Gudiño – a chegar e jogar quando Helton “arrumar as luvas”!

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Não pense o leitor que menosprezo o valor de Fabiano; também ele contribuiu para o facto do Futebol Clube do Porto ser o clube das principais ligas europeias com a melhor defesa, consentindo apenas uma média de 0,40 golos por jogo!

Tal estatística é bem representativa daquilo que é o mecanismo defensivo dos Dragões, e isso começa, desde logo, na rápida recuperação de bola, muito próxima da baliza adversária, e depois na conservação da mesma (o último jogo foi a excepção, pois invariavelmente o Porto termina com percentagens de posse de bola superiores à do seu adversário).

Em jeito de conclusão relativamente a este ponto, admito: sou um fã incondicional de Helton, e quero vê-lo a defender a baliza do meu clube, chamando-lhe o “último samurai” de uma geração que tantas alegrias nos deu. Respeitarei sempre a decisão do meu “mister” e só quero continuar a ver um Porto vencedor!

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Perante a lesão de Jackson Martínez, Aboubakar tem jogado, marcado e convencido.
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Por outro lado, tenho de deixar uma palavra de grande apreço a um jogador sobre o qual tive algumas dúvidas mas que parece começar a “sair da casca” e a querer assumir-se como o “novo Jackson”: Aboubakar. O camaronês, que tanta parecia jogador de contra-ataque e não de equipa que faz do ataque organizado uma constante, tem aproveitado todas as chances e minutos que tem tido, juntando exibições de grande qualidade a golos de requinte, de fazer levantar o estádio, enfim, golos à… Jackson! Convém dizer que não é propriamente um exímio tecnicista como o colombiano; tem um estilo “trapalhão” com a bola nos pés (nisso faz lembrar Pena ou Jankauskas), mas consegue desfazer-se dos adversários e tem uma eficácia tremenda na hora do remate! Afinal, a provável incursão de mercado por um avançado que faça esquecer o mais-que-anunciado-transferido-Jackson até pode ter solução a nível interno: Aboubakar, Paciência (paciência…) e André Silva, a rodar entre a equipa B e a equipa principal.

Aos poucos começo a ver que, afinal, a época foi preparada ao pormenor, não havendo espaço para “jogadores-flop” como no passado. Adrián ainda vai mostrar que vale bem os 11 milhões pagos por ele – apenas precisa de “redescobrir” a sua posição fora de um sistema de 1-4-4-2, como jogava (e que bem!) no Atlético de Madrid.

Resta-nos agora continuar a lutar e esperar pelo adversário que nos sairá no sorteio da liga milionária, sendo que uma das equipas que mais receio – e ainda que o leitor por certo discorde – é o … Mónaco! Os monegascos, pese o jogo pouco conseguido na 2ª mão diante do Arsenal, são das equipas europeias (e por consequência mundiais) com o melhor processo defensivo que se tem visto, e um feroz colectivo a explorar o contra-ataque. Ora bem, é o estilo de equipa que pode bem surpreender adversários como o Porto, que pressionam a campo inteiro e dão espaço no seu último terço defensivo. Mas vamos ver … Se queremos ganhar, teremos de jogar contra todos! Posso dar o meu palpite? PSG!

Vamos Porto, somos Porto!!!

Foto de Capa: Facebook do FC Porto