Quinta e decisiva jornada da Liga Europa. Seria de esperar que, por esta altura, as contas do apuramento estivessem mais ou menos tranquilas para o FC Porto. No entanto, devido a um punhado de exibições não mais do que medíocres, os azuis e brancos entravam em campo, na Suíça, frente ao BSC Young Boys, entre a espada e a parede e obrigados a triunfar. Apenas uma vitória mantinha o FC Porto vivo na competição e afastaria o fantasma de uma humilhação. Em caso de empate ou derrota, o FC Porto praticamente confirmaria a eliminação daquela que é a competição que representa a segunda divisão europeia, numa fase demasiado precoce.

Sérgio Conceição partiu para solo helvético sem Zé Luís e Nakajima que, diga-se em abono da verdade, poucos minutos de utilização têm tido nas últimas semanas por baixa médica, mas voltou a contar com a qualidade e experiência de Pepe.

O internacional português teve entrada direta no onze, assim como Marchesín que regressou à equipa após castigo. No entanto, a principal surpresa das opções de Sérgio Conceição foi a inclusão de Aboubakar na equipa titular. E que surpresa.

Já a formação suíça, que perdera o jogo no Dragão, mas que entrava na partida no topo da classificação do grupo, procurava jogar com dois resultados, uma vez que até um empate a deixaria confortável para assegurar o apuramento na última jornada. Uma derrota seria um rude golpe às suas aspirações, uma vez que seria apanhada na tabela pelo FC Porto e a equipa portuguesa garantiria a vantagem no confronto direto.

A primeira parte arranca e mostra um FC Porto igual a si próprio. Inconsequente, inseguro, desorganizado, emocionalmente instável, sem ideia de jogo a usar e abusar do jogo direto. O BSC Young Boys, sem apresentar grande qualidade e sem que nada o fizesse prever, inaugura o marcador aos 6’ através de um lance de bola parada e consegue, com isso, um ascendente emocional na partida que dura até aos 25 minutos. Foram duas dezenas de minutos sem que o FC Porto conseguisse ligar três passes seguidos. À passagem do minuto 25, Otávio coloca Marega na cara do guarda-redes contrário e o jogo muda ligeiramente de figura. Sem que o FC Porto perdesse o seu jeito trapalhão, acaba por conseguir gerir melhor a bola e colocar a defesa helvética em sobressalto. A primeira parte chegou ao fim com pedidos de penálti e amarelo para Sérgio Conceição, a quem se pedia um maior controlo emocional, já que estava prestes a jogar 45 minutos dos mais decisivos da época.

O adjunto de Sérgio Conceição, Vítor Bruno, acabou expulso da partida
Fonte: FC Porto

Talvez por isso a equipa tenha voltado para o segundo tempo à imagem do treinador: nervosa. É certo que com o recuo do BSC Young Boys, no sentido de proteger um resultado que lhe era favorável, o FC Porto foi tomando as rédeas do jogo e foi-se acercando da área contrária. Mais uma vez sem apresentar sequer um pingo de qualidade, o FC Porto caminhava a passos largos para aquela que seria, talvez, a pior campanha europeia do clube no presente século. Ora, a qualidade que faltava ao processo coletivo, apareceu num rasgo de Otávio, que desmarca Marega na área e este serve Aboubakar para uma finalização de classe que devolveu a equipa ao jogo e à competição. O relógio apontava 76 minutos. E foram precisos apenas mais 3 minutos para o camaronês voltar a balançar as redes adversárias. Alex Telles cobra o canto, desvio fortuito ao primeiro poste e Aboubakar surge para finalizar no segundo. Dois golos caídos do céu, mas que acabam por se justificar face ao que se passava em campo. Um prémio justo para um jogador que passou por um calvário de vários meses e que estava a realizar um jogo de classe, pese embora as dificuldades físicas notórias que ainda apresenta. O final do jogo foram 15 minutos com o selo FC Porto de Sérgio Conceição. A equipa não consegue segurar a bola e permite que o adversário cavalgue rumo à sua baliza. O FC Porto e os seus adeptos estarão, a esta hora, a agradecer ao poste e a entidades divinas o facto de a baliza de Marchesín ter permanecido inviolada nesse período do encontro.

O jogo terminou e o FC Porto resistiu ao primeiro match point. O próximo jogar-se-á em Dezembro, quando o Feyenoord visitar o Estádio do Dragão. Apesar do resultado foi mais uma exibição preocupante e Sérgio Conceição parece ser incapaz de alterar o pobre rumo qualitativo que o futebol da equipa está a tomar.

 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

BSC Young Boys: Ballmoos; Janko (Hoarau 81’), Sorensen, Zesiger, Garcia; Fassnacht, Lustenberger (Lotoba 70’), Aebischer, Moumi; Nsame e Assale (Martins 58’).

FC Porto: Marchesín; Mbemba (Manafá 45’), Pepe, Marcano, Alex Telles; Danilo, Loum (Diaz 74’), Otávio, Corona (Diogo Leite 84’); Marega e Aboubakar.

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