Embora pareça estar muito distante do habitual, o mercado de transferências do verão pode vir a realizar-se, mas esperemos que em moldes diferentes.

Todos sabemos a necessidade que o FC Porto tem de vender jogadores, e isso prende-se por duas razões: os graves problemas financeiros que assolam no clube e a ineficácia nas renovações de jogadores que terminam contrato em breve. Alex Telles está na calha para ser uma das maiores perdas dos portistas que, em condições “normais”, apenas recebem 25 milhões de euros pelo passe do atleta.

Como é mais que evidente que Manafá não assegura a posição de lateral esquerdo ao longo de uma época, a imprensa nacional e internacional começou a avançar nomes como Matheus Reis, Alex Centelles, Marc Cucurella, e… Caio Henrique. Este último tem sido o nome mais falado nos últimos tempos, tendo até já sido alvo de interesse dos portistas noutros tempos.

Formado no Santos FC, este lateral esquerdo brasileiro despertou logo a cobiça do Club Atlético de Madrid, que avançou para a sua contratação. Até hoje, não se conseguiu afirmar pelos colchoneros, tendo somado sucessivos empréstimos para o brasil. Já esteve no Paraná Clube, Fluminense FC e atualmente jogava no Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, até os campeonatos pararem. Apesar de tudo, ainda continua a ser jogador do clube espanhol e o FC Porto terá de negociar diretamente com os dirigentes do Club Atlético de Madrid, contando com uma boa vontade do jogador.

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Vamos então traçar algumas características deste jovem jogador brasileiro internacional pelas camadas jovens do Brasil. Pelas informações que consegui obter, trata-se de um jogador polivalente, que tanto ocupa a posição de lateral-esquerdo como até joga no meio-campo, o que pode ser útil para a rotatividade de uma equipa que precisa de alternativas válidas para uma época longa.

É inegável que tem uma boa chegada à área, mostrando a sua capacidade de drible e de um para um, mas, contrariamente a Alex Telles, parece procurar mais espaços interiores, tendo movimentos até de um extremo que se envolve de uma forma diferente na manobra ofensiva da equipa.

Outro fator que distingue Caio Henrique de Alex Telles é o facto de este jogador ainda não ter uma boa capacidade de cruzamento (pelo menos um cruzamento mais tenso na busca de algum jogador forte no jogo aéreo, o que é uma característica do FC Porto) e também de finalização e remate, sendo visível que muitas vezes consegue desenvolver bem uma jogada, mas a decisão final acaba por deixar a desejar. Não é um lateral goleador, mas Alex Telles também não o era até chegar aos dragões.

É preciso ter uma grande cautela com a contratação deste atleta, visto que ainda não se afirmou de todo no mundo de futebol. Nesse aspeto, acabo por me recordar de um jogador que veio rotulado de “uma das maiores promessas do futebol brasileiro”, mas chegou cá e não provou nada: João Pedro. São dois jogadores que até têm algumas características semelhantes.

Sendo ou não um craque, Caio Henrique pode ser um dos possíveis herdeiros de um lugar “pesado”. Este pesado vem no sentido de já ter sido ocupado, nos últimos tempos, por laterais de excelência como Alex Sandro e Alex Telles.

Artigo revisto por Diogo Teixeira