Caro Alex,

Eu sou daqueles poucos adeptos do FC Porto que pode elogiar-te, sem se pensar que estou a ser tendencioso ou que sempre disse o mesmo sobre ti.

Na realidade, não foste propriamente a contratação que mais me deixou com água na boca, e isto pode-se explicar por duas razões: em primeiro lugar, eu não acompanhava de perto o futebol italiano (onde representaste o FC Internazionale de Milão) nem o futebol turco (onde representaste o Galatasaray SK), e em segundo lugar tinha uma grande admiração por aquele que era o rei das assistências e tinha uma polivalência notável: Miguel Layún.

Inicialmente, pensava eu para os meus botões: qual era a necessidade de gastar tanto dinheiro num jogador, se tínhamos um internacional mexicano, que fazia de tudo dentro das quatro linhas? Mas, atualmente, afirmo de forma convicta que ainda bem que gastámos esses 6,5 milhões de euros!

A tua herança não era nada fácil, pois para além de teres o legado de Miguel Layún, tinhas um histórico de laterais esquerdos que outrora brilharam de azul e branco, entre os quais, um compatriota teu: Alex Sandro.

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Houve quem dissesse que tu um dia poderias chegar ao nível do atual lateral esquerdo da Juventus FC, e que eras um jogador de Champions. Eu na altura não acreditava muito, mas afinal enganei-me. Todos tinham razão.

Tu não só chegaste ao nível do Alex Sandro, como o ultrapassaste na hierarquia de maiores laterais esquerdos da nossa história, e claro que és um jogador de Champions. Basta rever aquela grande penalidade convertida frente ao AS Roma, que nos catapultou para os oito melhores da Europa.

O teu primeiro ano de azul e branco não foi fácil, e eu confesso que perdia a cabeça com a quantidade de cruzamentos tensos que iam para fora, ou que passavam a linha final. Pessoalmente, sempre preferi cruzamentos mais com a bola a pingar, mas rapidamente percebi que os mais eficazes são aqueles que, ao serem tensos, fazem logo meio golo, visto que basta encostar um “martelo” indefensável para o guarda-redes. Com bons cabeceadores, os teus cruzamentos fazem quase tudo.

Isso foi mais do que evidente quando chegou Sérgio Conceição e tu passaste a ser um dos pilares da equipa.

O novo slogan da equipa era: precisa de assistência? Chame o Alex Telles. E assim foi juntando-se a tua capacidade no um para um, velocidade, desarme e até remate. Quando tudo estiver a correr mal, já sabemos a quem passar a bola.

 Caro Alex, Eu sou daqueles poucos adeptos do FC Porto que pode elogiar-te, sem se pensar que estou a ser tendencioso ou que sempre disse o mesmo sobre ti. Título do site Título Categoria principal Separador
Alex Telles é o melhor marcador da equipa do FC Porto, com oito golos
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Infelizmente, o teu contrato está a chegar ao fim, e circulam rumores de que não pretendes renovar… Eu sou da opinião que mereces claramente outro campeonato, para não falar da seleção brasileira, que é inexplicável.

E chegou a hora do meu pedido, que não pode ser visto como uma forma qualquer de pressão: Alex, se renovares, acredita que seria o melhor para todos! O FC Porto fazia uma venda estratosférica pelo teu passe e tu sairias pelo valor que realmente mereces! Visto que essa tua vontade de abraçar outro projeto é legítima, seria bem possível saíres já neste próximo mercado (mesmo tendo em conta todas estas condicionantes da pandemia). O FC Porto merece e tu mereces apesar da enorme tristeza que vais deixar em todos nós pela tua partida.

Vou-te só dar um palpite: o melhor clube para tu ires seria a Juventus FC ou até o Chelsea FC. Já imaginaram o Alex a fazer um cruzamento tenso para o Ronaldo? Imaginem no que ia dar… Um lateral com esta dinâmica ofensiva encaixa que nem uma luva no futebol italiano e da La Vecchia Signora.

Quando chegaste, disseste que querias deixar o teu legado no Porto. Acredita que deixaste, no clube, na cidade, e no futebol português! Tens o mundo todo pela frente!

Renova, Alex!

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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O João estuda jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. A sua grande paixão é sem dúvida o jornalismo desportivo, sendo que para ele tudo o que seja um bom jogo de futebol é bem-vindo. Pode-se dizer que esta sua paixão surgiu desde que começou a perceber que o mundo do futebol é muito mais que uma bola a passear na relva. Apesar de estar distante do clube do seu coração, procura ao máximo não perder nenhuma novidade da cidade invicta e do futebol em geral.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.