Última horaEm Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)
Publicidade

Carta aberta a Sérgio Conceição

Bernardo Lobo Xavier · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Caro míster,

Antes de mais permita-me que, em nome de todos os portistas, o congratule a si e à sua equipa técnica, bem como aos jogadores que briosamente comandou durante esta época desportiva, pelo título nacional conquistado. O 28º da nossa história.

Obrigado. Este título é de todos os portistas, mas é, acima de tudo, seu. E é seu porque o clube estava moribundo e só alguém com o seu carácter e paixão pelo jogo, mas, principalmente, com a sua competência, poderia ser capaz de resgatar um grupo de jogadores que vinha falhando a cada momento decisivo que enfrentava.

Contas no vermelho, uma contratação, meia dúzia de jogadores em final de contrato e outra meia dúzia retornada de empréstimos mais ou menos bem-sucedidos e de quem já ninguém (ou quase ninguém) se lembrava. E assim se iniciou uma época na qual toda a crítica especializada optou por colocar, sobranceiramente, o último lugar do pódio como triste fatalidade para um clube que começava a ver um duradouro ciclo hegemónico terminar. Os arautos do penta reservavam o Marquês, confiando num Benfica forte, mas acomodado nos seus tentáculos, os eternos sonhadores confiavam nos milhões de um Sporting pujante (qual poço de petróleo encontrado para os lados de Alvalade) e nós, o mar azul, acreditámos em si, Sérgio. Aposta ganha.

A união fez a força
Fonte: FC Porto

O FC Porto não foi uma enciclopédia de bom futebol (como já aqui disse) mas desengane-se quem pensa que o clube ganhou este título pela raça. Revolta e uma vontade enorme de vencer, sem dúvida. Mas foi pela competência, sua e dos jogadores, que o FC Porto voltou a vencer contra tudo e contra todos. Chega a hora de citar algumas palavras que lhe enderecei há algumas semanas aquando da vitória na luz: “O FC Porto não é, como já o referi, uma máquina de bom futebol, mas é, sem sobra de dúvidas, uma equipa de autor. A marca do seu timoneiro está bem patente em tudo o que a equipa faz em campo e a forma como este tem sabido gerir os recursos à sua disposição para obter os resultados pretendidos tem sido de uma competência imensurável. Pujança física, busca incessante pela profundidade, largura dada pelos laterais, jogo interior dos extremos, poder aéreo ofensivo e defensivo, rápida e eficiente reação à perda de bola e uma alta rotação constante são tudo impressões digitais de um treinador que recebeu em mãos um navio à deriva e o transformou num porta-aviões. Bravo mister.”

Pedindo-lhe que permaneça como líder do mar azul resta, após os festejos, preparar exigentemente a próxima época que, estou certo, se revelará ainda mais trabalhosa do que a que está prestes a findar. O Sérgio e os seus jogadores terão um alvo nas costas. Todos os canhões dos adversários, da imprensa e de todas essas máquinas de propaganda terrorista estarão apontados ao estádio do Dragão e voltará a ter que ser “contra tudo e contra todos”. Alguns jogadores abandonarão o barco na busca por melhores praias e outros chegarão com créditos, ainda, por firmar. Mas nós, o mar azul, confiamos cegamente no nosso comandante. E começará tudo de novo. Eu quero o Porto Bicampeão.

Termino como comecei. Obrigado míster. Este título é de todos nós. No entanto, este título é seu. Oh captain my captain! 

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Bernardo Lobo Xavier

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.