A deslocação do FC Porto ao reduto do Feirense esta quarta-feira, em partida a contar para os oitavos-de-final da Taça de Portugal, foi a mais recente prova da apatia crónica que caracteriza a equipa comandada por Lopetegui.

Apesar da vitória por 0-1 e do apuramento para os quartos-de-final da prova, a postura dos dragões em nada se mostrou diferente em comparação aos encontros mais recentes, que levaram à eliminação da Liga dos Campeões e à consequente perda de paciência por parte dos adeptos portistas.

Os azuis e brancos eram os claros favoritos à partida para esta eliminatória, mesmo jogando em terreno adversário, mas essa superioridade não se traduziu num domínio avassalador e indiscutível. Bem pelo contrário.

Embora tenham conseguido um golo madrugador, por intermédio de Aboubakar, à passagem do décimo minuto de jogo, cedo os dragões voltaram à toada habitual e à posse de bola lenta e repetitiva que tem sido apanágio desta mesma equipa. Mais uma vez, a linha recuada do FC Porto funcionou como o principal impulsionador do processo ofensivo, e Layun, Indi, Maicon e Ángel foram, seguramente, os elementos com o número mais elevado de passes no encontro.

Após o golo e até ao intervalo, apenas se registou uma enorme perdida de Erivaldo para o Feirense aos 17 minutos, que podia ter resultado no empate para a formação caseira. O avançado da equipa da Feira desaproveitou uma falha clamorosa de Bruno Martins Indi para se isolar perante Helton e a bola acabou por se perder pela linha de fundo. O resto do primeiro tempo foi de gestão portista a velocidade de cruzeiro.

Valeu um golo de Aboubakar no meio do marasmo portista Fonte: FC Porto
Valeu um golo de Aboubakar no meio do marasmo portista
Fonte: FC Porto
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No segundo tempo, verificaram-se algumas melhorias no comportamento dos comandados de Lopetegui, que, a espaços, foram procurando terrenos mais avançados em busca do golo da tranquilidade. Mas sublinhe-se, mais uma vez, que foi a espaços. Aboubakar teve nos pés o golo do descanso, ao minuto 71, depois de um bom trabalho na área do Feirense. No entanto, o remate encontrou o guarda-redes da casa pelo caminho.

Mesmo a acabar, os visitados poderiam ter empatado a partida, não fosse uma grande intervenção de Helton. Aos 88 minutos, Kukula surgiu na cara do guardião brasileiro, mas o remate cruzado do avançado encontrou a mão esquerda do veterano portista. Valeu Hélton a salvar o FC Porto do prolongamento e a garantir o apuramento para a fase seguinte, num dos poucos lances de interesse no meio do marasmo que marcou os 90 minutos.

Dragão refém de si próprio

Em suma, os azuis e brancos parecem reféns da sua própria ideia de jogo, pois procuram, a todo o custo, manter a posse de bola, por mais inconsequente que esta se manifeste e por mais previsível que se torne.

A teimosia de Julen Lopetegui em manter um estilo de jogo tão baseado na posse de bola não é, de todo, descabida. Modelos como o tiki-taka são cativantes e louváveis, mas, para além de ser necessário muito trabalho para colher resultados, é primacial a existência de movimentações constantes em busca da bola, algo que não se verifica neste FC Porto. Os azuis e brancos são, neste momento, uma equipa previsível e facilmente anulável, que transparece as mesmas falhas da temporada passada.

Urge claramente uma mudança de paradigma. É mais importante do que nunca encontrar a garra que se perdeu e corrigir os erros repetidos. A paciência está a esgotar-se e os títulos também.

A Figura do jogo:

Aboubakar – No meio do marasmo que caracterizou os 90 minutos, o golo solitário do camaronês garantiu o apuramento do FC Porto para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Teve ainda nos pés a oportunidade de selar a partida, mas não conseguiu ultrapassar o guardião adversário.

O Fora-de-jogo

Tello – Foi uma nulidade. Jogou pelo flanco direito do ataque portista e raramente desequilibrou. Está novamente a cair de rendimento.

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