fc porto cabeçalhoO FC Porto chegou ao Estádio do Restelo com a necessidade absoluta de somar os três pontos para não perder o contacto com os líderes da tabela classificativa, que por via do adiamento do SL Benfica – CF União da Madeira apenas jogam amanhã as suas partidas.

O onze de José Peseiro não fugiu ao previsto. Face às ausências forçadas de Martins Indi (lesionado) e Layún (suspenso), Chidozie e José Ángel voltaram a assumir a titularidade na defesa dos dragões; o meio-campo voltou a contar com as opções habituais (Danilo, Herrera e André André); e o ataque sofreu a revolução lógica face ao último compromisso europeu – Brahimi, Corona e Suk formaram o trio de ataque.

Do lado dos azuis do Restelo, as únicas mexidas em relação ao onze apresentado na jornada anterior foram na dupla de centrais, com a entrada de Tonel e Gonçalo Silva para os lugares de Rafael Amorim (suspenso) e Gonçalo Brandão (lesionado), e no ataque, com Juanto a actuar em vez de Miguel Rosa.

O FC Porto entrou na partida com o espírito certo – logo na jogada inicial, Danilo surgiu sobre a direita para servir Corona, que desperdiçou a primeira oportunidade do jogo. Com o capitão Herrera sempre muito próximo de Suk em todas as fases do jogo – tanto a defender como a atacar ­– o FC Porto exerceu sempre uma pressão forte sobre a primeira fase de construção da equipa da casa, o que lhe permitiu ganhar muitas bolas em terrenos adiantados e determinou o claro domínio azul e branco (hoje apenas branco) durante a primeira meia hora.

Não foram precisos mais de 8 minutos para os dragões alcançarem um feito raro na era de José Peseiro – começar um jogo a ganhar. À excepção da estreia do ribatejano no comando técnico do FC Porto, o 1-0 tangencial sobre o Marítimo no Dragão, e do triunfo por 0-3 em Barcelos para a Taça de Portugal, o FC Porto de Peseiro começou sempre em desvantagem (7 em 9 jogos até hoje). Numa jogada pelo corredor esquerdo, José Ángel cruzou rasteiro à procura de Suk e um ressalto na dividida com o defesa do Belém fez a bola sobrar para Brahimi, que apenas teve de encostar para o fundo das redes de Ventura.

Cerca de dez minutos volvidos, com FC Porto aumentou a contagem com um auto-golo de Tonel– numa jogada de envolvimento ofensivo pela direita, entre Suk, André André e Maxi, o lateral uruguaio cruzou para a área e o experiente central, apenas com Brahimi nas suas costas, introduziu involutária e inacreditavelmente a bola na baliza.

Até então, o Belenenses apenas tinha conseguido chegar à área do FC Porto numa ocasião, na sequência de um livre. Durante o primeiro tempo, o Belenenses só conseguiu mesmo importunar a defesa portista através de bolas paradas (tirando dois remates de Juanto ao cair do pano). A maior ocasião dos pupilos de Júlio Velázquez chegou os 27’, num livre directo surpreendente de Carlos Martins à entrada da área – o maestro do Belém atirou ao poste esquerdo da baliza Casillas, que nem esboçou uma reacção.

De resto, Carlos Martins foi claramente o jogador em destaque do lado do Belenenses – começou o jogo quase lado a lado com Juanto, mas rapidamente se percebeu que teria de ser ele a orquestrar os ataques da sua equipa. Sem ele, o Belenenses não conseguia construir quando pressionado – não conseguiu sair uma única vez a jogar sem que a bola passasse pelos seus pés. Literalmente.

Brahimi foi dos melhores em campo do lado dos dragões  Fonte: FC Porto
Brahimi foi dos melhores em campo do lado dos dragões
Fonte: FC Porto

A partir da meia hora de jogo, o FC Porto baixou ligeiramente o ritmo, confortável com a vantagem  por 2-0, mas nem por isso deixou de dominar. Herrera continuou a pressionar muito alto e a buscar movimentos em profundidade, Danilo e André André continuaram a controlar as operações no meio-campo, Maxi e Ángel continuaram a subir à vez para causar desequilíbrios e Corona continuou sem acertar uma – nem um passe, nem uma recepção, nada. Um zero absoluto.

A segunda parte revelou-se absolutamente diferente. Júlio Velázquez lançou Miguel Rosa no jogo, tirando Tonel e baixando Rúben Pinto para o eixo da defesa, e o Belenenses subiu consideravelmente de rendimento. A defender mais à frente e com mais jogadores, condicionou o jogo do FC Porto e alcançou um quase absoluto domínio territorial durante os primeiros dez minutos. Esse domínio só foi refreado quando, aos 56’, Herrera cruzou para o Suk e o sul-coreano cabeceou para uma defesa atabalhoada de Ventura que culminou com a ida da bola à barra. O lance, contudo, foi invalidado por posição irregular do ponta-de-lança.

Três minutos depois, chegou a resposta do Belenenses sob a forma de golo – André Geraldes cruzou rasteiro sobre o lado direito e Juanto, bem posicionado no centro da área, desviou a contar.

A partir daí, o jogo tornou-se mais dividido, mais aberto e mais disputado. Os níveis de agressividade e confiança subiam na equipa da casa, os níveis de ansiedade aumentavam entre o conjunto visitante.

José Peseiro fez sair um desastrado Corona para fazer entrar um não menos desastrado mas mais combativo Marega. Pouco depois, Evandro entrou para o lugar de André André. O brasileiro assumiu as funções de Herrera, um dos mais esclarecidos do conjunto nortenho, que baixou para junto de Danilo. Notou-se que André André não está nas melhores condições físicas – não foi tão intenso como é habitual e cometeu várias faltas por isso. Herrera deu mais frescura e mais garantias nas divididas; Evandro ofereceu outro critério com a bola no pé numa fase mais adiantada do terreno.

Ainda assim, o FC Porto não se livrou de alguns sustos – aos 65’ e 66’, em lances consecutivos, o Belenenses, pôs à prova Casillas e obrigou o guardião espanhol a duas boas intervenções – primeiro num remate de Miguel Rosa (entrou muito bem e foi o principal agitador da equipa) e depois num tiro de Sturgeon. O Belenenses nunca desistiu, foi-se acercando da baliza do adversário e tentou desesperadamente chegar ao empate – num ultimo fôlego, o treinador espanhol tirou o central improvisado Ruben Pinto, fazendo entrar mais uma unidade para o ataque, Tiago Caeiro. Aguilar e Bakic passaram a fechar o meio e a iniciar a construção de jogo do Belenenses, ficando Gonçalo Silva como um autêntico líbero.

O FC Porto teve de suar, e muito, para levar de vencida o Belenenses. Pela incapacidade de manter a posse de bola na segunda parte e pela dificuldade em “matar” o jogo, circunstâncias reconhecidas por José Peseiro na conferência de imprensa. Esse sofrimento na hora dos triunfos tem sido, aliás, regra geral nos últimos meses. Apesar de tudo, no fim de contas, o objectivo foi cumprido e os dragões estão agora provisoriamente em 2.º lugar.

A Figura:

Miguel Rosa – A sua entrada revolucionou o jogo do Belenenses – não só porque empurrou Bakic para a zona central, o que deu mais critério à equipa na saída de bola, mas porque ele próprio foi capaz de galgar metros, desafiar os defesas no um para um, rematar e assistir. A par de Carlos Martins, foi o melhor da formação do Restelo. No FC Porto, Herrera merece destaque pela abnegação que revelou e por ter sido crucial a defender (muito forte na pressão e nos duelos) e a atacar (procurando sempre a profundidade).

O Fora de Jogo:

Jesus Corona – Uma exibição desastrosa. Embora José Peseiro tenha procurado defender o jogador na conferência de imprensa, não há como maquilhar esta realidade – o mexicano falhou passe atrás de passe, fraquejou em várias recepções de bola, tomou várias decisões incorrectas e revelou-se completamente incapaz de desequilibrar. Saiu “na sua melhor fase”, disse José Peseiro, e foi substituído por um desinspirado Marega.

 

Francisco Manuel Reis

Vítor Miguel Gonçalves

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