A CRÓNICA: NOVA EXIBIÇÃO SUPERIOR NÃO CHEGA PARA DRAGÕES

Os quartos de final da Liga dos Campeões são apenas disputados pelas melhores equipas europeias. E apesar do campeonato não estar a correr de feição ao FC Porto, temos todos que apreciar o caminho que o clube está a percorrer na maior competição de clubes do mundo. A primeira mão, contra o Chelsea FC, mostrou isso mesmo. Um jogo em que os Dragões foram superiores, mesmo tendo em conta as grandes diferenças na qualidade individual do plantel.

Mas vitórias morais pouco contam, e o clube da Invicta partia agora para a segunda mão da eliminatória a perseguir uma desvantagem de dois golos, com a dificuldade acrescida de estes contarem como golos fora. As duas equipas regressam a Sevilha depois de vitórias no campeonato no fim-de-semana, para decidir qual será, a par de Bayern Munique ou Paris Saint-Germain, a primeira equipa a garantir o lugar nas meias-finais da Champions League.

O jogo não começou de forma demasiado diferente do que vimos há uma semana. O FC Porto a pressionar muito, de forma bastante eficaz, e com ainda mais gente na frente. Com uma posse de bola superior à dos ingleses nos primeiros minutos, faltava uma melhor definição do último passe. O Chelsea ia sentindo bastantes dificuldades em sair com a bola controlada, obrigado muitas vezes a despejar na frente.

Apesar do encontro ter começado de forma animada, nem o FC Porto conseguia aproveitar o asfixiar do adversário, nem o Chelsea FC capitalizar o espaço deixado nas costas dos médios e defesas portistas para criar grandes oportunidades de golo. As únicas vezes que as equipas criavam algum perigo era no seguimento de erros individuais da própria formação.

A principal chegada à área dos Dragões surgiu apenas aos 33′, com Corona a ganhar o duelo com Chilwell na direita do ataque portista, mas, com Mendy pela frente, o mexicano não consegue pegar bem na bola e atira muito acima da baliza adversária. A boa agressividade portista foi, naturalmente, esvanecendo. Com o fim da primeira parte, pedia-se uma maior criatividade ofensiva para os segundos 45′, com a necessidade de marcar, no mínimo, dois golos.

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Sérgio Conceição não fez mudanças ao intervalo, e o encontro continuou a desenrolar da mesma forma – FC Porto muito pressionante, mas a falhar no último passe; já o Chelsea FC mantinha as dificuldades ofensivas, mas dado à pressão tão alta e arriscada dos Dragões, quando conseguia sair criava perigo. Depois de cerca de 10 minutos em que os portistas estavam por cima, os blues chegaram mais vezes à área de Marchesín nos minutos seguintes.

Com o passar do minuto 60, Sérgio Conceição introduziu Taremi por Grujic, passando para um 4-4-2 mais atacante. Pouco depois, aos 65′, no seguimento de mais uma combinação entre Corona e Otávio pela meia-direita, o iraniano teve a sua primeira oportunidade, mas o cruzamento do mexicano veio pouco tenso, e o cabeceamento saiu com pouca força.

Com as dificuldades em criar situações de golo a persistirem, o treinador português colocou Evanilson por Marega, Luis Díaz por Corona e Nanú por Manafá, numa tentativa de dar mais frescura, velocidade e golo ao ataque azul e branco.

Com cada vez menos energia, algo natural devido à natureza da estratégia portista, os minutos iam passando e as esperanças de uma chegada à meia-finais. Taremi ainda deu ao FC Porto um golo merecido, com um fantástico golo de “triciclo”. O iraniano fez um dos melhores golos desta edição da Liga dos Campeões, e os Dragões saem de Sevilha com pelo menos uma vitória numa eliminatória em que foi superior.

Para a posterioridade, fica a qualidade e a coragem do FC Porto em busca de nova conquista europeia.

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Pressão e reação à perda do FC Porto – o FC Porto conseguiu dominar esta partida, tal como fez na primeira mão, muito devido à elevadíssima pressão. Não deixou o Chelsea FC respirar nos 180 minutos da eliminatória, e forçou Tuchel a ter que abandonar o seu estilo de jogo preferido. Acabou por não ter materializações em termos de passagem às meias-finais, mas há que dar o devido destaque.

O FORA DE JOGO

Definição do último passe dos Dragões – custa-me um bocado ter destacar pela negativa algo relacionado com o FC Porto. Os Dragões fizeram uma partida praticamente irrepreensível, desta vez sem grandes erros defensivos, mas não foi capaz de causar o perigo necessário para dar a volta à partida. Muito mérito também para o setor defensivo inglês, que foi capaz de travar o ataque portista, que pecou muito, principalmente, na definição do último passe.

ANÁLISE TÁTICA – CHELSEA FC

Thomas Tuchel manteve, de forma geral, o mesmo sistema da primeira mão. Apesar de algumas mudanças individuais – Pulisic por Werner, Kanté por Kovacic e Thiago Silva por Christensen -, a formação alinhou no habitual 3-4-2-1, com Havertz como falso 9. Mas o jogo praticado pelos ingleses foi longe de ser aquilo que o treinador alemão mais gosta. Jorginho e Kanté tiveram muitas dificuldades para segurar o jogo com bola, e especialmente para ligar com Pulisic, Mount e Havertz.

Dessa forma, os três da frente ficavam algo isolados, ainda que a pressão super alta dos Dragões fizesse com que o espaço existisse. Quando este foi explorado, o Chelsea FC conseguiu criar as poucas situações ofensivas que teve.

De resto, as ligações que as equipas de Tuchel fazem normalmente na primeira fase de construção – com os centrais a abrirem nos laterais, que voltam a colocar num dos dois médios de frente para o jogo, abrindo o campo de visão para colocar num dos jogadores mais avançados -, bem como a paciência que é comum, não foram vistas.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Edouard Mendy (6)

Azpilicueta (6)

Thiago Silva (6)

Rudiger (6)

Reece James (5)

Jorginho (5)

N’Golo Kanté (6)

Chillwell (6)

Mason Mount (5)

Christian Pulisic (7)

Kai Havertz (5) 

SUBS UTILIZADOS

Hakim Ziyech (6)

Olivier Giroud (6)

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Sérgio Conceição sabia que este jogo era de tudo ou nada. Mas, contrariamente ao pensamento, muitas vezes, popular, não decidiu pôr a carne toda no assador, com, por exemplo, Taremi e Luis Díaz, e optou sim por reforçar o meio-campo para poder controlar a partida. Grujic como âncora, Sérgio Oliveira e Uribe como interiores tinham a função de, sem bola, pressionar muito alto e não deixar o Chelsea FC sair, enquanto que com bola qualquer um dos mais ofensivos tinha liberdade para chegar à área. Desta forma, Conceição conseguia colocar ainda assim vários jogadores na frente no momento ofensivo, ainda que apenas com um avançado.

Avançado esse, Moussa Marega, que tinha muitas vezes a função de segurar um bocado o jogo, para os extremos e médios poderem atacar o espaço nas suas costas. Otávio e Corona eram os homens dos flancos, ainda que o brasileiro passasse muito pouco tempo na esquerda. Estes dois juntavam-se com frequência no centro ou até na direita, onde podiam combinar com Manafá. E com este maior pendor ofensivo para o lado direito, a estratégia do FC Porto passava também por deixar o veloz Zaidu com espaço na esquerda, para ser alvo de variações que podiam causar perigo.

Com a intensa e alta pressão que os Dragões impunham, com os laterais a subirem também eles muito para encaixarem nos defesas-alas ingleses, Pepe e Mbemba tinham também uma enorme responsabilidade. Deixados muitas vezes em situações de 1v1, a margem de erro dos centrais era extremamente reduzida. O facto do Chelsea FC jogar sem uma referência no ataque (Havertz como falso 9), forçava também os jogadores a terem que entrar para o meio-campo defensivo para antecipar as ações dos mais avançados elementos da equipa de Thomas Tuchel.

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES 

Marchesín (6)

Wilson Manafá (6)

Pepe (7)

Chancel Mbemba (7)

Zaidu Sanusi (5)

Marko Grujic (6)

Matheus Uribe (7)

Sérgio Oliveira (7)

Otávio (6)

Jesus Corona (6)

Moussa Marega (5)

SUBS UTILIZADOS

Mehdi Taremi (6)

Nanú (5)

Evanilson (5)

Luis Díaz (6)

Fábio Vieira (6)