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Clássico das (in)definições

Ricardo Anselmo · 2 min

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fc porto cabeçalho

Chegam ao fim duas angustiantes semanas de espera para aquele que pode muito bem ser o jogo do título. Dos empates registados na última ronda por cada um dos candidatos não se pode propriamente dizer que ambos tenham conquistado um ponto ou perdido dois. Aqui, entra a primeira indefinição subjacente a este clássico. Qual dos dois perdeu dois pontos e qual dos dois ganhou um? A resposta não parece nada difícil e está fácil de ver que a divisão de pontos ante Paços de Ferreira e V. Setúbal caiu bem melhor nas hostes encarnadas do que no Dragão.

É, por isso, interessante perceber quem entrará em campo com maior força mental para fazer esquecer esse último percalço e, por outro lado, de que forma esse mesmo percalço terá consequências visíveis nesta partida. Nuno Espírito Santo já alertou, na antevisão, que só um forte controlo emocional por parte dos seus jogadores poderá trazer os dividendos que tanto querem(os).

A força mental será decisiva no clássico Fonte: Porta 19
A força mental será decisiva no clássico
Fonte: Porta 19

Aspeto importante a ter em conta é, também, o desgaste acumulado que esta “paragem” provocou nos atletas de ambas as equipas. O Benfica foi quem cedeu mais jogadores às respetivas seleções, contudo é o FC Porto que os recebe mais desgastados. Nesse particular, a lateral direita dos azuis e brancos concentra todas as atenções. Layún e Maxi Pereira, por exemplo, chegam sem lesões, mas ambos com 180 minutos nas pernas, fruto de dois jogos completos ao serviço dos respetivos países. Aí, poderá entrar o aspeto mental, mas até nesse particular este clássico encerra uma indefinição: Layún venceu os dois jogos pelo México e Maxi perdeu-os ao serviço do Uruguai. Por esse prisma, a alta motivação da locomotiva de Córdoba parece ser um ponto favorável para lhe entregar a titularidade.

Foto de Capa: Alberto Fernandes

Não nos podemos esquecer, contudo, da vantagem psicológica que a utilização do lateral uruguaio (nos) poderá trazer, concentrando nele a ‘fúria’ dos adeptos encarnados que trazem bem na memória os tempos em que vestia de vermelho. Maxi, em três jogos com o anterior clube, venceu dois e empatou um, sendo, por isso, um bom foco de ‘distração’. E todos nós sabemos como a história acaba quando pensam mais em nós do que neles próprios.

Maxi Pereira é o favorito na direita da defesa Fonte: FC Porto
Maxi Pereira é o favorito na direita da defesa
Fonte: FC Porto

Por fim – não que não houvesse muitos mais aspetos a ter em conta, mas porque o artigo já vai longo –, importa reconhecer que, seja qual for o desfecho final, este clássico não vai decidir absolutamente nada, mesmo que possa deixar as coisas bem encaminhadas para o eventual vencedor. O calendário de ambos ainda permite antever grandes dificuldades em deslocações a Sporting e Rio Ave (no caso do Benfica) e Braga, Marítimo e Chaves (no caso do FC Porto). Vencer um clássico é muito importante, até pela almofada psicológica que isso acarreta. A pressão de estar em primeiro é bem mais positiva do que aquela que se tem estando atrás. Esta será a última oportunidade que o FC Porto tem de depender apenas de si na luta pelo título e essa é aquela pressão de que todos nós gostamos.

Foto de Capa:  Alberto Fernandes

Ricardo Anselmo

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