Na semana passada o FC Porto apresentou o seu relatório e contas consolidado, relativo ao primeiro semestre de 2017/18. Como se previa, os resultados não são “famosos”: um resultado líquido negativo em cerca de 24 milhões de euros.

Este momento de dificuldades financeiras que o clube atravessa tem efeitos na gestão desportiva e isso foi bem notório nesta época. Certamente, também o será nos anos que se avizinham.

Em consequência disto o trabalho de Sérgio Conceição na planificação da próxima época não será uma tarefa fácil. O setor defensivo é o que mais mudanças irá sofrer: Casillas está em fim de contrato e, a não ser que baixe significativamente o seu salário, muito dificilmente permanecerá no Dragão. Maxi, também em fim de contrato, não vai renovar.

O mesmo acontece com Marcano e Diego Reyes, que não renovaram os seus contratos e, consequentemente, irão abandonar o clube. Depois existem dois processos de renovação que começam a ser preocupantes: Diogo Dalot e Ricardo Pereira terminam os seus contratos em 2019 e, ou renovam até ao final da época, ou então podemos ter casos semelhantes a Marcano e Reyes, que vão sair sem qualquer contrapartida financeira. Se a estrutura pressentir que dificilmente consegue renovar com ambos, então a melhor solução será uma venda já no próximo defeso.

Juntando a tudo isto existe a necessidade de vender, e dois dos jogadores com mais mercado são Alex Telles e Felipe, o que significaria uma reconstrução praticamente total do setor defensivo.

Danilo dificilmente vai-se manter no FC Porto
Fonte: FC Porto
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No setor do meio campo o caso mais preocupante é Danilo. Jogador com muito mercado e com a presença no Mundial praticamente certa, dificilmente continuará de dragão ao peito. Herrera e Sérgio Oliveira são jogadores “apetecíveis”, mas acredito que possam continuar.

No setor atacante existem vários jogadores com muito mercado. Brahimi é um desses casos, embora a SAD do FC Porto detenha apenas 50% do seu passe, o que torna o negócio pouco apetecível. Marega e Aboubakar são os “possíveis negócios” mais interessantes: a SAD detém 100% dos seus passes e o mercado inglês e francês tem os dois jogadores referenciados. Corona pode ser uma das soluções para fazer um bom encaixe financeiro – a época não tem sido positiva, não é um indiscutível e a presença no Mundial pode ajudar na sua valorização.

Em suma, não será um defeso fácil para a “estrutura” portista. Vai ser um autêntico jogo de xadrez em que cada movimentação tem que ser muito bem refletida. A formação do clube pode ajudar na solução de alguns problemas, sendo que um scouting muito rigoroso é também uma das soluções. Convém relembrar que três dos jogadores chegados no mercado de inverno são por empréstimo (Osório, Paulinho e Waris), o que significa que acionar as opções de compra é outra decisão que terá que ser tomada.

Mas a garantia mais importante que os sócios e os adeptos do FC Porto querem ter é a da continuidade de Sérgio Conceição. Correm rumores de vários clubes italianos interessados nos serviços do técnico portista, mas acredito que a sua continuidade vai ser assegurada. Um último apontamento para a estratégia seguida pela SAD do FC Porto esta época. Na minha opinião é a mais correta e, se for continuada, levará rapidamente o clube para melhores condições financeiras.

Fonte: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

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