Está de regresso a Festa da Taça. A nova paragem no campeonato volta a servir para os compromissos das seleções, mas também para o regresso da prova rainha do futebol nacional. Para os dragões, a sorte ditou uma deslocação ao terreno do Vila Real, que milita nos distritais.

Pode ser considerada mais uma versão do David contra Golias e é essa mesmo a magia da Taça. O dia em que “os pequenos” ficam satisfeitos por receber um “dos grandes” na sua casa, mesmo com a total consciência de que o cenário mais provável é o afastamento da competição. Ainda assim, é precisamente nesta história da Taça que se escrevem muitos capítulos de encantar, muitos momentos em que a realidade foi mais forte do que a expetativa e em que, na prática, o David levou mesmo a melhor sobre o Golias.

Nesta terceira eliminatória, são 18 os jogos que opõem formações da primeira liga a outras de escalões inferiores. Ao FC Porto, saiu em sorte um emblema dos distritais, a atuar na Associação de Futebol de Vila Real. É, à partida, um jogo fácil para os dragões, os campeões nacionais. Mas é, sobretudo, um jogo em que se antecipam muitas mudanças no onze titular, num plantel que, nessa semana, se desloca à Rússia para atuar num palco de outras dimensões, o da Liga dos Campeões.

Voltando à Taça de Portugal, a participação da época passada ficou marcada pelo afastamento nas meias-finais, no estádio de Alvalade. O percurso, esse, teve início em Évora, com uma goleada por 0-6. Ainda assim, a surpresa parecia chegar na quarta eliminatória, em pleno Dragão: um Portimonense ousado recuperou do 1-0 sofrido logo aos cinco minutos, colocou-se a vencer por 1-2 aos 69’ e apenas se deu por vencido bem para lá dos 90, com dois golos do FC Porto (aos 90+1 e 90+6) a carimbarem a reviravolta.

A vitória caseira por 1-0 no encontro com o Sporting, da primeira mão das “meias”, deixou os adeptos a sonharem com o regresso ao Jamor, mas depois do clássico na Luz não houve fôlego para segurar a vantagem na eliminatória. O golo de Coates aos 84 deixou tudo empatado e, no desempate por grandes penalidades, valeu aos leões a desinspiração da Marcano.

A última vez que o FC Porto venceu a Taça de Portugal foi na época 2010/2011
Fonte: FC Porto

Quanto ao Vila Real, adversário deste primeiro encontro, apenas se cruzou no caminho azul e branco por seis vezes, sendo que quatro delas foram precisamente na Taça de Portugal e o confronto mais recente ocorreu em 1991. O histórico é claramente favorável aos dragões, que marcaram 35 golos nos seis jogos, sofrendo apenas dois! Para chegar a esta fase da prova, este Vila Real eliminou duas formações de escalão superior, a atuar no Campeonato de Portugal. Primeiro o Torcatense e depois, nas grandes penalidades, o Sanjoanense.

Ainda assim, esta parece ser mais história sem lugar para surpresas, uma daquelas em que o primeiro capítulo deixa antever o final. A superioridade do FC Porto e a vontade de regressar ao Jamor, para vencer um troféu que escapa desde 2011, dificilmente será levada de vencida, embora haja sempre espaço para uma última palavra do Vila Real. Certo é, isso sim, que a “Festa da Taça” também vai passar por Trás-Os-Montes.

 

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

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