fc porto cabeçalho

O plantel do FC Porto, por mais qualidade que possa ter com a transição para uma nova época, padece sempre de um “problema” que já tem vários anos de existência: a falta de aposta nas camadas jovens. Houve tempos em que a famosa Academia de Alcochete se destacava em todo o mundo e, mais recentemente, a aposta no Seixal também tem colhido frutos. No entanto, desde a introdução das equipas B na Segunda Liga, é o FC Porto B que mais se tem destacado: alcançou por uma vez a segunda posição, foi uma vez campeão e esta época está bem encaminhado para repetir o feito. Num plantel onde a aposta é maioritariamente a formação do FC Porto estas conquistas recentes provam, afinal, que os dragões estão recheados de jovens de qualidade. Hoje focamo-nos em dois jovens laterais, produtos da formação azul e branca: Rafa Soares e Diogo Dalot.

Diogo Dalot assume-se, atualmente, como a principal coqueluche nos quadros dos dragões. Todas as épocas o nome do jovem defesa é apontado a grandes tubarões europeus e ainda este mês os grandes clubes italianos (Juventus FC e SSC Nápoles) voltaram a manifestar interesse. Apesar da tenra idade, Diogo Dalot mostra uma maturidade acima da média e a equipa B serve atualmente como principal fonte de aprendizagem. Podendo jogar tanto na esquerda como na direita da defesa, Dalot tarda em afirmar-se no plantel principal ainda que tenha integrado o lote de jogadores na apresentação aos adeptos para a nova época. As oportunidades para o jovem defesa são quase inexistentes mas os apoiantes dos dragões anseiam que o nome de Dalot seja cada vez mais recorrente na equipa principal e sabem que é uma questão de tempo até que o jogador se revele e atinja todo o potencial prometido.

Em relação a Rafa Soares a história é diferente. Rafa já não é um jovem promissor de 18 anos como Dalot e, apesar dos seus 22 anos, já devia ter “explodido”. O lateral esquerdo tem sido notícia nos últimos dias já que este se encontra insatisfeito no Fulham FC, clube no qual está atualmente cedido por empréstimo dos dragões. Este é já o terceiro empréstimo na carreira de Rafa, tendo tido passagens também pela A Académica de Coimbra e Rio Ave FC. Rafa Soares, tal como Diogo Dalot, também integrou o grupo de 23 jogadores que se apresentou aos adeptos e muitos acreditaram que, depois de um empréstimo bem-sucedido ao Rio Ave, este seria o ano de afirmação do lateral. Mas tal não aconteceu! Rafa foi mais uma vez emprestado e tem uma vez mais o futuro indefinido.

Rafa está atualmente cedido ao Fulham FC, mas notícias recentes afirmam que o jogador está insatisfeito e que deve sair ainda no mercado de inverno Fonte: Fulham FC
Rafa está atualmente cedido ao Fulham FC, mas notícias recentes afirmam que o jogador está insatisfeito e que deve sair ainda no mercado de inverno
Fonte: Fulham FC

Mas qual o motivo pelo qual o FC Porto não aposta definitivamente nestes dois laterais na equipa principal? Sérgio Conceição tem neste momento dois pilares nas laterais do seu onze: Ricardo Pereira e Alex Telles. Estes jogadores são indubitavelmente as melhores opções em todo o plantel. No entanto, Maxi Pereira e Miguel Layún são também apostas esporádicas do treinador, alinhando aos poucos em poucos jogos. Esta situação faz-me levantar outra questão: será que Diogo Dalot e Rafa Soares não têm capacidade suficiente para assumir o estatuto de laterais suplentes atualmente atribuído a Maxi e Layún? Não seria esta uma forma de aliviar a folha salarial e, ao mesmo tempo, potenciar dois jovens talentos?

Maxi Pereira já não é o Maxi de outros tempos! Os anos passam por todos e é unânime para os adeptos portistas que Ricardo Pereira é, atualmente, a melhor opção para a direita da defesa. A juntar a isto é sabido que Maxi aufere um elevado salário anual, o que pesa (e muito) aos cofres dos dragões. Apesar dos bons momentos que Maxi ainda proporcionou aos adeptos portistas, tal como o golo que garantiu o empate na Luz na época passada, começa a chegar a hora de o uruguaio pensar num último grande contrato na sua carreira, possivelmente fora da Europa.

Também Miguel Layún se apresenta, a meu ver, como um jogador excedentário no plantel do FC Porto. O mexicano já não é o mesmo jogador que foi na época de estreia, quando ganhou o prémio de melhor assistente do campeonato. Assim como acontece no caso de Maxi, Layún foi relegado para o banco de suplentes porque existe atualmente, no plantel dos dragões, uma opção melhor: Alex Telles. Layún esteve próximo da saída neste mercado de inverno, mas a sua versatilidade é um trunfo que lhe garante a continuidade naquele que é um plantel curto.

Por tudo isto considero que Diogo Dalot e Rafa Soares estão prontos para herdar os lugares de Layún e Maxi. Chega de desperdiçar talento jovem e português! Os empréstimos, no caso de Rafa, são bons até um certo ponto; a partir de uma certa altura começam a “estragar” o jogador. Dalot e Rafa têm todo o potencial e capacidade para substituir os respetivos colegas de equipa e, gradualmente, irem assumindo um papel de destaque no plantel principal. Fica a ganhar a equipa, os cofres dos dragões e, possivelmente, a Seleção Nacional.

Foto de Capa: Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

Comentários

Artigo anteriorOs emails não revelados: Adeptos exigem explicações a Júlio Mendes
Próximo artigoProximus ludum
O Nélson é estudante de Ciências da Comunicação. Jogou futebol de formação e chegou até a ter uma breve passagem pelos quadros do grande Futebol Clube do Porto. Foi através das longas palestras do seu pai sobre como posicionar-se dentro de campo que se interessou pela parte técnica e tática do desporto rei. Numa fase da sua vida, sonhou ser treinador de futebol e, apesar de ainda ter esse bichinho presente, a verdade é que não arriscou e preferiu focar-se no seu curso. Partilhando o gosto pelo futebol com o da escrita, tem agora a oportunidade de conciliar ambas as paixões e tentar alcançar o seu sonho de trabalhar profissionalmente como Jornalista Desportivo.                                                                                                                                                 O Nélson escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.