Dispensas de Inverno no FC Porto

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Nuno Espírito Santo decidiu, com a sua equipa técnica, dispensar Adrián Lopez, Evandro e Sérgio Oliveira do plantel do FC Porto, tendo-os colocado a treinar à margem do plantel. Referiu, quando foi sabida a dispensa, “O Adrián, o Evandro e o Sérgio deixaram de trabalhar por decisão comunicada, falada e entendida por parte dos jogadores. São bons profissionais e bons homens, que vão procurar seguir o curso normal das circunstâncias, as que forem melhores para eles. Têm um comportamento exemplar e são pessoas sérias”. Eram casos relativamente previsíveis devido à escassa utilização que os referidos atletas estavam a ter nesta primeira metade de época no Dragão e a colocação noutros clubes pode ser a melhor solução para o clube, que tendo os jogadores a jogar regularmente estará a valorizá-los e, quem sabe, a resgatá-los depois em melhor forma e com mais confiança (temos o exemplo recente de Otávio, que beneficiou do empréstimo em Guimarães para se cimentar nesta época no plantel portista).

Começando pelo caso de Adrián Lopez, o mais gritante e a revelar, passado três épocas, que foi um falhanço a sua contratação. Pinto da Costa, em recente entrevista, afirmou que “negócios como os de Adrián nunca mais faço” e esta frase surge na consequência do fraco desempenho desportivo do jogador com três treinadores diferentes, nunca se conseguindo afirmar e confirmar o alto valor pago pelo atleta. Esta época participou em nove jogos, totalizando 341 minutos e zero golos. Pouco, muito pouco para um jogador que custou qualquer coisa como 11 milhões de euros aos cofres portistas e a sua dispensa e, provavelmente, empréstimo fazem sentido para valorizar o jogador e para o clube conseguir tirar dividendos económicos do atleta.

Seguindo para Evandro, foi sempre um jogador muito consistente, utilizado sobretudo em jogos mais táticos e equilibrados devido à sua qualidade de passe e inteligência a jogar. Veio para o Dragão depois de duas épocas excelentes ao serviço do Estoril, sendo orientado por Marco Silva e, aí, obteve um lugar de destaque nos canarinhos mas, ao serviço dos azuis e brancos, nunca conseguiu impor o seu futebol e os números estão aí para reforçar esta ideia, participando em quatro jogos num total de 132 minutos de jogo. Um jogador calmo, silencioso mas que a sua falta de protagonismo pode ter prejudicado a sua carreira na cidade Invicta. Escassa utilização para um jogador que, na minha opinião, podia ter tido maior aproveitamento e mais oportunidades. Um empréstimo irá ser positivo para o jogador vir com mais confiança e cimentar a sua posição.

Dos três dispensados, Adrien López foi o que contabilizou mais minutos (Fonte: FC Porto)
Dos três dispensados, Adrien López foi o que contabilizou mais minutos (Fonte: FC Porto)

Por último, Sérgio Oliveira. Produto dos escalões de formação do clube, iniciou o seu percurso na primeira equipa do FC Porto no longínquo ano de 2009 com 17 anos e quatro meses, na vitória por 4-0 para a Taça de Portugal, contribuindo com uma assistência para golo de Hulk com o Sertanense e, nesse jogo, declarou que “fico muito feliz por saber que o F. C. Porto está a fazer uma grande aposta em mim e tudo vou fazer para justificar a confiança que o clube deposita no meu trabalho. Palavras fortes para um menino de 17 anos, acabado de cumprir o seu sonho de jogar no clube do seu coração tendo na altura ficado com uma cláusula de rescisão de 30 milhões de euros. Depois dessa estreia auspiciosa, seguiram-se sucessivos empréstimos como o Beira Mar, o Mechelen da Bélgica, regressa a Portugal para representar o Penafiel, e tem o último empréstimo em Paços de Ferreira durante duas épocas, onde foi uma figura de destaque da equipa, tendo ajudado o clube a cimentar a sua posição no panorama futebolístico nacional e jogado a Liga Europa pela equipa da Capital do Móvel. Regressado ao FC Porto, nunca foi aposta de Lopetegui mas com a vinda de José Peseiro fez uma segunda metade de época interessante tendo mais minutos de jogo e marcado três golos. Vai ser emprestado novamente para ter minutos nas pernas mas o clube tem de avaliar no final da época o que fazer com o atleta, visto ser outra vez emprestado depois de ter estado no plantel. Participou em dois jogos num total de 53 minutos.

Muito a resolver no plantel, com três excedentários a partirem (ao que tudo indica) e a estrutura a ter de resolver o futuro dos atletas de forma a não comprometer a construção do plantel para a próxima época. Apenas referir que é necessário reforçar algumas posições no plantel com um extremo, um ponta-de-lança e também um médio e promover o regresso de Ricardo Pereira no final da época porque pode ter um futuro ao mais alto nível no Dragão e não esquecer jovens como Diogo Queirós e Diogo Dalot que estão a protagonizar grandes épocas nos juniores portistas e começar a utilizar os jogadores na equipa B faz sentido para terem maior competitividade e serem mais testados (António Folha é agora o treinador da equipa B e conhece bem estes dois atletas).

Um futuro que tem de ser planeado ao pormenor para não haver mais erros de construção do plantel.

 

Foto de Capa: FC Porto

Telmo Martins
Telmo Martinshttp://www.bolanarede.pt
Eterno apaixonado por futebol, tem no Porto a sua eterna paixão. A atualidade desportiva faz parte da sua génese, lendo desde muito novo os jornais desportivos cuja leitura o avô lhe incutia. Vê jogos de futebol com o seu pai desde os três meses de idade (de pequenino é que se torce o pepino). Joga futebol e futsal com os amigos sempre que pode. Tem também pelo ciclismo um apreço especial. Fora de Portugal é adepto incondicional do Tottenham Hotspur e do Real Madrid.                                                                                                                                                 O Telmo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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