Para os poucos entendidos em língua castelhana, começo por me justificar com este título. Se estivéssemos a falar de um jogador de outra nacionalidade não me atreveria a escrever o título que escrevi. Mas como se trata de um jogador mexicano que pode estar de regresso ao Dragão, decidi aventurar-me pela língua que não só domina o México como grande parte da América do Sul. O nome Zorro não é nenhuma tradução de português para espanhol. É a alcunha do jogador de que vos vou falar. Depois de toda esta introdução, creio que são poucos aqueles que ainda não perceberam quem é o jogador.

Héctor Herrera, médio internacional mexicano que envergou durante alguns anos a braçadeira de capitão do FC Porto antes de sair a custo zero para o Club Atlético de Madrid. Este último pormenor é, sem dúvida, uma das poucas marcas negativas que o número 16 deixou na Invicta. A má notícia é que é uma marca negativa que, para muitos adeptos, vale mais que todas as marcas positivas.

A despedida de Héctor Herrera foi inglória
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Nos últimos dias, tal como no verão passado, voltaram as notícias do possível regresso do médio dos Colchoneros à equipa de Sérgio Conceição. Existem motivos que nos podem levar a pensar que esta transferência pode ou não se tornar realidade. Por um lado, trata-se de um jogador que nunca se desligou do panorama azul e branco. Herrera é um jogador que agrada claramente a Sérgio Conceição. Se juntarmos isso ao facto de não ser uma opção para Diego Simeone no Club Atlético de Madrid e de estar em término de contrato, ainda podemos ver a transferência mais próxima. Contudo, o mundo do futebol já não se faz apenas de vontades e de paixões. O desporto rei tornou-se num negócio em que as questões salariais, os interesses dos clubes e os empresários ganharam uma importância nunca antes vista.

A verdade é que, se se concretizar, o regresso de El Zorro ao Dragão apenas vai ser no verão já a pensar na época de 2021/2022. Se seria uma boa aquisição? Sem dúvida.

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Nas quatro épocas de dragão ao peito, sempre fui muito crítico de algumas exibições do internacional mexicano, mas a verdade é que, para além dos minutos e golos somados, a importância dentro de campo era notável. Principalmente desde a chegada de Sérgio Conceição, Herrera tornou-se um grande líder dentro e fora das quatro linhas. No terreno era um autêntico polvo. Não tinha magia nos pés nem fazia fintas de levantar o estádio, mas o compromisso com e sem bola estava lá. No fundo, tinha um papel um pouco ingrato na equipa.

No futebol do atual técnico portista, Herrera encaixa que nem uma luva. É o médio ideal para fazer duplo pivot com outro jogador que complemente as características do mexicano. Consegue oferecer o jogo box-to-box na zona intermediária como também ligar o setor mais defensivo com o mais ofensivo. A meia distância também não é para menosprezar, visto que muito provavelmente o melhor momento de Herrera no FC Porto foi aquele golo marcado ao SL Benfica em pleno Estádio da Luz.

Como já referi anteriormente, a saída de Herrera pode ter manchado aquilo que de bom tinha sido feito no Dragão, mas a verdade é que Marcano também não era bem-vindo de volta e agora não há nenhum portista que não o apoie. Como se costuma dizer, basta os jogadores cumprirem bem a sua missão dentro das quatro linhas que o resto não interessa.

A viagem do internacional mexicano por terras espanholas não tem sido nada feliz. Herrera marcou apenas um golo e, apesar de na época passada ainda ter conseguido completar 30 jogos, esta época ainda não passou dos 14. Muitas pessoas, das quais eu me incluo, acham estranho um jogador com as características de Herrera não entrar nas opções de Diego Simeone. Mas a verdade é que as lesões e o facto de o meio-campo dos Colchoneros já estar bem definido dentro de uma espinha dorsal ao gosto de Simeone não favorece em nada as ambições do jogador.

Neste atual FC Porto também não seria fácil para Herrera entrar de caras no onze. O jogador com características mais parecidas ao mexicano é, sem dúvida, Uribe que cumpre uma missão idêntica à do que o número 16 cumpria quando jogava pelos azuis e brancos. Uma dupla com Uribe não faria muito sentido, mas com Sérgio Oliveira já faz lembrar aquele FC Porto da segunda metade da época 2017/2018. E o que aconteceu esse ano? Campeonato conquistado.

Para os poucos entendidos em castelhano e que chegaram até ao fim deste artigo, faço questão de traduzir o título para “Onde estás, Zorro?” Esta é a pergunta que muitos adeptos do FC Porto fazem de forma inconsciente. É um médio que faz falta à equipa e que vinha, claramente, acrescentar qualidade.