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Numa altura de instabilidade devido à reabertura do mercado de transferências, a equipa do FC Porto tem vindo a viver, por mais estranho que pareça, o seu melhor momento a nível de estabilidade exibicional, o que torna a equipa azul-e-branca neste momento, sem margem para dúvidas, a equipa que pratica o melhor futebol em Portugal (sim, mesmo tendo perdido com o Benfica naquele atípico jogo). Tem havido golos (muitos golos) para todos os gostos e feitios – desde aqueles com nota artística 10 até aos “de encostar” -, assistências de luxo e fintas magistrais de jogadores que têm vindo a explodir desde o início da época.

Dito isto, Lopetegui enfrenta, neste momento, não uma, mas sim duas valentes dores de cabeça para fazer com que o alto nível de jogo que os dragões têm vindo a demonstrar se mantenha. Vamos por pontos.

1) Como disse no meu texto anterior, a reabertura do mercado de transferências traz mais medo do que oportunidades. Se por um lado certos excedentários estão de saída do plantel, por outro o número de interessados nas pedras mais valiosas do xadrez azul-e-branco têm subido de dia para dia (e hoje ainda estamos a 8 de Janeiro…): a “torre” Danilo, os “bispos” Brahimi e Tello, o “cavalo” Herrera, a endiabrada “dama” Óliver e o “rei” da corte, Jackson Cha Cha Cha Martinez. Falamos de seis titulares neste momento indiscutíveis do Porto, jogadores que têm sido a base do sucesso recente pelas consistentes exibições que têm galvanizado os adeptos e deixado esperança relativamente ao regresso daquilo que, por mérito desportivo, tem pertencido ao FC Porto: o ceptro do futebol português!

O capitão do FC Porto, blindado por uma cláusula de rescisão de 35 milhões de euros, é um dos mais cobiçados do plantel  Fonte: Facebook do FC Porto
O capitão do FC Porto é um dos mais cobiçados do plantel
Fonte: Facebook do FC Porto

A estrutura da SAD portista terá que, de forma cautelosa e prudente, “blindar” a saída de jogadores que são, de momento, insubstituíveis no conjunto de Lopetegui. Sempre nos habituámos a ver partir jogadores como Hulk, Falcao, James, Pepe, Ricardo Carvalho, Deco e Costinha, e a ver chegar até então desconhecidos, como Jackson Martinez, Martins Indi, Quintero, Óliver, Danilo, Otamendi ou Lisandro López. Por isso, sei que se algum jogador sair rapidamente chegará um substituto que todos vão criticar no princípio, mas que  todos admirarão depois (quem não se lembra de um tal de Hulk, vindo do Japão?!). Aqui, a grande questão é que substituir uma pedra fundamental e criar condições para que a equipa se adapte a outra em Janeiro é totalmente diferente de fazê-lo numa pré-epoca. Ainda assim, estou confiante em como resistiremos à tentação dos milhões que o mercado nos apresentará…

2) A CAN levará do clube da Invicta Aboubakar e… Brahimi! A ausência de Aboubakar, jogador que aprecio mas que ainda não tem espaço no onze (está tapado por um dos melhores avançados da Europa), até pode ter algo de positivo: as chamadas de André Silva ou Gonçalo Paciência à equipa principal – futebolistas de enorme potencial e que, a par de Rui Fonte, constituem as maiores esperanças da selecção portuguesa para a posição de ponta-de-lança num futuro não muito distante. A minha grande preocupação (e a de todos os portistas e ainda mais de Lopetegui) resume-se a uma pequena pergunta: quem será o substituto de Brahimi? O argelino irá falhar, pelo menos, 6 jogos (o número pode ascender aos 8, consoante a campanha da sua selecção). Sendo assim, e sabendo quais os 6 jogos que Brahimi irá falhar, quais serão as escolhas lógicas para a sua posição (e dinâmicas da equipa)?

A ausência de Brahimi tem inquietado as hostes portistas  Fonte: Facebook do FC Porto
A ausência de Brahimi tem inquietado as hostes portistas
Fonte: Facebook do FC Porto

FC Porto – Belenenses (11 de Janeiro) – A jogar em casa, num jogo onde o ascendente azul-e-branco será certo, Ricardo Quaresma deverá ser a escolha para tomar a faixa que costuma ser ocupada por Brahimi.

FC Porto – União da Madeira (14 de Janeiro): Sendo este um jogo da Taça da Liga, competição que para os dragões serve essencialmente para rodar jogadores (mesmo sabendo que agora irá ser uma espécie de Taça de Portugal), Tello e Quaresma devem ser poupados e as alas poderão ser entregues a Ricardo Pereira e Ivo Rodrigues, jovem prodígio da equipa “B”. Também não é de todo impensável que Lopetegui recue Ricardo para o lugar de Danilo e avance com Quintero para a posição de “falso” interior, partindo do princípio de que, sem Aboubakar, jogará Adrián na frente de ataque.

Penafiel – FC Porto (18 Janeiro) – De volta ao campeonato, jogando num campo pequeno e tradicionalmente difícil, a minha aposta vai para inclusão de Óliver e Tello nos corredores, pois sem espaço Quaresma  não é tão preponderante. Um meio-campo com Rúben Neves, Casemiro e Herrera parece-me o mais acertado, mas não será de perder de vista a hipótese de Adrián ou Quintero jogarem de início, embora isso fosse um pouco contra aquilo que “é” a forma de jogar de Lopetegui contra equipas que defendem muito e exploram contra-ataques rápidos.

SC Braga – FC Porto (21 de Janeiro) – Na sempre complicada deslocação à “pedreira”, os dragões tiveram “sorte” neste sorteio: podem ir a Braga com 6 pontos e terão sempre vantagem sobre os minhotos, o que confere a Lopetegui (caso ganhe o jogo no Dragão frente à União) a possibilidade de rodar bastantes jogadores.

Marítimo – FC Porto (25 de Janeiro) – Numa das deslocações mais complicadas da época, e sendo um jogo absolutamente crucial por fechar um ciclo sem “vitamina B(rahimi)” para o campeonato, decerto Lopetegui voltará a apostar em Quaresma e Tello para as alas;

FC Porto – Académica (28 de Janeiro) – Sendo este (espero) o último jogo dos dragões sem o argelino, em mais um jogo da Taça da Liga espera-se ver novamente alguns jovens em acção e consumar a classificação da equipa azul-e-branca para a fase seguinte.

Quaresma será importante para suprir a falta de Brahimi  Fonte: fcporto.pt
Quaresma será importante para suprir a falta de Brahimi
Fonte: fcporto.pt

Tudo aquilo que foi escrito acima não passa, como é lógico, de suposições. Principalmente no que diz respeito à Taça da Liga, visto que não sabemos realmente a importância que o FC Porto dará à competição. No caso de haver deslize, é difícil prever que jogadores serão utilizados, ao contrário daquilo que acontece com os jogos do campeonato, em que jogam sempre com os melhores disponíveis porque todos são para ganhar.

Depois de tudo isto, teremos Brahimi de volta! Quero dizer, assim o espero… Que o PSG ponha os 50 milhões no bolso ou os gaste em Gaitán e mais algum jogador. Deixem o argelino em paz!

Terminando este meu longo texto, não posso deixar de relembrar o leitor de que estou longe de ser adivinho – aliás, nunca serei – e que por isso não posso prever a validade deste texto. Tudo depende de vários factores que são, neste momento, impossíveis de avaliar. Existirá alguma lesão? Explodirá algum jogador? Sairá alguém? Entrará um craque que venha e “pegue de estaca”? Analisei estas situações apenas com base no plantel actual à disposição de Lopetegui e na forma dos jogadores nos últimos encontros!

Foto de capa: fcporto.pt

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