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O FC Porto assegurou ontem a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões com uma vitória frente ao AS Mónaco, sendo a única equipa portuguesa a conseguir permanecer em prova. Ainda assim, e apesar do objectivo principal ter sido alcançado, nem tudo correu de feição aos azuis e brancos, que rubricaram uma fase de grupos instável e composta de altos e baixos.

O dia 13 de Setembro marcou o arranque do FC Porto na principal prova de clubes europeia. Era dado o pontapé de saída na competição e logo num jogo carregado de emoções, com o regresso de Ricardo Quaresma e Pepe ao relvado do Dragão. O campeonato tinha começado bem, com a equipa a deixar boas indicações e a expectativa para a recepção ao Besiktas era nem mais nem menos do que a vitória. Mas não foi o que aconteceu. O meio campo a dois dos dragões não foi suficiente para conter as investidas turcas, que tinham a parte central do terreno mais povoada e Talisca, que aparecia para as sobras.

No onze inicial da equipa destacava-se ainda uma ausência de peso na frente: Aboubakar. O avançado camaronês cumpria um jogo de castigo, que transitou da época passada (curiosamente ao serviço dos turcos!). Estavam reunidos os ingredientes principais de um primeiro jogo pouco conseguido, em que faltou imaginação e finalização. O Besiktas colocou-se antes do quarto de hora na frente, o FC Porto ainda chegou ao empate, mas o resultado fechou mesmo com uma derrota por 1×3.

Conscientes de que o primeiro jogo não poderia servir de exemplo, os dragões mudaram a roupagem para a deslocação ao AS Mónaco e Sérgio Conceição não se inibiu de fazer uma estreia no onze inicial: Sérgio Oliveira. O meio campo compôs-se com quatro elementos e Aboubakar surgiu na frente com Marega. E a noite foi mesmo do camaronês, que bisou na partida e fez o FC Porto brilhar no principado, não fazendo esquecer a noite de estreia, mas deixando indicações claras que a mesma tinha sido apenas um erro de percurso. E, com a europa rendida a uma exibição de luxo no Mónaco, o FC Porto rumava para a Alemanha, para defrontar um surpreendente RB Leipzig. Isso mesmo, surpreendente. Não só a equipa, mas também o resultado com que o jogo terminou: 3-2.

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A equipa carimbou ontem a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões Fonte: FC Porto
A equipa carimbou ontem a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões
Fonte: FC Porto

O confronto com os, na altura, detentores do segundo lugar no campeonato alemão, ditou uma nova aposta do técnico azul e branco, desta vez numa posição onde é pouco comum serem feitas alterações em jogos a este nível. Na baliza, para o lugar de Casillas, surgiu José Sá. A noite de estreia do guarda redes português não lhe correu pelo melhor, uma vez que um erro no início da partida comprometeu equipa e resultado. E, se Aboubakar foi o nome mais sonante da equipa depois da vitória sobre os monegascos, José Sá também o foi na Alemanha, mas pelos motivos contrários.

Três jogos, uma vitória e duas derrotas. Saltitando de jogo menos conseguido para jogo mais conseguido, ficou claro que a passagem aos oitavos começava agora a estar totalmente dependente de pontos. E o FC Porto não fez por menos e foi capaz de vingar as derrotas com os alemães e os turcos. No Dragão, na recepção ao RB Leipzig, a equipa assinou uma das melhores exibições da temporada, demonstrando que merecia o seu lugar na Europa e depois, na Turquia, conseguiu um empate que lhe permitiu deixar a decisão para a última jornada, uma decisão em que apenas dependiam de si próprios.

Os azuis e brancos não fizeram por menos, disseram presente(!) e fecharam ontem a fase de grupos com mais uma vitória clara sobre o AS Mónaco. É certo que um AS Mónaco já afastado da luta pelos lugares europeus, um AS Mónaco com muitas poupanças e poucas ambições. Mas ainda assim, uma vitória moralizadora e com números expressivos, que se seguiu a um empate caseiro com os rivais da Luz e terá vindo com certeza acrescentar motivação para a recta final da primeira volta do campeonato. E, de uma fase de grupos intermitente, em que tudo só se decidiu no final, saíram duas peças agora recorrentes na equipa. José Sá mereceu a confiança do técnico (e, diga-se, dos adeptos!), e assentou de pedra e cal na baliza portista e Sérgio Oliveira, que veio cimentar uma nova abordagem no Mónaco, deu provas que tem o que é necessário para jogar e ajudar.

Agora, segue-se o sorteio dos oitavos, a primeira fase a eliminar da competição. Aqui, a margem de erro será menor, as hipóteses de recuperar de resultados menos bons não são hipóteses, mas sim só uma hipótese! Com um plantel curto e que ainda luta por todas as provas, qualquer equipa será um obstáculo merecedor de toda a atenção e cuidado. Mas, depois de vencerem o Mónaco por duas vezes com diferença de três golos e terem recordado tudo o que isso já simbolizou, é certo que teremos FC Porto!

 Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira