E a bonança chegou, pois claro

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“ (…) Seguem-se dois importantíssimos jogos que podem definir muito do que será a época do Dragão. Tenho plena confiança de que, como diria o outro, isto é uma questão de ‘ketchup’: quando recomeçarmos a marcar, ninguém mais nos para. A confiança voltará e aí, não haverá árbitro, bruxedo ou força do mal que nos impeçam de vencer.(…)”

Consciente do risco de pecar por antecipação, gostaria de começar esta crónica como terminei a última. Não quero dar uma de profeta, mas estes dois últimos jogos do FC Porto parecem retirados de um filme de Hollywood, dividido em duas partes: primeiro o suspense do jogo com o Braga, numa verdadeira rodagem de ficção científica (sim, tanto tempo sem marcar golos em balizas que mais pareciam enfeitiçadas não pode ser verdade!). Depois, o documentário baseado em factos reais, expresso na demonstração de futebol de alto gabarito imposta ao campeão inglês. Factos reais porque, naturalmente, esta exibição enquadra-se mais naquilo que é a realidade do FC Porto: uma equipa dominadora em toda a linha e em todos os momentos de jogo.

Felizmente, tudo o que escrevi antes deste duplo confronto verdadeiramente decisivo acabou por se revelar assertivo. Não só a ideia – mais do que enraizada no futebol – de que “assim que o primeiro entrar vai ser uma festa”, mas também o desejo manifestado em ver o menino Rui Pedro mais vezes em ação. Ele que já havia deixado água na boca no jogo-treino com o Belenenses para a ‘Taça’ da Liga. Ironia das ironias, lá estava o rebelde de Pedorido a levar-nos ao êxtase no quinto minuto de compensação frente aos bracarenses. E que privilégio foi para mim poder assistir, in loco, a esse momento Kelvin 2.0. É certo que não decidiu um campeonato, mas pode muito bem ter sido o tal clique de que esta maravilhosa equipa tanto precisava. Justificaram-se, por isso, os exuberantes festejos de jogadores, adeptos e toda a equipa técnica, bem como as lágrimas do grande Luís Gonçalves, encarnando o sentimento de justiça refeita que todos experimentamos naquele momento tão dramático e ao mesmo tempo tão belo.

A estabilidade parece querer chegar ao reino do Dragão Fonte: FC Porto
A estabilidade parece querer chegar ao reino do Dragão
Fonte: FC Porto

Soltaram-se, finalmente, as amarras. E o resto da história foi o que todos puderam atestar: uma noite à dragão. Um verdadeiro recital de futebol, com a nota artística mais elevada de que há memória por estes lados nos últimos anos. É certo que as maiores estrelas do Leicester não estavam presentes, mas nem isso pode servir para branquear a grande exibição dos ‘dragões’, que à qualidade de jogo já evidenciada em muitos dos jogos anteriores, aliaram, desta vez, uma tremenda eficácia no ataque à baliza adversária. Uma eficácia que se traduziu na obtenção de cinco golos. E para todos os gostos. Desde a cabeçada à ponta de lança de André Silva (que viria depois a exorcizar os demónios das grandes penalidades) ao já habitual calcanhar argelino, típico nesta prova europeia. Pelo meio, tempo para o fantasista Corona levantar o estádio com um golo que nos faz aceitar, de bom grado, o dinheiro gasto no bilhete, e para Jota fechar a contagem com a assertividade que se pede em frente ao guarda redes.

Nuno Espírito Santo goza por estes dias de uma tranquilidade e estado de graça que ainda não havia experimentado desde a sua chegada ao Dragão. Os ‘pipoqueiros’ devem ter-se esquecido dos lenços brancos em casa e o que se viu no final dos dois jogos foi uma plateia em pé, a gritar e a aplaudir tão belos desempenhos aliados a vitórias motivadoras para o futuro. Tudo isto é mérito dele e, correndo o risco de me tornar repetitivo, reafirmo a ideia de que Nuno não pode ser responsável pelo facto de o FC Porto perder pontos por manifesta infelicidade em frente à baliza ou por vista grossa por parte dos árbitros. A preparação e a leitura do jogo, mesmo não sendo perfeitas, acabariam por dar razão ao treinador, se a sorte e a competência de tanta juventude tivessem formado aliança mais cedo. Felizmente essa fez-se a tempo e agora, com os níveis de motivação em crescendo, o FC Porto pode preparar a visita a S.ª Maria da Feira ciente de que, mantendo o nível, pode aproximar-se ainda mais da frente, reforçando o crescimento que a equipa vem demonstrando ao longo do tempo.

A terminar, o desejo de que o sério caso em que se tornou a defesa deste FC Porto mereça, por parte dos opinadores deste país, um justo tratamento, tal como aquele que foi feito em relação ao jejum de golos. À falta de ideias para tentar amenizar o mérito e descredibilizar o bom trabalho de NES, esta seria um bom tema de debate. Afinal, estes seis jogos sem consentir golos são já recorde do século. A melhor defesa da Europa é nossa!

Foto de capa: FC Porto

Ricardo Anselmo
Ricardo Anselmohttp://www.bolanarede.pt
O azul e o branco é parte fundamental da vida do Ricardo. O amor pelo FC Porto faz dele um adepto ferrenho dos 'dragões'. Tem na escrita um amor quase tão grande como o que tem pelo clube, sendo sobre futebol que incide a maior parte das suas escrituras. No futuro, espera encontrar no jornalismo a sua ocupação profissional.                                                                                                                                                 O Ricardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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