fc porto cabeçalhoNo início da época insurgi-me com a contratação de Laurent Depoitre aos belgas do Gent. Variadíssimos motivos levaram a isso, os quais irei explicar:

– 6,5M por um jogador, independentemente da posição em que joga, no contexto do futebol português, é muito dinheiro, e para valer isso o jogador tem de ter valia para isso e créditos firmados.

– 27 anos, quase a completar 28, torna-o numa aposta para o imediato, para jogar em qualquer altura, e não para ir crescendo, como vem sendo aposta do FC Porto nas últimas temporadas. André Silva começara a despontar nos azuis e brancos e a aposta em Depoitre, por um valor tão significativo, poderia ameaçar o seu lugar no onze titular dos dragões.

– O seu registo como avançado não é, na minha opinião, extraordinário, tendo marcado, no Gent, em 90 jogos, 31 golos. Desde que se tornou profissional de futebol marcou 111 golos em 321 jogos, o que dá uma média de 0,35g/j. Vale 6,5M?

– O FC Porto e o seu treinador, NES, na pré-época testaram o 4x3x3 como formação principal. Nessa lógica, Depoitre não se encaixa porque, e mais uma vez, na minha perspetiva, necessita de um segundo avançado ao seu lado, e até porque carece de velocidade para jogar sozinho na frente; com alguém ao lado mais móvel poderia fazer mais estragos, e apesar da mudança tática operada, neste momento, a aposta em André Silva como titular é clara e compreensível.

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Fonte: Laurent Depoitre
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Depoitre é o menos culpado de toda esta situação. O scouting e treinador do Porto já sabiam das suas características e do seu estilo de jogo, e se decidiram contratá-lo têm algum motivo para isso. Mas a massa adepta tem dificuldades em entender a sua gestão. Nesta época, no total, participou em seis jogos (excluí três jogos oficiais realizados pelo Gent) num total de 241 minutos com o total de um golo (contra o Gafanha da Nazaré). Pinto da Costa atirou a responsabilidade da contratação para o treinador do FC Porto, mas será que foi o treinador que pediu? Foi o scouting? Foi Antero Henrique?

Contra o Vitória de Setúbal, as características do belga tinham feito todo o sentido: com os laterais do FC Porto a bombear cruzamentos (muitas vezes mal tirados, e que falta faz Layún a cruzar da esquerda!), um jogador com o poderio físico de Laurent Depoitre teria sido muito útil. Porque não entrou? Só a equipa técnica o poderá dizer porque André Silva e Diogo Jota não estavam a ganhar duelos aéreos, e os nossos médios não têm essa característica no seu arsenal. Então quando Nuno Espírito Santo olhou para o banco não o colocou em campo porquê? Tantas e tantas dúvidas que pairam no ar sem qualquer resposta. Com o que sabemos hoje, não teria sido mais vantajoso manter Aboubakar ou até Gonçalo Paciência no plantel? Mas, mais uma vez refiro, Depoitre foi contratado, supostamente, pelas características que evidencia: forte fisicamente, capaz de segurar a bola e permitir a penetração dos médios, bom no jogo áereo e capaz de fazer frente naqueles jogos em que as equipas defendem com os onze jogadores de campo e, se pudessem, com os suplentes.

De quem será a culpa deste falhanço?

Foto de Capa: Laurent Depoitre

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Eterno apaixonado por futebol, tem no Porto a sua eterna paixão. A atualidade desportiva faz parte da sua génese, lendo desde muito novo os jornais desportivos cuja leitura o avô lhe incutia. Vê jogos de futebol com o seu pai desde os três meses de idade (de pequenino é que se torce o pepino). Joga futebol e futsal com os amigos sempre que pode. Tem também pelo ciclismo um apreço especial. Fora de Portugal é adepto incondicional do Tottenham Hotspur e do Real Madrid.                                                                                                                                                 O Telmo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.