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Na segunda mão dos dezasseis-avos da Liga Europa, depois do empate a dois no Dragão, o FC Porto deslocou-se à Alemanha, a Frankfurt, com o objectivo de inverter o ciclo negativo de resultados e dar a volta à eliminatória. Para tal, Paulo Fonseca apresentou apenas duas novidades no onze inicial: Maicon tomou o lugar de Abdoulaye (impedido de jogar na competição) e Carlos Eduardo voltou à titularidade substituindo Josué.

O jogo começou intenso, com o FC Porto mais proactivo e com Quaresma a aparecer a jogar em toda a largura da frente atacante. A equipa azul e branca procurava pressionar mais à frente, ainda que nem sempre de forma constante e organizada, e acabava por roubar com alguma facilidade a bola à equipa alemã, tentando sair a jogar rápido fruto de boas viragens do centro de jogo. Neste período evidenciou-se Jackson Martinez pela negativa: o colombiano dispôs de duas chances de ficar cara-a-cara com o keeper alemão mas duas recepções de bola deficientes após passes de Danilo impediram-no de ficar em posição de finalizar, tendo ainda definido mal um contra-ataque de três para três.

À passagem do meio da primeira parte, o jogo animou: primeiro Mangala, fruto de um livre cobrado por Quaresma, a cabecear ao lado (25’); depois, na resposta do Frankfurt, Johannes Flum a falhar (26’); e, finalmente, Herrera a aparecer junto à pequena área e a cabecear de forma muito defeituosa (28’). A partir desse momento, a equipa alemã mostrou-se mais afoita e chegou mesmo ao golo por intermédio de Aigner, perante um comportamento incompreensível da equipa portista em termos defensivos (37’). Até ao intervalo apenas nota para uma incursão de Danilo, concluída com um remate perigoso (42’) – perante o péssimo jogo de Jackson, sobrava a confirmação de que era necessária mais presença de elementos portistas junto à área alemã.

Terminados os primeiros quarenta e cinco minutos no Commerzbank Arena, tendo em conta o resultado da primeira mão, esperava-se um FC Porto mais impositivo e ‘mandão’. Ao invés, o jogo do Dragão apresentou-se pastoso, sem imaginação, sem criatividade, sem rasgo, sem verticalidade, em suma, sem Porto! Os três elementos do meio-campo nunca conseguiram dominar as operações ou impor-se e os passes errados e as falhas defensivas, próprias de uma equipa que está com os níveis de confiança nas lonas, acumularam-se.

Carlos Eduardo foi apenas um dos elementos do meio-campo que raramente agarrou o jogo  Fonte: Mais Futebol
Carlos Eduardo foi apenas um dos elementos do meio-campo que raramente agarrou o jogo
Fonte: Mais Futebol

Perante uma primeira parte intensa mas longe de ter sido jogada de forma esclarecida, não era adivinhável o que estava para chegar… Joselu deu o mote com um grande remate (46’), Jackson respondeu (mal) de imediato (47’ e 48’) e Quaresma tentou também a sua sorte de meia distância – o FC Porto procurava e corria atrás do prejuízo mas sempre sem a convicção desejada. Aos 52’, na sequência de um livre do lado esquerdo do ataque alemão, com os onze elementos do Dragão a defender dentro da sua grande área (uma situação que se repete a cada jogo e que se revela, para mim, incompreensível), Meier fez o 2-0. O FC Porto parecia definitivamente eliminado mas Paulo Fonseca fez por ser feliz e foi mais célere a reagir do que em outros momentos: de imediato lançou Ghilas, retirando Herrera.

A partir daqui, o jogo ficou partido e tornou-se de loucos! O FC Porto dispôs-se numa espécie de 4-4-2 que, não raras vezes, redundava num 4-2-4, com Fernando e Carlos Eduardo no meio e quatro homens só a olhar para a frente: Varela, Quaresma, Jackson e o recém-entrado argelino. Longe de jogar bem, com um futebol incaracterístico e pouco organizado, o FC Porto acabou por se tornar mais ameaçador, fruto de mais presença na área. Ainda assim, foi necessário os centrais mostrarem como se faz: na sequência de um canto cobrado por Quaresma, Mangala impôs-se e reduziu para 2-1 (58’); a seguir foi Maicon, do meio da rua, num pontapé cheio de intenção a quase fazer o 2-2 (62’); e, finalmente, de novo o internacional francês, a cruzamento de Fernando, a empatar o jogo e a eliminatória (71’).

Com o 2-2 no placard, um outro FC Porto saberia congelar o jogo e ir à procura, com discernimento e cautelas q.b., do golo que lhe desse o passaporte para a eliminatória seguinte. Paulo Fonseca não o percebeu, nem percebeu que a equipa estava partida e sem capacidade para segurar bola e controlar a partida (Carlos Eduardo, neste capitulo, esteve realmente mal). Resultado? O 3-2 para o Frankfurt em mais um cruzamento, agora desde a esquerda, com Meier, completamente sozinho, a empurrar para a baliza de Helton, apenas cinco minutos após o Dragão ter conseguido o que tanto almejava: voltar ao jogo e ganhar alguma vida.

Nabil Ghilas - o argelino foi o herói da noite  Fonte: Mais Futebol
Nabil Ghilas – o argelino foi o herói da noite
Fonte: Mais Futebol

O momento era delicado mas a equipa não desistiu: quiçá olhando para o símbolo que traz junto ao peito e sentindo a responsabilidade, sem razão mas com todo o coração, o Dragão reagiu. Fonseca trocou Varela por Licá (79’) e o ex-Estoril acabou por se revelar decisivo, já depois de outro ex-canarinho – Carlos Eduardo – ter falhado clamorosamente à boca da baliza, num cabeceamento defeituoso (84’). Sem futebol mas com crença, em mais uma bola lançada para a frente, Licá surgiu isolado e rematou para defesa de Trapp. Ghilas, encarnando Costinha, numa recarga semelhante à do ‘Ministro’ em Old Trafford vai para dez anos, empatou o jogo (3-3 aos 86’) e colocou o FC Porto a um passo dos oitavos-de-final da Liga Europa, passo esse confirmado já depois da entrada de Diego Reyes e de muito sofrimento à mistura.

Numa noite europeia que acaba por entrar para a galeria das vitórias épicas pela forma como foi obtida, a verdade é que este FC Porto voltou a estar muito longe do exigível. Perante um Frankfurt que é claramente limitado em termos técnicos e que tem evidentes lacunas no processo de transição defensiva (ainda que no Dragão tal facto tenha sido ainda mais notório), só um FC Porto verdadeiramente sofrível e sem qualidade no seu futebol, receoso e temeroso em cada acção, com uma falta de confiança assombrosa e com elementos claramente fora do jogo, é que sofreria tanto para eliminar este conjunto alemão. Desta noite, sobram, no entanto, duas boas evidências: a primeira relaciona-se com a imperiosa necessidade de dar mais minutos a Ghilas, ainda mais notório quando Jackson está no pior momento desde que chegou ao Dragão; a segunda prende-se com o facto de a equipa, honrando os milhares de adeptos que a acompanharam, mesmo com todas as suas incapacidades, nunca ter desistido – e isso também é ser Porto.

A figura: Eliaquim Mangala

A primeira preocupação de um defesa central será sempre defender bem. Neste capítulo, o francês voltou a cometer vários erros, desde passes disparatados até diversas más abordagens a lances. Porém, foi também ele que, com toda a sua fibra, soube aparecer à frente e mostrar como se faz: com dois golos, devolveu o FC Porto ao jogo e à eliminatória.

Fora-de-jogo: Jackson Martinez

O actual esquema de jogo da equipa não o favorece, joga longe dos companheiros, está quase sempre isolado e é mal servido – tudo isso é verdade. Mas, hoje, o colombiano foi mais um central do Frankfurt. Desde péssimas recepções de bola a passes falhados, de más definições de lances aparentemente fáceis até faltas escusadas, Jackson Martinez foi uma sombra de si próprio. A equipa precisava da sua veia goleadora mas Jackson, talvez confuso pelo discurso do seu treinador, não esteve em Frankfurt.

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