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Desde o fecho do mercado de Verão fiquei com duas sensações: que o plantel do FC Porto era muito grande e, ao mesmo tempo, muito curto. Grande em quantidade; curto em qualidade. Para além disso, é evidente a escassez de opções para o ataque – tanto para o centro como para as alas – e o excesso das mesmas para o meio-campo. Para piorar o cenário, Nuno Espírito Santo (NES) passou a pré-época toda a testar a equipa em 4-3-3, recorrendo por vezes à variante 4-2-3-1, mas, já com o campeonato em andamento, rende-se ao 4-4-2, acentuando assim o desequilíbrio do plantel.
Recorde-se que a presente temporada teve, talvez, o período de preparação mais longo da história do clube, tendo sido anunciado pelo próprio Pinto da Costa que as últimas seis jornadas de 2015/2016 serviriam como preparação para 2016/2017. No entanto, tanta antecedência de pouco valeu, uma vez que o plantel foi fechado em cima do joelho e com opções duvidosas, sendo a contratação de Depoitre a cereja no topo do bolo. Quem nunca ouviu um portista perguntar se Suk ou até mesmo Gonçalo Paciência não fariam melhor do que o belga?

Fonte: FC Porto
Certo foi que NES, dentro do contexto inicial de preparação do tal 4-3-3, optou por dispensar Bueno – que agora encaixaria como uma luva no lugar habitualmente ocupado por Jota -, Hernâni e Suk, três jogadores que, a meu ver, tinham tanto ou mais para oferecer à equipa quando comparados com Adrián, Varela e Depoitre.
Colocando um bocado de parte as arbitragens vergonhosas que em muito ajudaram os Dragões a cair em ambas as taças, não é descabido dizer que estas serviram para provar a teoria de que faltava banco a este FC Porto. Mais, não deixa de ser surpreendente que a sobre-utilização de vários elementos por falta de alternativas credíveis não tenha resultado na perda de mais pontos no campeonato e na Liga dos Campeões devido a alguma fadiga acumulada.
Foto de Capa: FC Porto
Entretanto chegou Janeiro e o treinador, em conjunto com Luís Gonçalves – que entrou já depois de fechado o mercado de Verão para substituir Antero Henrique -, começou a arrumar a casa. Varela, Adrián, Sérgio Oliveira e Evandro saíram; Kelvin e Soares entraram. O plantel está agora mais competitivo e equilibrado e, a meu ver, não deverá haver mais entradas. Quanto a saídas, apenas sairá Depoitre, isto tendo fé nos rumores que apontam a saída do belga para o campeonato japonês.
Casillas e José Sá dão garantias absolutas na baliza; Felipe e Marcano estão de pedra e cal no centro da defesa, não dando qualquer hipótese quer a Boly quer a Chidozie; Maxi, Alex Telles e Layún poderiam eventualmente receber mais um concorrente, mas com Ricardo Pereira e Rafa Soares cada vez mais perto do regresso não faria sentido investir agora; Danilo é dono e senhor da posição 6 (ter um jogador com a qualidade de Rúben Neves como mera reserva diz muito do momento de forma do ex-Marítimo); Corona, Otávio, João Carlos Teixeira e Brahimi receberam a concorrência de Kelvin para os dois lugares em aberto nas alas; Herrera e André André esperam uma oportunidade para agarrar um lugar que só muito excepcionalmente não será de Óliver; e, para finalizar, Soares chegou para render Depoitre num grupo de quatro avançados que será composto a partir de agora por ele próprio, Diogo Jota, Rui Pedro e André Silva.

Resumindo, quando consumada a saída de Depoitre, o grupo de trabalho do FC Porto contará com cinco saídas e apenas duas entradas mas sairá reforçado. O plantel ganha lógica, ganha alternativas mais válidas, passando quem estiver de fora a sentir que a oportunidade de se mostrar está mais próxima, não esquecendo que mesmo mais curto oferece de igual modo a possibilidade e a garantia de poder ser trabalhado para alinhar nos mais diversos modelos tácticos, algo muito importante para NES e que coloca a filosofia de jogo acima da estabilidade táctica.
Foto de Capa: FC Porto











