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O que é uma “época à Di Matteo”? É uma época aparentemente falhada que acaba com uma surpreendente conquista europeia, em conjunto com um troféu nacional com menor relevância. Neste tipo de épocas, o nível exibicional é habitualmente mau (com algumas melhorias a partir de Março), há uma troca técnica que consiste na saída de um treinador-promessa e na entrada de alguém que calha estar no clube por acaso (e assume o lugar para não arriscar novas contratações), e em que tudo começa mal, fica pior, e acaba absolutamente bem.

Não comparo Luís Castro com Di Matteo nem muito (muito) menos Paulo Fonseca com André Villas Boas. Aliás, também o Porto não é o Chelsea, a Liga Europa não é a Liga dos Campeões, e a Taça de Portugal não é a FA Cup. O que quero mostrar é que apenas da mesma forma que em 2011/2012 um Chelsea destinado ao fracasso salvou a época sem ninguém o prever, também o Porto de 2013/2014 tem todas as possibilidade de fazer esquecer um mísero 3.º lugar no Campeonato com as conquistas de uma Liga Europa e uma Taça de Portugal (a Taça da Liga vale zero e a sua conquista seria tão festejada como um jogo de pré-época).

Comentar o actual Porto é fácil: muito está perdido, mas ainda muito se pode perder. A ambição (quem diz ambição diz sonho) portista é efectivamente a conquista de uma Liga Europa e de pelo menos a Taça de Portugal, porque o campeonato, esse, nem com Kelvin’s, nem com minutos 92. Matematicamente já foi. Deitar a toalha ao chão não é para campeões, pelo menos enquanto ainda faltam três rounds para acaba. E se Di Matteo com um fraco Chelsea conseguiu ganhar a um todo-poderoso Barcelona e a um gigante Bayern de Munique, por que não poderá o Porto de Luís Castro ter a audácia de eliminar um agressivo Sevilha, um motivado Benfica ou uma talentosa Juventus?

São muitos os jogadores do plantel portista que podem ir ao Mundial  Fonte: Zero Zero
São muitos os jogadores do plantel portista que podem ir ao Mundial
Fonte: Zero Zero

 

Se me fosse perguntado quais os maiores pontos fortes da equipa portista, a resposta seria demasiado fácil: há um conjunto enorme de jogadores sedentos por uma chamada ao Mundial e a concretização de uma época de sucesso é, a nível individual, uma motivação que todos sentem. Diego Reyes, Mangala, Herrera, Defour, Quintero, Jackson Martinez, Ghilas, Fernando, Varela, Quaresma e Josué (este com menos hipóteses, dada a sua ausência nos últimos jogos) são, todos eles, nomes cujas conquistas colectivas poderão ter um sabor especial. Se aliado a este facto for tido em conta que a equipa tem subido os seus níveis de confiança e exibicionais nos últimos jogos, e que Luís Castro foi uma lufada de ar fresco nesta época, não é assim tão irreal sonhar alto.

Se há talento, motivação, coração e razão, por que não acreditar que ainda é possível ir festejar para a varanda da Câmara do Porto este ano? O Porto já mostrou ser capaz de fazer tudo, e os adeptos, esses, são seguramente os mais exigentes de Portugal. Será assim tanto pedir novamente um S. João antecipado?

Não sei se será melhor um pack de Liga Europa com Taça Portugal do que um Campeonato. De qualquer forma, a segunda opção já está bem entregue a um Benfica que acima de tudo conseguiu ter a postura de campeão que faltou ao Porto. Vai custar fazermos de cabeçudos no Dragão na última jornada, facto inegável, mas se a este suceder a uma conquista europeia e a de uma Taça de Portugal só é preciso fechar os olhos durante 90 minutos para não olhar para a classificação e jogar como se valesse um campeonato.

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