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Depois do jogo de ontem em Penafiel, que culminou com vitória por 2-0 a favor dos Dragões, fecham-se as cortinas da época desportiva azul-e-branca e já se começa a olhar para a que vem aí. Como sempre afirmei, Lopetegui teve um enorme desafio pela frente ao ter de montar uma equipa praticamente de raiz e sem o seu capitão Helton, única figura dos Dragões que se pode assemelhar a João Pinto, Jorge Costa, Deco ou Victor Baía.

Com um começo atribulado devido à excessiva rotação no meio campo Portista, Lopetegui fez um mea-culpa e começou a solidificar o seu tridente do sector intermédio e assim a criar um 11 base, constituído por: Fabiano (quanto a mim um dos elos mais fracos deste Porto); Danilo, Maicon, Marcano e Alex Sandro; Casemiro, Herrera e Óliver; Brahimi, Tello e Jackson. E foi este 11 que fez o Porto ser, de longe e durante largos meses, a melhor equipa a jogar futebol em Portugal. Mas o técnico espanhol voltou a claudicar quando não devia, como por exemplo, no jogo dos barreiros, onde “inventa” um Quintero a extremo ou na Luz quando se apresenta com uma equipa com 5 alterações em relação ao “normal”. Não falarei hoje das arbitragens, que foram a principal causa do Benfica campeão e do Porto não campeão, até porque já o fiz e hoje quero focar-me no meu clube e não nos claros factores externos que toda a época empurraram uns para cima e puxaram outros para baixo.

Como disse também anteriormente, acho Lopetegui o homem certo no lugar certo, e mantenho isso. Penso que cresceu e que a comunicação social também fez dele um “fantoche”, a lembrar o que a comunicação espanhola fazia com Mourinho. E claro, o timoneiro dos Dragões tinha de se defender, e a distorção do contexto de suas palavras fizeram-no parecer um “chorão”. Mas, continuando, penso que o Porto tinha obrigação de fazer muito mais do que fez, mas ainda assim dou uma segunda e derradeira chance ao meu treinador. Como sei que ter Mourinho, Villas-boas, Klopp ou Ancelotti no Porto não é sequer um possibilidade, apenas “trocava” o meu técnico por Jorge Jesus ou… Vítor Pereira. Sou um fã de Jorge Jesus assumido desde os tempos do Braga, e penso que tem feito maravilhas no reino da Luz e que com uma estrutura como a do Porto tinha condições de fazer bem mais e melhor. Já VP, o eterno “mal-amado” da atmosfera azul-e-branca, pegou no plantel com o balneário mais difícil de sempre do Porto e tornou-o bicampeão nacional – duas vezes de forma épica. Seria sempre um “seja muito bem-vindo, mister!”, da minha parte.

Lopetegui (na foto) é o treinador certo para o FC Porto. Fonte: Facebook Oficial FC Porto
Lopetegui (na foto) é o treinador certo para o FC Porto.
Fonte: Facebook Oficial FC Porto

Mas isto tudo são ilusões, por isso, o que fará Lopetegui na época que vem, sabendo que vai ter de “montar” nova equipa, agora que conhece a realidade do nosso futebol?

Helton: Tem de se manter como “número 1”, com Fabiano a ser emprestado, Ricardo a suplente e com o jovem Godiño a completar o lote de guardiões, sendo que o último jogaria pela equipa B;

Danilo: Com a já mais que certa saída para o Real Madrid, penso que é uma das prioridades da equipa azul-e-branca adquirir um lateral tão competente como Danilo; e desse ponto de vista, Marcos Rocha perfila-se como natural sucessor, embora um lateral com experiência na europa fosse mais a minha escolha…

Casemiro: Ainda é incerta a permanência do internacional brasileiro nas fileiras do Dragão. Depois de uma época fantástica, os adeptos do Real Madrid exigem a integração do jovem jogador no plantel madrileno já na próxima temporada. Dadas as boas relações entre as instituições e o excelente trabalho que o Porto fez com Danilo, não era de estranhar que o Real enviasse para o Dragão Lucas Silva ou Illarramendi, com o mesmo propósito de fazer o mesmo que fez com Casemiro. De todo o caso, eu preferia que fosse alcançada a permanência do médio defensivo.

Óliver: Aqui se prende uma das dúvidas “nucleares” deste futebol clube do Porto (a par de Jackson). O jovem espanhol demonstrou ser o próximo maestro da selecção espanhola e pegou cedo na batuta portista, mostrando uma maturidade não vista até então desde Lucho Gonzalez, em estilos diferentes, claro. Não passa de uma ilusão pensar que o espanhol irá permanecer no Norte do país, pois Simeone não anda a dormir e sabe que está ali um diamante com todas as condições de jogar num Atlético que sente, por vezes, falta deste “sangue fresco”. Com Quintero a continuar sem se afirmar e sem conseguir expor o seu futebol (que em nada é inferior ao de Óliver), quem poderá o Porto “repescar” para aquela posição de dinamização de jogo?

Brahimi/Tello: Duas dúvidas também no ar da próxima época: Brahimi, pois tem “tubarões” como Bayern ou Manchester atrás dele e Tello, pois, com a imposição da UEFA de impedir o Barcelona de inscrever jogadores durante dois anos, a solução de Luis Henrique pode ser a de repescar de jogadores emprestados, embora no caso do Espanhol, o Porto tenha salvaguardada uma opção de compra. Resta saber se o Espanhol aceita permanecer do Dragão…

Jackson: É praticamente uma certeza: vamos perder uma dos melhores avançados da Europa. E as baterias já se devem apontar para o seu sucesso: Aboubakar estará preparado para tamanha pressão? Demonstrou ser um jogador muito interessante e quando jogou, marcou e jogou bem, com grandes golos à mistura; mas é uma pressão enorme, e veremos se o avançado Camaronês está preparado. Quero e exijo ver Gonçalo Paciência integrado no plantel da época que vem e gostei da contratação Alberto Bueno ao Vallecano, jogador que me parece muito interessante.

Posto isto, e voltando ao título do meu texto, ou esta foi uma época de “lançamento” daquilo que será um Porto mais sólido no futuro (ou seja, próxima época) ou esta aposta na ruptura revelar-se-á um falhanço total! Mas eu acredito que o nosso ciclo ainda não terminou, apenas temos um Benfica mais competente e com um treinador que sabe um pouquinho mais que os outros em Portugal…

Vamos lá, somos Porto e a nossa chama não se apagará só porque em dois anos apenas ganhámos uma supertaça de Portugal… Quem dera a muitos em dois anos terem ganho isso a certo momento de um passado recente… Continuamos a ser os melhores do Século XXI em Portugal, quer se queira, quer não!

Foto de capa: Facebook Oficial FC Porto

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