Esta noite o FC Porto derrotou o Benfica no Dragão por 1-0, na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal. Os azuis e brancos dominaram a primeira parte e acabaram por chegar ao golo por intermédio do cafetero Jackson Martínez. No segundo tempo a partida foi mais equilibrada, mas nenhuma equipa conseguiu marcar. O FC Porto leva, assim, uma vantagem importante mas que deixa tudo em aberto para o jogo da Luz.

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Futebol Clube do Porto

Enganei-me. Enganei-me ao pensar que ia entrar um Porto com medo e um Benfica demolidor! Desde cedo se percebeu que o Porto entrou no Dragão para ganhar e para jogar futebol! Mas tudo poderia ter outro começo, caso a “invenção” de Diego Reyes, logo aos 33 segundos, culminasse com o tento do Benfica. Depois… Foi Porto! De salientar que Defour jogou sobre a meia direita do centro do terreno, e a surpresa táctica de Luís Castro, Herrera, sobre a meia esquerda. Mas não nos enganemos: o meio-campo portista foi extremamente móvel e voluntarioso (daí a inclusão de Herrera, jogador com grande capacidade de combate). O Porto tinha mais bola, apesar da tentativa de pressão benfiquista. Só foi preciso esperar três minutos para ver o primeiro sinal de perigo: grande iniciativa de Quaresma, que cruzou para a área, onde Artur “roubou” a bola a Varela, que se preparava para cabecear para o golo. Passados dois minutos, grande passe de Defour para Herrera, com Luisão a fazer grande corte para canto. Na sequência do canto de Quaresma, tirado com conta, peso e medida, enorme cabeceamento de Jackson – o Cha Cha Cha inaugurou o marcador, logo aos cinco minutos!

Por volta do minuto sete, Herrera cruzou de pé esquerdo para Varela, mas sai muito alto. Poderia e deveria ter feito melhor (era uma bolinha mesmo “à Quaresma”!…). Aos 11 minutos, Jackson “sentou” literalmente Luisão, com Maxi a vir fazer a “dobra”. Aos 15 minutos, quase outro golo no Dragão! Jogada fantástica de Jackson, a aguentar sucessivas cargas (faltosas) de Luisão e a deixar para Danilo, que cruzou e, in extremis, permitiu ao mesmo Luisão cortar e evitar o golo. Quinze minutos passados, e claramente mais Porto! Foi preciso decorrerem 21 minutos de jogo para ver perigo na área portista, com Reyes a “oferecer” o corpo à bola e a ceder canto.

Aos 23 minutos, mais um cruzamento perfeito de Quaresma, e Reyes por pouco não desviou a bola, que “morreu” nas mãos de Artur. O Porto continuava com o pé no acelerador e, numa grande jogada colectiva, Jackson tabelou com Herrera e por pouco não foi o segundo golo dos Dragões. Aos 26, Fabiano quase dá o golo ao Benfica, ao largar uma bola no ar mas, por sorte, ninguém estava por perto para fazer o golo. Estavam decorridos 30 minutos de jogo, e o Benfica tentava assumir o jogo, mas sem consequências. Mais Porto até ao momento. A superioridade dos azuis-e-brancos voltou a notar-se quando, aos 35 minutos, houve nova grande defesa de Artur: Fernando recuperou a bola, conduziu o contra-ataque e fez uma excelente assistência para Varela, que, na cara do guardião encarnado, permitiu uma grande intervenção. A terminar o primeiro tempo, remate sem nexo de Varela, com a bola a sair junto à… bandeirola de canto! Estava terminada a primeira parte, claramente com muito mais Porto.

O retorno aos balneários fez mal ao espetáculo, pois dos 45 aos 60 minutos o mais emocionante que se viu no Dragão foi uma (péssima) actuação teatral de Sílvio, que viu o respectivo cartão amarelo. Após esse lance, Benfica começou a apertar o cerco ao Porto e conseguiu dois cantos seguidos, mas sem perigos de maior para o guardião azul-e-branco. Com a subida no terreno do Benfica, Luís Castro fez entrar Ghilas para o lugar de Varela, aos 62 minutos. Aos 69 voltou o perigo na baliza encarnada: Mangala ganhou de cabeça, fez um grande passe para Alex Sandro sobre a esquerda, e este, com todo o tempo do mundo, lançou um passe totalmente disparatado para… ninguém (seria para Jackson). Num contra-ataque rapidíssimo, aos 72 minutos, do Porto, numa situação de 3 para 2, Ghilas definiu mal e permitiu o corte à defesa do Benfica! Um minuto depois, Herrera quase faz um golo de bandeja: remate em arco à entrada da área, com a bola a raspar o ângulo superior esquerdo de Artur. Depois da jogada, Carlos Eduardo entra para o lugar de Herrera. Estavam decorridos 75 minutos e, neste momento, mais Benfica! Aos 76 minutos, bola no poste de Jackson Martinez! Grande trabalho do colombiano, que merecia golo. Na recarga, Quaresma não conseguiu chegar à bola primeiro do que o defesa benfiquista. Aos 79, Fabiano salvou por duas vezes o Porto! Primeiro, na sequência de um “canto de laboratório”, o guardião fez uma brilhante defesa e, depois, num cruzamento, saiu em voo e com uma “sapatada” tirou o golo certo a Garay. Estávamos na presença de um “São Fabiano”. No meio destes dois lances, tempo ainda para Ghilas rematar frouxo à figura de Artur, quando tinha tudo para fazer melhor.

Decorria o minuto 85 quando Luís Castro promoveu a sua última alteração, trocando Defour pelo “miúdo maravilha” Quintero. Mais um lance inacreditável: Quintero, isolado e com Jackson ao lado, tentou deixar a bola no companheiro mas tropeçou no solo… Lance algo caricato, de pura infelicidade e até de distracção por parte do jovem colombiano. Minuto 94: final do jogo! Vitória justa dos Dragões, num jogo em que procuraram sempre estar por cima do adversário. Grande espectáculo no Dragão, com duas grandes equipas, uma excelente arbitragem e adeptos incansáveis.

Quaresma foi dos melhores em campo Fonte: Zerozero.pt
Quaresma foi dos melhores em campo
Fonte: Zerozero.pt

Fabiano (8): Apenas com uma falha num cruzamento, o guardião assinou uma exibição de gala com várias defesas de grande qualidade, só ao alcance dos melhores.

Danilo (7): Voltou aos grandes jogos, com uma exibição de grande consistência e sem os erros infantis que volta e meia o caracterizam.

Diego Reyes (7): O jovem mexicano fez a sua primeira grande exibição no Porto, anulando Cardozo e justificando em pleno a aposta de Luís Castro na sua utilização.

Alex Sandro (7): Este menino não sabe jogar mal! Defendeu e atacou na sua habitual bitola, ou seja, muito bem e sem comprometer.

Fernando (8): O “polvo” deu conta de todos os jogadores que na sua zona passaram e ainda lançou vários contra-ataques nas suas muitas recuperações.

Defour (7): Foi novamente o maior operário dos azuis-e-brancos, fez o “trabalho invisível” de que todas as equipas necessitam: fechava muito os espaços quando os alas subiam, caía na ala quando Quaresma ou Varela vinham para o meio. Mais um bom jogo do renascido Defour.

Herrera (6): Uma boa primeira parte do Mexicano, mas que caiu a pique a partir dos 75 minutos, muito por fruto do pouco ritmo de jogo que tem. O que fez, fez bem. Não inventou.

Varela (6): Continua um paradoxo daquilo que foi em anos anteriores… Começou bem (a espaços) e, na parte final do jogo (onde sempre se demonstrou decisivo), desapareceu totalmente até ser substituído.

Quaresma (8): Diziam, na Luz, aquando a sua estreia, que estava “gordo”, “velho” e “sem velocidade”. Ora aí está a resposta a todos: fez o que quis de quem lhe apareceu pela frente e só era travado em falta. Os defesas benfiquistas ficaram com os rins torcidos.

Jackson Martinez (7): Lutou muito, marcou o golo da vitória e ainda atirou uma bola ao ferro. Exibição sem brilhantismo, mas eficaz.

Ghilas (7): Faz da força a sua arma e usou-a bem! Ajudou muito a defender e a segurar a bola nos minutos finais. Poderia ter feito melhor num remate à figura de Artur.

Carlos Eduardo (5): Não conseguiu pegar no jogo e, por isso, não foi útil à equipa.

A Figura
Mangala (10)
: Sofreu uma lesão muscular no início do jogo, Abdoulaye esteve a aquecer mais de 45 minutos e chegou a pensar-se que entraria no início da segunda parte. Mangala quis jogar e demonstrou-se um verdadeiro capitão! GRANDE!

O Fora-de-Jogo
Quintero (4)
: Pouco tempo em campo e, ainda assim, desperdiçou de forma caricata o segundo tento dos Dragões.

 

José Maria Monteiro

Topo Sul

Sport Lisboa e Benfica

Há coisas que nunca mudam.

Em mais um grande clássico do futebol português, o F.C.Porto levou a melhor sobre o S.L.Benfica e parte em vantagem para o jogo da segunda mão das meias finais da Taça de Portugal. A equipa de Luís Castro mostrou-se mais determinada e confiante na partida e a vitória azul-e-branca pecou apenas pela escassez no resultado.

Num jogo em que Jorge Jesus aproveitou para rodar algumas unidades mais utilizadas durante a temporada, o Benfica entrou em campo com uma equipa  renovada. Regressado após lesão, Artur ocupou a baliza encarnada e Sulejmani, Salvio e Cardozo foram os homens mais avançados da equipa, deixando Lima, Gaitán e Markovic num banco de suplentes de luxo. Apesar de o adversário ser de reconhecida valia, o técnico do Benfica optou por manter-se fiel à sua linha de poupanças em jogos das taças e isso prejudicou a exibição do Benfica.

Os primeiros vinte minutos de jogo (para não dizer toda a primeira parte) foram claramente dominados pelo F.C. Porto que mostrou, mais uma vez, ser uma equipa bem preparada para este tipo de jogos. Pressionantes e destemidos, os dragões entraram no jogo a impor um ritmo diabólico e o Benfica não soube reagir a esse ímpeto ofensivo. Para além de não terem conseguido anular a acutilância dos dragões, os encarnados mostraram-se pouco esclarecidos nas saídas para o ataque e sucediam-se as perdas de bola dos homens mais avançados do Benfica. No outro lado estava um F.C. Porto extremamente motivado e a praticar o melhor futebol da época, produzindo jogadas colectivas de grande nível. Quaresma e Jackson – mas sobretudo os três homens do meio-campo portista -, iam criando perigo para a baliza de Artur através de combinações bem desenhadas e o golo azul-e-branco parecia iminente. Sem surpresas, depois do aviso de Ricardo Quaresma, num lance em que Artur desvia o cruzamento-remate do extremo, o colombiano Jackson Martinez colocou o Porto em vantagem numa cabeçada fantástica, ao seu estilo.

Na frente, os dragões não tiraram o pé do acelerador e o Benfica não activou o seu motor. O jogo manteve a mesma toada e só a equipa da casa praticava futebol no relvado do Dragão. Foi assim, com os dragões sempre a jogar no meio-campo encarnado e a aproveitar as costas da defesa do Benfica, que acabou a primeira parte. Por esta altura, os encarnados não tinham criado qualquer oportunidade de golo e foram raras as vezes em que a bola circulava pelos jogadores de um Benfica irreconhecível.

O segundo tempo foi mais morno e disputado a meio-campo. Esperava-se um Benfica mais crente na vitória e com maior dinamismo ofensivo, mas isso não se verificou. Os encarnados arrumaram-se tacticamente e subiram um pouco as linhas, mas essa mudança revelou-se ineficaz. Nos bancos, Jesus tardou em mexer na equipa, parecendo descredibilizar o maior clássico do futebol português e Luís Castro mostrou querer resolver a eliminatória no seu estádio e por pouco não foi totalmente feliz. Quintero e Ghilas entraram excelentemente no jogo e ajudaram os dragões a estender-se no campo e a assustar o Benfica. O jovem mágico colombiano teve mesmo o golo nos pés, mas deslumbrou-se à frente de Artur. Antes, o seu compatriota Jackson Martinez foi traído pelo poste que lhe negou o bis. Apesar do resultado favorável, era a formação azul-e-branca que se aproximava do segundo golo do jogo.

Do lado encarnado, os minutos passavam e a bola continuava a queimar nos pés dos homens do Benfica. É, de facto, irrisório que a equipa não tenha construído uma jogada digna de registo. A falta de ideias e de atitude de alguns jogadores são também factores incompreensíveis numa equipa que tem vindo a rubricar exibições de grande qualidade nos últimos meses. Não fosse o lance em que Rúben Amorim, perto do fim, quase empatava o jogo e o Benfica saía do Dragão sem ameaçar a baliza do eterno rival – a tal equipa que tem menos doze pontos do que as águias no campeonato.

Olhando para o que passou nas quatros linhas é justo dizer que a eliminatória poderia ter ficado decidida a favor do F.C.Porto. A forma mais séria e empenhada com que os dragões encararam este jogo poderia ter sido coroada com um resultado mais dilatado a seu favor. Por outro lado, este Benfica de Jesus mostrou que continua amedrontado e tímido sempre que pisa o relvado do Dragão, enquanto o F.C.Porto, independentemente da fase da época em que se esteja, faz sempre das tripas coração para levar a melhor sobre o clube encarnado. Há coisas que nunca mudam.

Benfica esteve sempre atrás do Porto na partida Fonte: Reuters
Benfica esteve sempre atrás do Porto na partida
Fonte: Reuters

Artur (7): Sem hipótese no golo que sofreu, o guardião brasileiro não acusou a pressão do clássico e esteve irrepreensível sempre que foi chamado a intervir. Negou o golo a Jackson com uma excelente defesa e não comprometeu com os pés. Dos melhores do Benfica.

Maxi (5): Nos primeiros minutos foi assombrado pela talento de Quaresma, mas depois reapareceu no jogo e foi ganhando confiança no ataque. Continua a cometer faltas desnecessárias e a deixar demasiado espaço nas suas costas. A raça e o crer também são importantes no futebol.

Garay (6): O argentino não consegue jogar mal, mas esta não foi, de todo, uma boa exibição do central encarnado. Batido nas alturas por Jackson no lance do golo do Porto, arriscou vários passes perigosos e não se mostrou tão seguro como o habitual.

Fejsa (6): Tal como toda a equipa, o sérvio entrou apático na partida. Porém, na segunda parte foi importante no melhor período do Benfica no jogo e as suas recuperações de bola poderiam ter sido melhor aproveitadas pelos companheiros.

Rúben Amorim (6): Foi dele a melhor oportunidade de golo dos encarnados em todo o jogo. Para além disso, andou um pouco perdido por entre o triângulo ofensivo do F.C.Porto e só na segunda parte, a espaços, conseguiu demonstrar a sua técnica apurada e cultura táctica.

Salvio (5): Este não é o Salvio que o mundo do futebol conhece. Preso e desligado do jogo, o argentino está longe do seu melhor momento de forma e não conseguiu imprimir a velocidade de que o flanco do Benfica precisava. Alex Sandro meteu-o no bolso.

Sulejmani (5): Na primeira parte era dos poucos que tentava sair para a frente com a bola controlada, mas foi sempre inconsequente.

Rodrigo (6): A par de Luisão, foi o melhor do Benfica na primeira parte. É um jogador que respira confiança e isso notou-se sempre que tinha a bola no pés. O problema é que a teve poucas vezes em seu poder e Jesus não o deixou ter mais influência no jogo, já que foi substituído a meio da segunda parte.

Lima (5): Entrou com vinte e cinco minutos de atraso. Com Cardozo perdido em campo, impunha-se a mobilidade e capacidade de pressão do avançado brasileiro.

Gaitán (6): Mostrou a magia e a classe habituais, mas não teve tempo para mais.

Markovic (6): Dez minutos com relativa intensidade. Também para ele, soube a pouco.

A(s) Figura(s)
Luisão e Sílvio (7): Foram os melhores do Benfica no jogo de hoje. O central provou, com vários cortes cruciais, que está num excelente momento de forma e a sua segurança evitou males maiores para os encarnados. Sílvio, por sua vez, voltou a mostrar que merece lugar no onze do Benfica seja em que lateral for. Seguro defensivamente, procurou sempre estender-se para o ataque e as suas cavalgadas permitiram à equipa subir no terreno. Quaresma, o craque do Porto, não o ultrapassou nenhuma vez.

O Fora-de-Jogo
Cardozo (4): Simplesmente não esteve no relvado do Dragão. O paraguaio perdeu praticamente todos os lances disputados e comprovou o seu péssimo momento de forma. Neste momento, com Tacuara em campo, o Benfica perde mais do que ganha. Muito mais.

 

João Pedro Oca

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