Danilo Pereira, atual capitão do FC Porto, chegou ao clube no verão de 2015, após ter-se evidenciado pelas cores do CS Marítimo, o que motivou mesmo uma disputa entre os azuis e brancos e o Sporting CP pelo passe do atleta. Desde logo, o internacional português conseguiu encontrar o seu espaço no meio campo dos portistas e tornar-se numa referência do emblema da invicta. Por sua vez, o seu profissionalismo e caráter sempre foram apreciados pela plateia do estádio do Dragão, que sempre o considerou um jogador de excelência e imprescindível, algo comprovado pela sucessiva utilização concedida pelos vários técnicos que já o orientam no clube.

No entanto, atualmente, enfrenta uma situação ou uma época atípica, já que se encontra lesionado e ao contrário do que se esperava a sua falta não tem sido notada. Inclusive, muitos já consideram que o FC Porto está melhor com Danilo fora do onze do que dentro da formação titular. De realçar, que este verão também foi quente, quer para o clube, quer para o jogador, já que a tensão vivida no Algarve foi de conhecimento público e há quem tenha acusado o futebolista de ter tentado forçar uma transferência para o AS Mónaco.

Desta forma, há um entendimento, cada vez mais forte, que há um FC Porto com Danilo e outro sem Danilo. Uma visão ou um facto que vem sendo cada vez mais apoiado pela opinião desportiva, que tem salientado que há uma versão mais apelativa dos dragões sem o internacional português em campo. Além disso, muitos recuam até ao ano em que a equipa orientada por Sérgio Conceição ganhou o campeonato, numa temporada em que o capitão do Porto teve muito tempo indisponível, para demonstrar a veracidade do seu argumento. Outro aspeto é que os azuis e brancos nas exibições mais satisfatórias da presente época foram sem a inclusão de Danilo no onze, como aconteceu na partida com o FC Famalicão, no Dragão, ou então no último desafio contra o SL Benfica, precisamente no mesmo local desportivo.

Sérgio Oliveira tem conseguido, mais uma vez, fazer esquecer a ausência de Danilo
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

É um facto que na verdade há dois FC Porto diferentes e que é inquestionável não associar Danilo a esse ponto, visto que com a sua titularidade vê-se uma formação em campo mais robusta, mais direta e com um miolo mais combativo procurando um estilo de jogo mais vertical e menos apoiado, embora haja uma equipa mais compacta e mais bem preparada para o confronto físico. No seguimento, é um elenco mais virado ou centrado para um jogo menos pausado e direcionado para as transições. Posteriormente, é uma forma de jogar menos atraente e que pode criar mais dificuldades ofensivas, já que a magia é trocada pelo físico e torna o jogo mais previsível e fácil de contrariar.

Anúncio Publicitário

Por outro lado, sem Danilo a equipa tem-se apresentado como uma formação mais criativa, mais móvel e com um futebol mais próximo de proporcionar bons momentos a quem paga o bilhete, ou seja, aos adeptos. Deste modo, também cria mais dificuldades para o seu opositor, já que torna o momento ofensivo do FC Porto mais rápido, com maior circulação de bola e uma maior imprevisibilidade no último passe, servindo da melhor maneira os executantes. Este ponto é justificado porque, muitas das vezes, Sérgio Conceição tem apostado num jogador mais técnico e criativo, o que possibilita aos azuis e brancos ter mais atletas, que consigam “pensar” no jogo da equipa e permitir um estilo mais apoiado em tabelinhas curtas e chegar à área contrária com um outro recorte técnico.

Aqui, não se pretende desvalorizar a qualidade de Danilo Pereira enquanto futebolista, visto que a mesma é inquestionável, porém fica difícil não associar a ausência do internacional português aos melhores momentos dos portistas na época desportiva, em termos exibicionais.

Foto de Capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Comentários