O jogo contra o Sporting CP foi extremamente importante para o FC Porto. Devolveu o título de campeão nacional aos Dragões e garantiu o pleno nos clássicos desta época. Mas marcou também a estreia a titular de uma futura (e se calhar já atual) estrela do clube. Fábio Vieira, de 20 anos, mostrou um pouco de tudo o que tem a dar à equipa, e fez, sem margem de dúvida, por merecer a confiança que o treinador depositou nele.

A presença de juventude em ambos lados foi um aspetos que mais sobressaiu do clássico no Dragão e o médio sub-21 português foi aquele que mais se destacou. Havendo algumas dúvidas relativamente às posições que iriam ocupar Fábio Vieira e Otávio, pois ambos podem jogar tanto na direita como atrás do avançado, Sérgio Conceição fez alinhar o jovem Fábio na posição em que tem tido os seus primeiros minutos na equipa principal, como o extremo que parte da direita mas que funciona muitas vezes como terceiro médio, neste caso quarto devido a estar apenas um avançado a jogar de início. Fábio já se havia destacado nos últimos jogos como um ótimo substituto, com dois golos marcados, mas neste jogo mostrou o porquê de ser um erro fazê-lo começar no banco.

 Não só foi o destaque entre os “miúdos” em campo, foi para mim o melhor jogador da partida. Apesar de ter saído relativamente cedo, depois de já ter sofrido duas entradas duras, espalhou uma magia que mais nenhum conseguiu igualar. Num jogo nem sempre muito bem jogado, o FC Porto tinha uma garantia de critério, qualidade e criatividade sempre que a bola tocava nos pés de Fábio Vieira. Não só tem uma técnica assinalável, possui também uma capacidade muito acima da média de perceber o espaço e atacá-lo quando não tem a bola, ou colocá-la lá quando a tem. Com o seu fantástico pé esquerdo a jogar a partir da direita conseguiu inúmeras vezes receber a bola entrelinhas e orientar perfeitamente para se posicionar de frente para o jogo e na melhor situação para criar perigo.

Podia perfeitamente ter acabado o jogo com duas assistências em passes para Luís Diaz e esteve ainda muito perto de apontar mais um fantástico golo, apenas negado pela barra. Mas não é por ter acabado o jogo sem estar diretamente envolvido em nenhum golo que deixa de ter feito uma exibição monstruosa. Mostrou que não é o facto de ser ainda muito jovem que o deve afastar do onze portista e que o argumento da experiência e da maturidade tem neste caso pouco valor.

Anúncio Publicitário

Vai ser certamente um jogador que ainda vai dar muito ao clube e seguramente vai dar muito que pensar ao treinador e aos dirigentes na formação do plantel para a próxima época. Na minha opinião, o jogador está perfeitamente pronto para assumir a titularidade, seja como médio direito ou ofensivo. Mas uma coisa é certa, pelo menos na minha cabeça, nos próximos dois jogos que servirão de consagração do campeão, Fábio Vieira tem que ser titular. E já agora, porque não juntar também o resto dos jovens da formação? Este já mostrou que só precisava era de oportunidade para brilhar, e se há uma altura perfeita para dar essas oportunidades aos outros jogadores formados no clube, é exatamente nestes jogos em que a equipa já é campeã.