Hoje trazemos à baila o momento de forma do FC Porto. São já 18 as vitórias consecutivas e a equipa acaba de igualar mais um recorde. Para se ter uma noção do que os comandados de Sérgio Conceição têm feito esta época, ainda nenhuma equipa por essa Europa fora conseguiu chegar sequer perto de idêntica sequência (O Arsenal parou nas 12).

Se tivermos em conta que pelo meio estão quatro jogos de Liga dos Campeões torna-se uma inevitabilidade reconhecer o enorme mérito dos jogadores e da equipa técnica. Mas será que os números revelam toda a verdade? Resposta, embora parecendo, não é óbvia.

Os números identificam várias verdades. O FC Porto tem sido a melhor equipa do futebol português e no computo das 16 jornadas merece, sem sombra para dúvidas, o 1º lugar que ocupa. Na Liga dos Campeões, o FC Porto foi, igualmente, dono e senhor. Foi a melhor equipa, venceu cinco jogos e empatou apenas um e o recorde de 16 pontos não mente: 1º lugar do grupo inteiramente merecido.

Mas e o que existe para além dos números? Mais números e um conjunto de exibições que merecem ser analisadas. O FC Porto, durante esta sequência vitoriosa, chegou, não raras vezes, empatado ao intervalo, teve que encetar cinco reviravoltas, obteve oito vitórias pela margem mínima e apenas por três ocasiões obteve vitórias por mais de dois golos de vantagem. Para além disto, são já oito os pontos resgatados nos últimos cinco minutos.

Isto diz muito sobre a equipa. Será mais importante relevar a equipa que nunca desiste, que nunca se rende e que luta até ao fim pelo seu objetivo? Ou faz mais sentido exultar a equipa que tem demorado a construir os resultados, que tem dado uma parte de avanço aos adversários, que acorda tarde nos jogos?

Em boa verdade importa perceber ambos os pontos de vista porque há um fundo de verdade em cada um deles. Mais uma vez os números não mentem. FC Porto nunca se rende e vai, jogo após jogo, conquistando os seus objetivos sem ceder pontos aos seus adversários. Os números simplesmente não contam toda a verdade.

Sérgio Conceição e os seus jogadores têm quebrado inúmeros recordes
Fonte: FC Porto

A qualidade de jogo da equipa é, a espaços, insuficiente. O espetáculo é substituído por uma enorme dose de pragmatismo e os resultados vão aparecendo. O facto de o FC Porto demorar a resolver os seus jogos exige um maior esforço físico de todos os jogadores e a fatura poderá ser paga mais à frente. Tudo verdades escondidas em números. Números esses que não mentem no essencial, o FC Porto é a melhor equipa portuguesa, mas que escondem muitas vezes algumas insuficiências e, por vezes, alguns méritos.

Os 18 jogos seguidos a vencer não foram passeio e só quem acompanhou cada um desses jogos sabe que o FC Porto fez por merecer, com qualidade, perseverança e o tal pragmatismo, cada resultado. As adversidades foram muitas e os adversários tinham, muitos deles qualidade. Na luta greco-romana do Bessa, no inferno de Istambul, na receção aos guerreiros do Minho ou no frio Russo (para citar alguns) o FC Porto pode ter abanado, mas nunca caiu.

Já aqui disse e mantenho que o FC Porto pode jogar melhor e jogos como o dos Açores, o das Aves ou, até, o jogo de ontem, frente ao Nacional confirmam essa tese. O jogo da equipa é por vezes lento e apático e depende excessivamente dos piques e da pujança física de Marega ou de momentos de inspiração de Brahimi e Corona.

No entanto, não é menos verdade que Sérgio Conceição tem orquestrado, desde que chegou, um verdadeiro milagre. Tem sabido retirar o melhor de cada jogador, tem sido o líder que o clube precisava e tem sabido galvanizar os adeptos e toda a Nação Portista, como poucos o fizeram antes dele. Mas mais importante do que tudo isso, tem conseguido alcançar os resultados que durante vários anos os seus antecessores foram deixando escapar.

O FC Porto vai falando a verdade (é o melhor clube português) e, por vezes, fá-lo mentindo (vários resultados foram arrancados a ferros e serviram para esconder algumas insuficiências exibicionais). No final fazem-se as contas.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.                                                                                                                                                 O Bernardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.