O FC Porto fará hoje o primeiro de quatro jogos que terá que fazer para garantir um lugar na fase de grupos da Liga dos Campeões. Para assegurar que não é relegado para a Liga Europa ao cabo de dois jogos, importará arrancar um bom resultado em solo russo. O FC Krasnodar, fundado em 2008, é portanto, o primeiro adversário da equipa portista neste pantanoso caminho até à mais importante prova de clubes a nível europeu.

Esta equipa russa é, para a grande maioria dos portugueses, desconhecida. Ora, esse desconhecimento pode levar, muitas vezes, a excessos de confiança e a facilitismos que, no caso, não têm razão de ser. O FC Krasnodar tem feito um trajeto ascendente no futebol russo e, pouco mais de dez anos após a sua fundação, procura a primeira presença na Liga dos Campeões. E essa presença só não está assegurada devido aos critérios de desempate do campeonato russo, uma vez que terminado o último campeonato russo, este clube situado a sul do país estava em terceiro lugar em igualdade pontual com o segundo (com acesso direto à Liga dos Campeões), o Lokomotiv de Moscovo, adversário do FC Porto na última edição da prova.

É uma equipa que, apesar de desconhecida, pode ser muito perigosa. Tem como ponto mais débil o setor defensivo e como ponto mais forte o meio-campo ofensivo, setor para o qual se reforçou, e bem, neste mercado de verão.

APOSTA JÁ NO DESFECHO DO JOGO DOS DRAGÕES NA RÚSSIA!

Começando de trás para a frente, a baliza é normalmente entregue a Safonov, um guarda-redes de 19 anos que apresenta uma invulgar maturidade para um jogador da sua idade, para além de bons atributos técnicos e físicos. À sua frente devem alinhar Petrov (prima pela regularidade) pela direita, Martynovich (grande estampa física, mas algo duro de rins) e Spajic (mais ágil do que o parceiro) no centro da defesa e Cristian Ramirez (melhor a atacar do que a defender) como lateral esquerdo. Eu diria que, apesar da regularidade dos jogadores que o compõe, é um setor com debilidades de sobra para serem aproveitadas pela velocidade e técnica dos avançados portistas.

Tonny Vilhena reforçou a equipa neste verão e é um dos nomes sonantes do clube russo
Fonte: FC Krasnodar

Na linha intermediária a música é outra. Chegaram esta época Vilhena, jogador de seleção holandesa vindo do Feyenoord, e Rémy Cabella, francês que chegou do AS Saint-Étienne. São dois jogadores de técnica apuradíssima e que conferem à equipa do FC Krasnodar maior e melhor capacidade de circulação bem como rasgo no momento do um para um. A fechar o trio de meio campo aparecerá Kombolov, um médio já bastante rodado e experimentado. A esta equação poderá ser adicionado Olsson, médio sueco de qualidade, que assumirá o lugar de Cabella caso o treinador russo opte por subir o francês no terreno. Provavelmente o setor mais forte do conjunto russo, muito alavancado pela qualidade técnica dos recentes reforços.

No que concerne ao ataque, Ari deverá ser o ponta-de-lança. Este brasileiro naturalizado russo já não tem a velocidade de outros tempos, mas continua a ser um tormento para qualquer defesa. No banco estará o conhecido Marcus Berg para qualquer eventualidade. Nas alas alinham, normalmente, Wanderson, extremo veloz e repentista, também ele um brasileiro naturalizado, mas pela Bélgica, e Younes Namil, dinamarquês com velocidade e capacidade de desequilíbrio. É certo que não é um setor composto por jogadores da elite europeia, mas tem qualidade de sobra para colocar em sentido a defesa portista se esta não estiver ao seu melhor nível.

Portanto, o FC Porto terá que se apresentar na sua melhor versão para vencer o jogo e trazer para a cidade invicta um resultado que lhe permita confirmar a passagem à fase seguinte, no Estádio do Dragão. Sérgio Conceição deve alertar a equipa contra os facilitismos que poderão surgir por via do desconhecimento que existe em relação a esta equipa do FC Krasnodar. Trata-se uma equipa com pouca experiência de futebol europeu, mas com muita qualidade. Analisando todos os setores, no meio está a maior virtude do adversário.

Foto de capa: UEFA

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