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Quem apostasse num resultado que não a vitória do FC Porto esta noite, no dérbi frente ao Boavista, era considerado quase louco ou então muito crente num milagre axadrezado no relvado do Dragão. Bom, o que é facto é que o milagre aconteceu, e o Boavista conseguiu um precioso ponto no recinto portista, provocando a segunda perda de pontos consecutiva à equipa de Lopetegui no campeonato.

Num jogo que começou com 45 minutos de atraso devido ao dilúvio que se abateu sobre a cidade do Porto, Lopetegui continuou a sua gestão e alterou seis peças relativamente ao onze que havia goleado, na última quarta feira, o BATE Borisov: saíram Fabiano, Alex Sandro, Martins Indi, Casemiro, Ádrian e Ricardo Quaresma para as entradas de A. Fernández, Marcano, J. Ángel, R. Neves, Evandro e Tello. Do outro lado estava um Boavista sem ponta-de-lança fixo e com um sistema de três centrais e dois médios defensivos, o que fazia antever uma equipa de tração atrás no dérbi. Num jogo de sentido único, Brahimi e Tello procuravam ser os dinamizadores do ataque portista, mas o que é facto é que a equipa boavisteira raramente deu espaços para Herrera e Evandro construírem jogo ofensivo.

Por isso, e apesar do primeiro ameaço à baliza de Mika por parte de Tello, o Boavista continuava fechado na sua “casa tática”. Como é hábito neste tipo de jogos, parecia adivinhar-se que, mais tarde ou mais cedo, a muralha preta e branca iria desabar, mas tudo se alterou quando, a meio do primeiro tempo, o defesa central Maicon decidiu borrar completamente a pintura. Numa entrada completamente desnecessária e violenta sobre Correia, o defesa viu o cartão vermelho, levando ao desespero uma equipa portista que, a partir daquele momento, sabia que a tarefa de derrubar o Boavista iria ser muito mais complicada.

A expulsão de Maicon marcou inevitavelmente a partida  Fonte: zerozero.pt
A expulsão de Maicon marcou inevitavelmente a partida
Fonte: zerozero.pt

Com mais um homem em campo, Petit retirou o central Carlos Santos para colocar o extremo Brito, mas nem por isso os axadrezados criaram perigo à baliza portista. Aliás, durante toda a partida, destaque apenas para uma oportunidade aos 44 minutos por Correia. Do lado portista, Jackson e Rúben Neves foram protagonistas de oportunidades desperdiçadas, numa primeira parte em que os azuis e brancos tiveram quase 80% de posse de bola.

Na segunda parte, nada de novo: Boavista completamente remetido à sua defesa e um FC Porto inconsequente na hora de finalizar. Com Tello completamente apagado e Brahimi desinspirado, a retirada de Evandro para a entrada de Casemiro deu mais equilíbrio aos portistas. Ainda assim, contínuos lances de perigo junto da baliza de Mika durante o segundo tempo não foram suficientes para o FC Porto vencer o dérbi portuense. Do lado do Boavista, este foi um empate que soube a vitória e que premeia a solidariedade dos comandados de Petit. Quanto aos portistas, já vai em dois pontos de desvantagem para o Benfica, e na próxima jornada vem o jogo em Alvalade. O futuro não é risonho, e hoje tudo se complicou ainda mais devido a um homem: Maicon. Agradeçam-lhe o empate.

A Figura

Mika – O guarda redes internacional sub-21 português fez uma excelente exibição no Dragão e acabou por segurar a igualdade durante os 90 minutos.

O Fora-de-Jogo

Maicon – A expulsão tem tanto de desnecessária como de ridícula. Os adeptos bem podem agradecer ao central brasileiro a perda de dois pontos esta noite.

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