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Hoje era dia de estreia na Taça da Liga. A Taça da Liga nunca foi querida das pessoas afetas ao FC Porto, talvez pelo facto de nunca ter sido conquistada. O que é facto, é que é a 4ª competição do nosso futebol. Numa situação normal, seria, na ótica do adepto, um jogo para cumprir calendário e sem grande relevância na avaliação do momento da equipa. No entanto, e dado o contexto (1 vitória e 5 empates nos últimos 6 jogos e apenas 2 golos marcados), este jogo passava a ser de primeiríssima importância e exigia-se, no mínimo, dedicação e compromisso de todos os jogadores. A equipa, o seu treinador e os seus dirigentes tinham a obrigação de o saber. Era dia de a equipa puxar pelo público e não de o público puxar pela equipa (não me interpretem mal, os adeptos devem sempre apoiar a equipa durante os 90 minutos de jogo).

Era, portanto, num contexto profundamente adverso que o Porto entrava hoje no Estádio do Dragão para defrontar o Belenenses (equipa que havia empatado o FC Porto no Restelo no passado sábado). Perante isto, Nuno lançou um 11 com várias e esperadas mudanças, mantendo apenas a dupla (e que dupla!) de centrais. Assim, os 11 que entraram em campo foram: José Sá na baliza. Quarteto defensivo composto por Varela, Felipe, Marcano e Inácio (jovem brasileiro da equipa B). No meio campo a aposta recaíu num duplo pivot formado por Rúben Neves e André André, na direita Herrera, na esquerda Brahimi (quem é vivo sempre aparece) e Evandro no apoio ao ponta de lança Depoitre. Já a equipa do Belenenses também se apresentou na casa portista com algumas mudanças no 11 inicial que havia defrontado o Porto para o Campeonato. 11 do Belenenses: Ventura; João Diogo, Domingos Duarte, Gonçalo Silva, Mica Pinto, Yebda, João Palhinha, Luís Silva, Benny Dias, Andric e Miguel Rosa.

Dava-se, então início à partida. Surpreendentemente o FC Porto inicia o jogo sem sinais de qualquer vicio ou dependência do jogo direto e apostava mais na circulação de bola. Princípio e intenção correta, execução e prática errada. Processo de jogo lento e previsível que apenas beneficiou o excelente posicionamento defensivo da equipa lisboeta. Foi assim do princípio ao fim do jogo. Mas vamos ao filme do jogo. Jogo sonolento nos primeiros 10 minutos com o Porto a jogar e o Belenenses a assistir numa espécie de canção de embalar para os quase 15 mil adeptos presentes hoje no Dragão. Aos 12 minutos o primeiro despertador para os adeptos com Evandro a cobrar um canto que, não fosse uma bela intervenção de Ventura, e teria sido materializado em golo pela cabeça de Depoitre. Desligado o despertador e os adeptos voltaram a dormir embalados por um jogo pausado em ritmo de treino. Aos 29 minutos, o despertador voltou a tocar. Mais uma vez de bola parada. Livre sobre a meia esquerda cobrado por Brahimi e Felipe faz o golo prontamente anulado pelo árbitro assistente.

Muitas dúvidas neste lance. Até novo toque no maldito despertador terá sido com um olho aberto e outro fechado que os adeptos assistiram a novo cabeceamento de Depoitre desta feita ao lado da baliza de Ventura. Aos 42 minutos, entrada dura de Benny sobre Rúben Neves e o árbitro Nuno Almeida a expulsar o jovem do Belenenses. Até ao intervalo apenas há a registar um cabeceamento de Herrera por cima da baliza dos comandados de Quim Machado. Esperava-se que, em superioridade numérica, o FC Porto partisse para cima e que imprimisse velocidade em doses suficientes para encerrar a seca de golos. Pura ilusão. Foram 10 minutos iniciais com uma aparente mudança de atitude culminados com um belo remate em arco do argelino Brahimi para defesa do guarda-redes do Belenenses.

Depois mais do mesmo. Processo lento, muito lento, e o Belenenses de cadeirinha, encostado nos últimos 30 metros sem sofrer grandes calafrios. De repente, os adeptos estavam outra vez num sono profundo, hipnotizados por um futebol sem ideias da sua equipa. Até final apenas acordaram para saudar as estreias de João Carlos Teixeira (finalmente) e Rui Pedro (jovem avançado da formação azul e branca). E foi dos pés do mesmo Rui Pedro que surgiu a derradeira oportunidade do Porto para desfazer o fatídico 0-0. Ao minuto 90, o jovem trabalha bem sobre dois defesas contrários e dispara ao poste da baliza Belenense. Minutos depois ouvia-se o último apito do árbitro como um pai que acorda um filho que adormecera na sala de estar para que este prossiga o seu sonho na sua cama.

Ao longo do filme do jogo recorri a uma metáfora que pode induzir os leitores em erro. O Dragão não esteve, de todo, adormecido. Os adeptos acederam ao repto de Nuno Espírito Santo e apoiaram a equipa de princípio a fim de jogo e após o apito final mostraram o seu desagrado com a equipa. É assim que deve ser.

Agora a equipa. Algo tem que mudar. Hoje a equipa não foi merecedora do apoio das bancadas, nem a garra e o compromisso estiveram presentes e, dado o contexto, parece-me algo muito preocupante. O FC Porto jogou devagar devagarinho e voltou a falhar. A falhar o golo, a falhar aos seus adeptos e mais algumas promessas ficaram por cumprir. Parece que o 0-0 veio para ficar.

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Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.                                                                                                                                                 O Bernardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.