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A pior goleada sofrida em casa pelo FC Porto nas competições europeias ilustra bem a diferença de orçamentos de que Sérgio Conceição não quis falar na véspera. Uma frente de ataque de altíssimo nível dos reds foi fatal para uns dragões demasiado macios. A eliminatória está decidida e a viagem a Inglaterra não servirá para mais do que prestígio e cumprimento de calendário. Sadio Mané, o melhor em campo, apontou um hattrick.

De todos os cenários possíveis e imaginários, verificou-se aquele que os portistas mais temiam. O FC Porto foi humilhado em casa diante de um Liverpool FC que não foi obrigado a mostrar as suas limitações defensivas, aproveitando antes para percorrer as constantes autoestradas que os azuis e brancos lhes foram abrindo. Quando assim é, basta que três setas como Mané, Salah e Firmino estejam inspirados para que o adversário saia vergado a um resultado historicamente negativo.

Sérgio Conceição optou pela fórmula de Chaves, retirando apenas Corona por troca com Brahimi. E por falar no argelino, que sombra do que se lhe conhece. Mas já lá vamos. O Porto apresentava-se num 4-2-3-1 com Otávio à frente de Herrera e Sérgio Oliveira e nas costas de Soares, com Brahimi e Marega responsáveis pelos desequilíbrios nas alas. A entrada dos dragões não faria prever o desfecho trágico, já que até pertenceu a Otávio a primeira grande oportunidade, aos 10’, quando viu Lovren desviar o que parecia ser um remate vitorioso.

Noite para esquecer dos azuis e brancos Fonte: FC Porto
Noite para esquecer dos azuis e brancos
Fonte: FC Porto

A partir daqui o domínio inglês intensificou-se e, face a tamanha leveza com que os azuis e brancos abordaram os lances, foi sem dificuldade que a magia do tridente da frente dos ingleses fez mossa. Isso e uma boa dose de erros clamorosos, desde logo as inúmeras más reposições de José Sá, que numa delas viu Wijnaldum percorrer largos metros ladeado por seis portistas sem que ninguém lhe fizesse frente, até ao momento em que a bola sobra para Mané rematar, sem muita força, para o primeiro da noite. Estávamos a meio da primeira parte e o objetivo de não sofrer golos perdia força num lance em que o guardião português fica muito mal na fotografia. Daí até ao segundo foram cinco minutos de distância. Desta feita, coube a Salah agradecer a postura estática com que a defesa portista via o carrossel ofensivo inglês girar. Fica, contudo, a ideia de que Marega foi travado em falta no início do lance.

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A sorte do jogo poderia dar uma reviravolta se Soares, em cima do intervalo, tivesse dado o melhor seguimento a uma boa abertura de Brahimi (que jogando pela zona central parecia outro), falhando o golo por centímetros.

Para a segunda parte Sérgio Conceição optou por lançar Corona em detrimento de Otávio, fazendo a equipa regressar ao habitual 4-4-2 tornando-a, à partida, mais ofensiva mas, ao mesmo tempo, mais permeável com a saída de uma peça do meio campo, zona na qual o Liverpool FC impôs o ritmo que bem lhe apeteceu e, sem surpresas, continuou o seu festival ofensivo, elevando o score para 0-5. Foi, sem dúvida, uma noite em que tudo correu mal à equipa azul e branca e em que se exigia mais poderio físico para aguentar os duelos com os ingleses. Por aí também se explica e derrota expressiva, sem esquecer a incapacidade de ganhar as segundas bolas perto da área dos reds o que, para uma equipa que usa e abusa da profundidade, não abona a seu favor.