eternamocidade

Não raras vezes escrevi no Bola na Rede que um campeonato nacional passa por muitos momentos, aos quais uma equipa como o FC Porto tem que se adaptar. Por vezes – sobretudo em jogos com um grau de exigência maior – o fato de gala é chamado ao relvado; noutras ocasiões – como no encontro desta noite – o fato macaco é o que melhor serve as exigências. Esta noite, e ao contrário do que aconteceu em alguns jogos deste campeonato (Boavista, Estoril ou Marítimo), o FC Porto soube vestir o fato macaco. Futebolisticamente falando, a equipa de Lopetegui conseguiu superar mais uma etapa no seu crescimento tático.

Mas vamos por partes: pressionado pela vitória do Benfica frente ao Sp. Braga na véspera, os azuis e brancos subiam ao relvado do Dragão com a necessidade de somar os três pontos. Do lado arouquense, a exigência era semelhante: depois dos triunfos de Académica e Vitória de Setúbal e dos deslizes de Penafiel, Gil Vicente e Boavista, a equipa comandada por Pedro Emanuel entrava no anfiteatro portista num perigoso 16.º e penúltimo lugar da tabela. Foi talvez por essa necessidade impreteriosa de somar uma vitória que FC Porto e Arouca entrarem de “peito feito” no jogo desta noite. Num jogo entre equipas com um nível tão distinto, esta disposição arouquense acabou por se revelar uma autêntica surpresa. Apesar de considerar que este Arouca é uma das equipas que melhor futebol pratica no campeonato e que, simultaneamente, dá quase sempre mais aos jogos do que aquilo que recebe, confesso que não estava à espera de um bloco tão subido por parte dos pupilos de Pedro Emanuel.

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Também por isso surgiu o lance que acabaria por marcar todo o encontro. Aos 11 minutos, Fabiano Freitas fez uma falta sobre Rui Sampaio à entrada da área – quando este ia em situação iminente de perigo – que acabou por ser punida pelo árbitro Jorge Tavares com o cartão vermelho direto. Decisão justa do juiz da partida e o FC Porto a jogar com dez elementos com cerca de 80 minutos para jogar. Acredito que para a maioria dos cerca de 35 mil que estavam no Dragão esta noite, a expulsão de Fabiano fez pairar o fantasma da expulsão de Maicon no jogo da primeira volta contra o Boavista. Nesse encontro, a punição ao central portista foi castigo suficiente para que a armada portista não conseguisse chegar à vitória e tivesse desperdiçado dois pontos que por esta altura tanta falta lhe fazem.

O jogo de hoje marcou o regresso de Óliver à competição  Fonte: fcporto.pt
O jogo de hoje marcou o regresso de Óliver à competição
Fonte: fcporto.pt

Ainda assim, mesmo com dez elementos, a equipa azul e branca não entrou em “pânico tático”. Aliás, Lopetegui surpreendeu tudo e todos ao retirar Ricardo Pereira do onze, lançando o guarda-redes Helton. Invertendo a tendência normal nestas situações – que passa pela retirada de um avançado – o técnico espanhol decidiu não recuar demasiado o bloco. É caso para dizer que a ambição do treinador acabou por passar para os jogadores. E isto porque até ao intervalo, basicamente só deu FC Porto na partida. Mesmo jogando com menos um, a equipa portista decidiu partir para cima do adversário, criando constantes lances de perigo junta da baliza de Goicochea. Num desses lances, aos 26’, Ivan Balliu decidiu pontapear a cabeça de Quaresma dentro da área visitante, sem que uma evidente grande penalidade fosse assinalada pelo árbitro aveirense. Ainda assim, seis minutos depois, o FC Porto chegou à justa vantagem: Quaresma tirou Balliu do caminho e fez um cruzamento perfeito para a cabeça de Aboubakar, que não teve dificuldades em abrir o marcador. Ao intervalo, a vantagem justificava-se, pois, apesar da vantagem numérica, o Arouca nunca conseguiu nos primeiros 45 minutos assustar demasiado a defensiva portista.

No segundo tempo, tudo mudou: Lopetegui decidiu colocar Herrera do lado direito da defesa, recolocando Indi a jogar junto a Marcano no centro da defesa. Com estas alterações, Casemiro e Óliver tornaram-se os únicos médios portistas. Por isso, não foi de estranhar que o aumento da pressão do Arouca tenha acabado por criar problemas evidentes ao FC Porto. Com a intensidade do trio composto por Nuno Coelho, David Simão e Rui Sampaio, a equipa portista foi cada vez mais deixando o Arouca à vontade na partida e sempre com o fantasma do empate a pairar. Apesar de a equipa de Pedro Emanuel só ter criado uma oportunidade digna de registo (num lance precedido de fora de jogo), a excelente atitude da equipa visitante foi claramente o sinal mais interessante de uma segunda parte em que o ritmo não foi muito intenso.

Quaresma fez a assistência para o golo de Aboubakar  Fonte: fcporto.pt
Quaresma fez a assistência para o golo de Aboubakar
Fonte: fcporto.pt

Até ao final da partida, e mesmo entre alguns sobressaltos, o FC Porto foi conseguindo, sobretudo depois das entradas de Rúben Neves e Tello, ter mais vezes a bola e, por conseguinte, ter mais controlo sobre o jogo. Contas feitas, a vitória desta noite permitiu manter a desvantagem pontual para o Benfica em apenas 4 pontos. Esta foi a sétima vitória seguida no campeonato e o sétimo jogo sem sofrer golos. Com dificuldade e nervosismo à mistura, assim vai o passo do dragão rumo ao objetivo que ainda persegue. Hoje, a sétima foi mais difícil de meter. Mas tal como disse no início, às vezes jogos destes também são precisos.

 

A Figura

Brahimi – O avançado argelino conseguiu dar ao FC Porto em muitas ocasiões aquilo que a equipa precisava: controlo sobre a bola, inteligência e sobretudo dinamismo. Depois de um excelente jogo frente ao Basileia, mais uma boa exibição esta noite.

 

O Fora-de-Jogo

Jorge Tavares – Este campeonato tem sido marcado por inúmeros lances que marcaram a classificação desta Liga. A exibição do árbitro aveirense esta noite foi simplesmente medíocre: a expulsão de Fabiano é justa, mas a grande penalidade de Balliu sobre Quaresma é evidente. Felizmente, acabou por não ter influência no resultado.

 

Foto de Capa: fcporto.pt