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No futebol como na vida, nem sempre a sorte protege os audazes. Felizmente para o FC Porto, nesta noite, no clássico, isso não aconteceu. Mas vamos por partes: FC Porto e Benfica entravam no Estádio do Dragão em alta depois de bons resultados na Liga dos Campeões. O ponto que os separava era praticamente insuficiente para se criar qualquer tipo de favoritismo prévio. No lado portista, Lopetegui fez 3 alterações relativamente ao onze que havia começado o encontro em Kiev: retirou Bruno Martins Indi, Herrera e Danilo Pereira para colocar Marcano, Imbula e Corona. Rui Vitória acabou por, tal como se esperava, dar mais consistência ao miolo: retirou Talisca da posição 8 e colocou André Almeida para a luta tática que aconteceria no meio campo.

Este é, porventura, um dos clássicos que se revelou mais um “jogo de espelhos”. Com duas partes tão distintas, é difícil encontrar um ponto de equilíbrio nas exibições dos dois conjuntos. O primeiro tempo foi quase todo encarnado: com uma postura intensa, dinâmica e dominadora, o Benfica dos primeiros quarenta e cinco minutos foi uma excelente surpresa. Com Nélson Semedo e Eliseu a secarem por completo Brahimi e Corona, o FC Porto foi um completo deserto de ideias durante o primeiro tempo. A falta de ligação entre os setores foi uma evidência e a tomada de decisões foi quase sempre errada. Rúben Neves e André André eram os únicos elementos esclarecidos num FC Porto que entrou apático, insuficiente e sem capacidade de se sobrepor ao adversário. Um adversário que, apesar de só ter criado em perigo em dois cantos – para duas belas defesas de Casillas a cabeceamentos de Mitroglou – foi sempre mais afoito e pragmático durante esse período. Sem deslumbrar, o Benfica ia tendo bola e sobretudo ia controlando os espaços perante um FC Porto completamente desligado, sem garra, intensidade e atitude nos duelos.

Porém, o panorama mudou completamente na segunda parte. Neste verdadeiro “jogo de espelhos”, parece que os balneários provocaram uma verdadeira metamorfose na equipa portista. Quem olhara para a primeira parte e a comparava com a segunda, ficava com a sensação de que os jogadores e a equipa não eram os mesmos. Tal como deveria ter acontecido desde o início, até por jogar em casa; o segundo tempo trouxe um FC Porto muito mais pressionante e agressivo taticamente. Neste aspeto, a subida de rendimento do meio campo foi aspeto fundamental para a crescente exibição da equipa. Imbula subiu no terreno e, com André André mais perto de Aboubakar, os portistas foram criando mais perigo e aproximando-se mais vezes da baliza de Júlio César. Durante este período, e tal como acontecera com o Benfica na primeira parte, também o FC Porto teve dois lances para fazer o golo e com os mesmos protagonistas: no primeiro, André cruzou de forma perfeita para Aboubakar cabecear ao poste; no segundo, o ex-médio do Vitória Guimarães fez um passe teleguiado para Aboubakar permitir a defesa da noite ao guarda redes brasileiro.

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Rui Vitória esteve mal nas substituições
Fonte: Facebook SL Benfica

No duelo dos bancos, Lopetegui ganhou aos pontos a Rui Vitória: com as entradas de Danilo e Varela para os lugares de Rúben Neves e Corona, o FC Porto ganhou maior sobriedade nas transições e mais consistência no momento defensivo. Imagem diferente viu-se do lado encarnado, com Rui Vitória a retirar Jonas do terreno para colocar Talisca. O Benfica ficou menos perigoso, recuou ainda mais as suas linhas e foi cada vez mais confiando no destino de que o empate já seria um bom resultado tendo em conta as incidências e a segunda parte benfiquista.

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Todavia, e depois de ter feito uma exibição de encher o olho, o minuto 86 foi o momento chave do jogo. Num dos lances mais bonitos do clássico, Varela assistiu de bandeira para André André finalizar com êxito perante um imponente Júlio César. É certo que, com tão pouco tempo para terminar o jogo, aquele seria o momento do jogo. Numa jogada coletiva – das poucas que teve no clássico – o FC Porto concluiu da melhor maneira uma segunda parte de qualidade e onde não deu hipóteses ao adversário. Agora, resta perguntar é o porquê da equipa não ter demonstrado na primeira parte a imagem da segunda. Perante este Benfica, Lopetegui não podia ter demorado tanto tempo a mudar as peças e a colocar o FC Porto a explorar os pontos fracos do adversário. Felizmente para os portistas, no jogo desta noite, a sorte protegeu os audazes. E isto porque, mais do que tudo, não havia outro que merecesse mais marcar e ganhar este clássico. Falo de André André, que fez um jogo de outro mundo e que provou que quem sai aos seus, nunca desilude.

 

Figura do Jogo: André André – A exibição do internacional português merece todos os elogios. Do primeiro ao último minuto, o médio portista encheu o campo, ganhou quase todos os duelos do meio campo e acabou a dar a vitória ao FC Porto. Depois das boas exibições de Arouca e Kiev, André continua a ser uma das revelações da época.

Fora de Jogo: Primeira parte do FC Porto – Demorar quase 40 minutos para fazer um remate à baliza é suficiente para demonstrar a inoperância portista no primeiro tempo. A equipa foi sempre amorfa, pouco intensa e por isso acabou por ver o Benfica jogar durante a primeira parte. No clássico desta noite, a equipa ainda foi a tempo de emendar a mão mas, noutras ocasiões, isso pode não bastar.