A CRÓNICA: SEGUNDA METADE COM MELHORIAS DÁ VITÓRIA AO DRAGÃO

Para fechar a 28.ª jornada da Primeira Liga, o FC Porto recebeu o Vitória SC no Estádio do Dragão, num jogo crucial para os Dragões. Depois do empate do Sporting CP contra o B-SAD, o terceiro em quatro partidas, os azuis e brancos tinham a oportunidade de reduzir a desvantagem para apenas quatro ponto, depois desta já ter estado estabelecida nos dez.

Já o Vitória SC, é ainda uma equipa a adaptar-se às ideias do novo treinador, Bino, mas que procurava ganhar algum balanço com uma segunda vitória consecutiva no seguimento de cinco derrotas que a antecederam. Apesar de já parecer muito difícil a aproximação ao Paços de Ferreira FC, os vitorianos têm o CD Santa Clara a morder os calcanhares da sexta posição do campeonato.

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O encontro começou com mais bola para o FC Porto, mas o Vitória SC a criar mais perigo. Teve duas grandes oportunidades de golos ainda nos primeiros dez minutos. Aos 7′, depois de cruzamento para a entrada da área de Mensah, Marcus Edwards não acerta bem na bola, numa zona primorosa para atacar a baliza contrária, e desperdiça uma boa chance. Dois minutos depois, o mesmo Edwards e Rocinha combinam no meio, com o inglês a entrar na área na meia-esquerda e a cruzar de forma rasteira entre defesas e guarda-redes. Estupiñan não chegou à bola, e Manafá tira o pão da boca de Sacko que aparecia no segundo poste pronto para abrir o marcador.

Os Dragões reagiram com duas aproximações por volta dos 20′, ambos por intermédio de Mehdi Taremi. Aos 17′, numa jogada algo bizarra, o iraniano tentou interceptar um alívio de defesa vitoriana dentro da área adversário, e quase introduziu a bola na baliza, passando ligeiramente ao lado. No minuto 21, depois de um canto, Pepe recebe a bola no pé à entrada da área e coloca de forma muito delicada nas costas da defesa vitoriana, em Taremi. O avançado, isolado com Bruno Varela, tentou picar a bola por cima do guarda-redes mas não teve sucesso.

A primeira parte seguiu com mais posse para o FC Porto, ainda que, de uma forma geral, com poucas oportunidades. O Vitória SC fechava bem os caminhos da baliza, com alguma falta de criatividade no ataque azul e branco, e o nulo mantinha-se no intervalo.

Os Dragões começaram melhor a segunda parte, e não demoraram muito a assumir a liderança da partida. Ao minuto 49, Mumim adormece quando tem de interceptar um passe de Otávio para Marega, e o maliano consegue chegar primeiro à bola. Partiu para cima da baliza, apenas com Bruno Varela à sua frente. No um para um não vacilou, e abriu o marcador da partida.

Os azuis e brancos mantinham o domínio da partida, e jogavam de uma forma já mais segura do que na primeira metade. Conseguiam também criar mais perigo, muito através da profundidade de Marega. Este obrigou Bruno Varela a uma grande defesa num desses lances.

O Vitória SC mostrava pouco ofensivamente, e apenas conseguiu criar perigo com um livre de André Almeida – Marchesín estava lá para travar a bola de entrar. Já os portistas, à medida que o jogo ia avançando, começavam cada vez mais a conseguir sair em contra-ataque, e a chegar muito perto do golo. Toni Martínez esteve quase a fechar a partida, mas falhou o alvo aos 86′. Já na compensação, Francisco Conceição mostrou mais uma vez o seu talento, com uma grande jogada individual que ainda acabou com um remate na barra.

O FC Porto conquista assim os três pontos e relança por completo a disputa pelo título com o Sporting CP. Já o Vitória SC vai ter que puxar dos galões para conseguir manter a sexta posição da tabela classificativa.

 

A FIGURA
FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Mudança tática de Conceição ao intervalo – depois de uma primeira metade em que não conseguiu criar grande perigo, Conceição fez alguns ajustes táticos ao intervalo e viu os resultados disso mesmo. A equipa começou a recuar um jogador para mais próximo dos centrais na primeira fase de construção e conseguiu com isso atrair a pressão vitoriana, abrindo espaço no meio-campo.

O FORA DE JOGO
FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Incapacidade ofensiva do Vitória SC – tirando algumas combinações entre Rochinha e Edwards, principalmente na primeira parte, o Vitória SC não mostrou grandes dinâmicas ofensivas e quase nunca foi capaz de importunar a defesa portista.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Depois de duas partidas a jogar em 4-3-3, Sérgio Conceição voltou ao seu habitual 4-4-2 para defrontar a linha de cinco jogadores atrás do Vitória SC. Marega e Taremi no ataque, com Corona e Otávio como extremos. Estes iam trocando entre a esquerda e a direita, apesar de passarem grande parte do seu tempo fletidos para o centro.

Na defesa, Manafá fez o papel de lateral-esquerdo, com Nanú na direita. Apesar dos jogadores estarem bastante projetados no ataque, os Dragões estavam com algumas dificuldades em garantir a largura através deles. O ex-CS Marítimo partia por vezes para desequilíbrios individuais, mas a pecar muito na definição. Na esquerda, o facto de Manafá e Pepe (central a jogar nesse lado) não serem esquerdinos dificultava a progressão nesse flanco. O lateral recebia já com forte pressão de Sacko e era obrigado a jogar para trás. Quando estava com mais espaço, Pepe tinha algumas dificuldades em abrir o jogo para esse lado. Desta forma, o jogo do FC Porto estava muito canalizado para o meio, permitindo a concentração de jogadores aí.

Contudo, na segunda metade, de forma a esticar mais as linhas defensivas do Vitória SC, vimos várias vezes um dos médios a abrir à direita dos centrais, como um lateral baixo, atraíndo a pressão de Rochinha, consequentemente deixando mais espaços entre os elementos da linha média vitoriana. Com isso, Otávio e Corona, e mesmo os avançados, ganhavam espaço entrelinhas para causar perigo à defesa adversária.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marchesín (6)

Nanú (5)

Pepe (6)

Mbemba (6)

Manafá (5)

Uribe (6)

Sérgio Oliveira (6)

Tecatito Corona (7)

Otávio (7)

Mehdi Taremi (6)

Moussa Marega (6)

SUBS UTILIZADOS

Luis Díaz (6)

Marko Grujic (5)

Toni Martínez (5)

Romário Baró (-)

Francisco Conceição (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – VITÓRIA SC

O Vitória SC apresentou-se, como vem sendo habitual com Bino, num sistema de três centrais, com dois alas abertos, um duplo-pivot no meio campo, dois extremos a jogar por dentro com um avançado na frente. Tanto pode ser descrito como um 3-4-3, 5-4-1, 3-4-2-1, dependendo da fase do jogo em que a equipa se encontra.

O plano de jogo desde o início era esticar ao máximo o 4-4-2 habitualmente compacto dos Dragões, com os centrais a construirem de forma bastante aberta e laterais muito projetados. Assim, procuravam numa primeira fase atrair a pressão portista para fora, jogando depois nos dois extremos, Rochinha e Edwards que tinham dessa forma espaço entrelinhas para atuarem.

Ainda assim, quando o FC Porto começou a fechar o espaço por dentro de forma mais competente, sobraram poucas ideias atacantes à equipa liderada por Bino.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Bruno Varela (6)

Jorge Fernandes (6)

André Amaro (6)

Abdul Mumin (4)

Falaye Sacko (5)

Gideon Mensah (6)

Pepelu (6)

André André (6)

Marcus Edwards (6)

Rochinha (7)

Óscar Estupiñán (5)

SUBS UTILIZADOS

Rúben Lameiras (5)

André Almeida (5)

Mikel Agu (-)

Noah Holm (-)

Nicolas Janvier (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Porto

Não foi possível colocar questões ao técnico do FC Porto, Sérgio Conceição.

Vitória SC

BnR: As melhores oportunidades que o Vitória conseguiu criar partiram de combinações no meio entre o Rochinha e o Edwards, cada um cortando para dentro para o seu melhor pé. O que é que tentou de diferente com o Rúben Lameiras e André Almeida e jogar no lado do seu pé, tendo em conta que os laterais já garantiam a profundidade?

Bino: Esses dois jogadores têm alguma liberdade para trocar, e para jogar na mesma zona por vezes até, por isso queremos esses jogadores a jogar entrelinhas. Especialmente com dois jogadores a abrir na profundidade. É essa a nossa forma de jogar, mas nem todos os jogos conseguimos isso bem e hoje enfrentámos uma grande equipa que nos impediu de fazer isso mais vezes. Também tivemos depois do golo mais caudal ofensivo, mas o que pretendo dos jogadores nessa zona é acelerar a partida com velocidade e critério.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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