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E ao terceiro dia, nada mudou. Talvez não haja melhor descrição para analisar mais um empate do FC Porto em casa, desta vez frente ao Áustria de Viena. Olhando para trás na história, facilmente verificamos que este jogo teve muitas semelhanças com a última partida, no último sábado, frente ao Nacional. O resultado foi o mesmo e o marcador de serviço também: Jackson Martinez.

Mas vamos por partes: à entrada para esta 5ª jornada do Grupo F da Liga dos Campeões, o FC Porto entrava com um sorriso nos lábios. Afinal de contas, o Zenit tinha acabado de empatar 1-1 em casa frente ao Atlético de Madrid. Não era preciso, portanto, ser um grande entendido em matemática para perceber que, a partir daquele momento, o FC Porto dependia apenas de si para rumar aos oitavos-de-final. Olhando para o panorama que se colocava aos dragões, aquilo que os 25.000 que se deslocaram ao Dragão esperavam era um FC Porto mandão, autoritário, que dominasse e sufocasse os austríacos, que pareciam um adversário demasiado frágil. Contudo, e como o resultado documenta, quem foi à espera de ver isso no Dragão, ficou com os planos completamente trocados.

Danilo vs Áustria de Viena
Desapontamento de Danilo / Fonte: Record

Escrevi no passado domingo que este FC Porto está completo de falhas que têm impedido o futebol de posse, de domínio e sobretudo de vitória a que o tri campeão nacional nos habituou. A primeira parte do jogo de hoje foi o espelho mais concreto daquilo que atualmente vale esta equipa: sem ideias, sem imaginação, sem magia. Uma equipa à deriva, a afundar-se no decorrer dos primeiros 45′.

Houve mais um erro individual a dar golo ao adversário: desta vez, depois de Mangala e Otamendi, foi Danilo. Golo de Kienast aos 11′, 0-1 para os austríacos. O Dragão tinha, mais uma vez, levado com um balde água gelada e, mais uma vez, via a sua equipa a desmoronar-se entre ideias que parecem já ter solução. Com Defour e Fernando de novo a desempenharem o papel de duplo pivô que apenas Paulo Fonseca parece perceber, com Maicon e Licá nos lugares de Otamendi e Varela, o FC Porto chegou ao intervalo mergulhado num mar de assobios.

Jackson Martínez vs Áustria de Viena
Jackson Martínez / Fonte: Reuters

No segundo tempo, Silvestre Varela rendeu Defour e a equipa voltou transfigurada. Com velocidade e outro dinamismo, Jackson fez o golo que parecia relançar os dragões para uma vitória fundamental rumo aos oitavos. Outra vez, puro engano: voltou o fantasma do último sábado, com oportunidades consecutivas a serem desperdiças e o guarda-redes adversário Lindner a colher os tributos da noite.

Feitas as contas, só uma vitória em Madrid e um resultado que não a vitória do Zenit em Viena podem dar a este FC Porto os oitavos-de-final da Champions. Mas, caro leitor, permita-me esta inconfidência: cá para nós, que ninguém nos ouve, não creio que uma equipa que faça 1 ponto em 9 possíveis em casa mereça lá estar. Hoje, o Dragão das Tormentas voltou, numa segunda parte para jamais recordar.

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