Pronúncia do Norte

Depois do empate em Belém na jornada anterior, o FC Porto recebia hoje o Nacional da Madeira com a responsabilidade de voltar às vitórias. No entanto, poucas horas depois da vitória caseira do Benfica frente ao Braga, os dragões voltaram a ceder pontos: 1-1 foi o resultado final.
Com Maicon no lugar do castigado Mangala e Herrera a jogar em vez de Defour, o FC Porto entrou fortíssimo na partida, trocando a bola com segurança, velocidade e dinamismo. Nos primeiros minutos, criou inúmeras oportunidades – os 10 remates que já levava aos 20 minutos de jogo ilustram bem o intenso domínio azul e branco.

Entretanto, o Nacional conseguiu acertar as marcações e, a partir daí, o FC Porto, embora mantendo a posse de bola e impedindo o adversário de criar perigo, nunca mais foi capaz de ser tão acutilante. A primeira parte terminou com dois ou três míseros remates dos forasteiros e uma diferença abissal de futebol produzido, porém o placard insistia em ditar um teimoso 0-0.

Lucho vs Nacional
Lucho Gonzalez frente ao Nacional / Fonte: A Bola

Na segunda parte, os dragões voltaram a entrar com vigor e chegaram ao golo à passagem do minuto 52 – Jackson correspondeu da melhor maneira ao cruzamento de Danilo e, de cabeça, bateu Gottardi. Os adeptos aplaudiram, festejaram e respiraram de alívio. O Nacional, todavia, não baixou os braços. A Mateus, que havia entrado dois minutos antes do golo, juntaram-se Diego Barcellos e Lucas João, lançados por Manuel Machado para aumentar o poder de fogo dos madeirenses. Paulo Fonseca respondeu com Quintero e Licá mas o FC Porto já não apresentava o mesmo discernimento.

Aos 82 minutos, Otamendi (com uma exibição imaculada e uma série de cortes de altíssimo nível até então) dominou mal uma bola, permitiu o contra-ataque rápido do Nacional e, mesmo tendo conseguido tirar uma bola rematada por Mateus em cima da linha, foi incapaz de parar a recarga de Rondón: estava reposta a igualdade. O FC Porto ainda tentou chegar aos três pontos nos dez minutos finais mas viu Gottardi negar o golo a Jackson já nos descontos, na melhor ocasião do FC Porto na segunda parte.

Paulo Fonseca vs Nacional
Paulo Fonseca / Fonte: Record

O FC Porto fez um bom jogo e acabou por pecar, essencialmente, pela falta de finalização. As estatísticas não enganam e demonstram bem a diferença entre as duas equipas: 63-23 em ataques, 30-8 em remates, 77%-23% em posse de bola, 17-0 em cantos.

Pela positiva, destacaria a prestação de Herrera – muito vertical, muito forte fisicamente, assumindo o jogo e revelando alguns pormenores muito interessantes (os três passes de calcanhar que fez na primeira parte deixaram água na boca). Pela negativa, o mau desempenho de Varela – demasiados passes falhados, demasiadas decisões mal tomadas, capaz de levar o mais paciente dos tripeiros ao desespero! No cômputo geral, a equipa apresentou-se a um nível bastante aceitável.
No fim, o Nacional da Madeira voltou a ser a “besta negra” do FC Porto no Dragão – mais de nove meses depois, os azuis e brancos voltaram a perder pontos no seu estádio.

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