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Jogo da fase de grupos da Taça da Liga, F. C. Porto e Marítimo defrontaram-se no Dragão no que é o primeiro jogo do Porto e segundo do Marítimo nesta competição.

O que se passou em campo foi um pouco surrealista, exagerado e a roçar o catastrófico. A equipa insular aplicou um KO táctico aos portistas quando nada o fazia prever; por muitos golpes de direita e esquerda que os Dragões tentassem acabou por ser no contra-ataque que os visitantes aplicaram 3 socos a um Porto fraco defensivamente e apanhado desprevenido.

Os portuenses alinharam com uma equipa pouco habitual: Helton, Víctor Garcia (equipa B), Maicon, Marcano, José Ángel, Sérgio Oliveira, André, Evandro, Tello, Varela e André Silva (equipa B). Lopetegui colocava em campo dois jogadores da equipa B e os restantes menos utilizados, excepção feita aos centrais que já levam muitos jogos nas pernas com a equipa principal. A surpresa seria o médio defensivo – Sérgio Oliveira – posicionando-se mais à esquerda André André e à direita Evandro. Para quem achava que Evandro jogaria mais recuado o treinador basco trocou as voltas optou por um médio com mais capacidade de criação voltando à filosofia inicial de médios que favoreçam a construção em vez da destruição.

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Lopetegui ouviu assobios e viu lenços brancos
Fonte: FC Porto

A primeira parte só teve Porto, a equipa portista teve mais posse de bola e a iniciativa de jogo. Embora nunca tivesse criado grande perigo a ideia de Lopetegui não deu mau resultado com S. Oliveira a criar jogo e a conseguir lançar bem os ataques no entanto houve falta de entreajuda dos seus colegas médios já que algumas vezes não deram linha de passe. Nos extremos Tello era o mais mexido procurando a combinação com Ángel e o pivot André Silva. O jovem atacante português procurou sempre distribuir a bola da melhor maneira e foi sempre mexido no ataque tendo bons pormenores, faltou mesmo o golo e não foi por escassez de oportunidades. Os primeiros 30 minutos foram disputados com intensidade e com vários cruzamentos para a área maritimista que ia resolvendo bem e nunca se desposicionando mas o verdadeiro perigo surgiu já numa fase mais calma dos portistas. Aos 41’ e 45’ André Silva podia ter marcado mas a bola encontrou Salin e um defesa insular. Acabava assim o primeiro tempo com o Porto por cima mas sem criar grande perigo até porque no último terço (onde geralmente se nota quem está habituado a jogar junto e quem não está) a vontade superava a cabeça na hora de decidir.

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A segunda parte trouxe uma surpresa amarga para os nortenhos, nem nos nossos pesadelos se poderia vislumbrar um resultado assim. Quem olha para os números fica abismado e poderá perguntar-se o que andou o Porto a fazer. Mais uma vez mostramos que somos uma equipa que raramente vira um resultado e que facilmente perdemos a cabeça.

Entrou Imbula para o lugar de um desinspirado André e logo aos 47’ e sem nada fazer para o merecer o Marítimo marcou na cobrança de um livre directo. O Porto entrava então a perder no segundo tempo mas havia muito jogo pela frente. Os azuis e brancos não baixaram os braços, tentaram de várias formas chegar com perigo à baliza de Salin com os laterais a darem muita profundidade ao jogo (principalmente Ángel que cruza bem a bola) mas assim como atacavam com o coração defendiam sem cabeça. Por várias vezes já referi que a distância entre linhas no Porto é abismal hoje foi vítima desse problema, se o meio-campo e o ataque trabalhavam em entreajuda no ataque a defender não havia ajuda para ninguém. Sempre que o Porto perdia a bola os jogadores do Marítimo partiam para o ataque com espaço e só encontravam os defesas portistas quando os visitantes já iam lançados em velocidade e com bastante largura.

Resumindo, o Porto foi vítima de não jogar em bloco! Os contra-ataques foram sempre venenosos como ao minuto 58’ e 59’ do outro lado o Porto continuava a embater na muralha maritimista. Maicon, André Silva, Tello… o Porto tentou no ataque e descuidou a defesa. Aos 69’ depois de uma falha de Marcano Alex Soares aumentou a vantagem e complicava muito a vida aos portistas. Aos 66’ já tinha saído Sérgio Oliveira e entrado Corona por isso o treinador espanhol só poderia fazer mais uma substituição e aos 75’ entrou Aboubakar para o lugar de Varela. O Porto podia ter marcado pelo camaronês e por André Silva mas há dias que a bola não entra e do outro lado os contra-ataques perigosos sucediam-se. O ambiente no Dragão era pesadissímo e aos 90’ o terceiro do Marítimo (depois de mais uma falha da defesa em especial Maicon) tornou o resultado ainda mais embaraçante que só não tomou contornos de goleada porque Aboubakar reduziu aos 91’.

Resultado que envergonha os portistas que fez subir o coro de protestos a Lopetegui e que mostra que a tal espinha dorsal de que falei num texto anterior não é da mesma firmeza de outrora. O Marítimo foi eficaz, não fez nada para justificar tal volume mas a falta de acerto portista na finalização (e foram muitas!) e, principalmente, na defesa veio colocar a nú as fragilidades da equipa. Algumas dessas fragilidades têm culpa de Lopetegui (a tal distância entre linhas, a intermitência no 11 titular que tira confiança aos jogadores) outras são próprias de quem é feito de material que aparenta ser mais duro do que é.

O Porto está praticamente eliminado da Taça da Liga mas se calhar o pior deste jogo é o efeito que terá na cabeça dos jogadores – há um jogo importantíssimo dia 2 de Janeiro. E esse aspecto não me deixa descansado, continuo a achar que por mais culpas que o treinador tenha há algo nestes jogadores que não me dá total confiança. Nem só de talento vive um futebolista.

A Figura:

Sérgio Oliveira – Construiu bem o jogo e nem sempre teve apoio eficaz dos tentantes médios.

O Fora-de-jogo:

Marcano – A defesa esteve toda péssima mas o erro no 2-0 foi fatal. Anda desconcentrado.

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