A CRÓNICA: EXIBIÇÃO SÓLIDA DOS DRAGÕES PARA ARRANCAR O CAMPEONATO

Foram 520 dias de espera, mas o Estádio do Dragão voltou a acolher os seus adeptos neste início da temporada 2021/2022 da Primeira Liga. O adversário foi o mesmo do último jogo oficial dos azuis e brancos na sua casa, o Belenenses SAD. Na altura, no último jogo do campeonato da temporada passada, o FC Porto triunfou facilmente por 4-0.

Mehdi Taremi carimbou o primeiro golo, e, curiosamente, o iraniano foi também o último jogador a acertar nas balizas contrárias em jogos no Dragão com público. A 7 de março de 2020, o então jogador do Rio Ave FC gelou os adeptos portistas, garantindo um empate a uma bola para os vilacondenses.

Mas as coisas começaram melhor neste regresso do público aos estádios, com um início de partida pressionante do FC Porto. Criava dificuldades ao Belenenses SAD, mas foi a equipa visitante que teve a primeira grande oportunidade da partida ao minuto 7. Os dragões perderam a bola ainda na sua primeira fase de construção, com Yaya Sithole a partir para o contra-ataque em superioridade numérica de 3×2. Define bem o passe para Matteo Cassierra, e o colombiano, já dentro da área, cruza rasteiro para o pé esquerdo de Ndour. Com a baliza praticamente desprotegida, o avançado falha o golo.

Os portistas reagiram, com a primeira oportunidade séria de golo aos 10′. Boa jogada individual de João Mário pela direita, que passa pelo adversário e cruza de pé esquerdo para a área. Toni Martínez corresponde bem ao passe do colega, mas desvia a bola ligeiramente ao lado do poste esquerdo da baliza do Belenenses SAD.

Anúncio Publicitário

O jogo começava a animar, com uma grande corrida de Luis Díaz logo no minuto seguinte que apenas parou com uma defesa de Luiz Felipe.

Mas a bola acabou mesmo por entrar, à passagem do minuto 20. Toni Martínez aproveita uma completa falta de atenção da defesa do Belenenses, com um espaço gigante entre centrais. A bola pelo ar de João Mário chega com facilidade ao avançado espanhol, que depois fuzila a baliza dos azuis-claros do dia. Estava feito o 1-0.

O FC Porto abrandou depois o ritmo de jogo, com muito menos oportunidades para ambos lados. A primeira metade terminou com um remate explosivo de Sérgio Oliveira, que sai ligeiramente ao lado da baliza do Belenenses SAD.

A segunda metade começou com algumas polémicas na área do Belenenses SAD. Luis Díaz caiu ao disputar um lance com Cafú Phete, e o árbitro apontou para a marca dos 11 metros. Contudo, depois de indicação do VAR e de consulta no campo, Gustavo Correia voltou atrás e mostrou a cartolina amarela ao colombiano por simulação.

A partida passava por momentos menos entusiasmantes, até João Mário voltar a animar o Estádio do Dragão. Nova grande jogada individual do lateral, a passar pelo adversário, puxar para trás e cruzar de pé esquerdo para o segundo poste. Apareceu Luis Díaz, que cabeceou de forma certeira para o fundo da baliza contrária. Feito o 2-0, os dragões asseguravam uma almofada importante no marcador.

Taremi ainda teve a oportunidade de entrar na lista de marcadores, depois de um bom contra-ataque liderado por Luis Díaz. Contudo, o avançado, em frente a Luiz Felipe, rematou à figura, permitindo uma simples defesa.

Ambas equipas faziam várias trocas, mas sem conseguir mudar o rumo da partida. O restante rasgo de qualidade surge já muito perto do fim, com o recém-entrados Francisco Conceição, Fábio Vieira e Pêpê a combinarem bem com João Mário.

Luis Díaz e João Mário acabaram porUm arranque de campeonato positivo para o FC Portou, com uma exibição sólida dos dragões, com Luis Díaz e João Mário em destaque.

A FIGURA
FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

João Mário – o que dizer do momento de forma do jovem extremo adaptada a lateral-direito do FC Porto? Depois de ter ganho o lugar no final da temporada passada, João Mário voltou a merecer a confiança de Sérgio Conceição, e viu-se o porquê. Com uma facilidade tremenda no um para um, o jogador de 21 anos desequilibrou de forma constante ao longos dos 90′, e conseguiu angariar ambas assistências da partida. Uma partida de luxo que deve garantir a titularidade a João Mário.

O FORA DE JOGO
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Alioune Ndour – não tinha uma tarefa fácil o avançado do Belenenses SAD, mas Ndour não foi capaz de oferecer quaisquer problemas à defesa do FC Porto. Para além de várias bolas perdidas em transições ofensivas e quando a equipa tentava um jogo mais apoiado, o avançado de 20 anos do Senegal falhou uma oportunidade flagrante de golo (ainda que o golo não teria contado por fora-de-jogo).

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Em linha com o fim da temporada passada, Sérgio Conceição fez alinhar o FC Porto num sistema de 4-4-2, sendo as grandes nuances táticas a liberdade posicional de Otávio que partia da direita, e a subida no terreno de João Mário, o lateral-direito. Ambos jogadores complementavam-se, já que as incursões pelo meio de Otávio deixavam espaço para João Mário partir para o 1×1 contra o ala-esquerdo do Belenenses SAD.

Na esquerda alinhou Zaidu, que apesar de ter ainda assim liberdade para atacar, não subia tanto no campo como o lateral do lado contrário. O nigeriano conseguia envolver-se mais no processo ofensivo quando Luis Díaz, o extremo a jogar no seu lado, fletia mais para o centro do terreno.

No miolo, Bruno Costa e Sérgio Oliveira fizeram dupla. O mais jovem dos médios era aquele que mais vezes se aproximava dos centrais para ajudar na construção, com o já internacional A por Portugal a posicionar-se mais entrelinhas adversárias. No momento defensivo, era também Sérgio Oliveira que avançava mais no terreno, para ajudar a pressionar a saída a três centrais do Belenenses SAD.

Na frente, a dupla que já tem feito estragos, Toni e Taremi continuaram também eles com as dinâmicas na época transata. O iraniano ligeiramente mais recuado no terreno, a oferecer mais linhas de passe aos médios e defesas para ligar o jogo portista. Já o espanhol posicionava-se mais na última linha da defesa adversária à procura de movimentos de rotura.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (6)

João Mário (9)

Pepe (7)

Mbemba (7)

Zaidu (5)

Sérgio Oliveira (4)

Bruno Costa (6)

Otávio (7)

Luis Díaz (8)

Mehdi Taremi (6)

Toni Martínez (7)

SUBS UTILIZADOS

Matheus Uribe (7)

Pêpê (6)

Fábio Vieira (6)

Francisco Conceição (-)

Evanilson (-)

ANÁLISE TÁTICA – BELENENSES SAD

Petit, como era previsto, fez alinhar a sua equipa num 3-5-2. Uma linha de 5 defesas no processo defensivo, com um trinco à sua frente e dois interiores para conseguir manter ainda alguma pressão sobre os jogadores portistas no meio-campo. Uma tentativa de evitar que o FC Porto entrasse pelo miolo, mas que deixou algo desprotegidos os alas. Muitas vezes isolados, os jogadores mais abertos sofreram bastante com o ataque à profundidade portista, especialmente Nilton Varela com João Mário à sua frente.

No momento ofensivo, os alas garantiam toda a largura e profundidade, com os restantes jogadores mais concentrados no meio-campo. Cassierra era a referência para segurar a bola na frente, com uma grande capacidade de jogar de costas para a baliza e de rodar sobre os adversários.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luiz Felipe (6)

Cafú Phete (5)

Chima(6)

Tomás Ribeiro (6)

Diogo Calila (5)

Nilton Varela (6)

Trova Boni (5)

Lukovic (5)

Yaya Sithole (6)

Cassierra (7)

Ndour (3)

SUBS UTILIZADOS

Jójó (5)

Afonso Sousa (6)

Pedro Nuno (5)

Francisco Teixeira (5)

Luís Mota (5)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Porto

Não foi possível fazer perguntas a Sérgio Conceição.

Belenenses SAD

BnR: O Petit alinhou hoje a sua equipa num 3-5-2 para, imagino eu, tapar mais o meio-campo e impedir que o FC Porto entrasse por essa zona. Mas acabou por se calhar desproteger demasiado os flancos, com os alas muitas vezes a lidarem com situações de um para um. Foi por aí que o Belenenses SAD sentiu dificuldades hoje?

Petit: Nós tínhamos trabalho isso durante a pré-época. Sabíamos que o FC Porto joga muito com o Otávio pelo meio e o João Mário por fora, mas depois também houve erros a tapar esses jogadores com os apoios não tão bem colocados. Mas também jogamos muito com jogadores jovens, que às vezes faltam experiência. São as dores de crescimento que temos de lidar. Também não tínhamos a frente de ataque do ano passado. Mas não creio que foi pelo sistema, mas sim pela inexperiência dos nossos alas, o Nilton Varela e o Calila, que sofreram bastante nos confrontos diretos.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome