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Mais uma vitória, mais uma exibição q.b e novamente com o suspeito do costume em destaque: Jackson Martinez. Esta poderia ser uma frase suficiente para descrever uma partida em que o FC Porto não acelerou muito, em que o Gil Vicente pouco ou nada fez em termos ofensivos e em que o avançado colombiano voltou a isolar-se na tabela dos melhores marcadores. Com apenas duas alterações na equipa titular em relação à última jornada – Danilo e Bruno Martins Indi atuaram nos lugares de Ricardo Pereira e Marcano –, os comandados de Lopetegui entraram a querer comandar os ritmos da partida. Do lado gilista, José Mota decidiu emendar à mão relativamente ao último jogo, frente ao Benfica, e decidiu colocar uma equipa com um cariz mais defensivo, colocando a equipa num 4x4x2 clássico com Jander a entrar para o meio campo para o lugar de Rúben Ribeiro, deixando apenas Yazalde e Simy na frente do ataque da equipa gilista.

Mesmo sem imprimir um ritmo intenso no seu jogo, os primeiros minutos trouxeram um domínio territorial portista, com Casemiro, Herrera e Oliver a secarem completamente as possibilidades de contra ataque gilistas. Ainda assim, posicionando-se num bloco baixo, com duas linhas de quatro bem definidas, a equipa de José Mota ia segurando-se no jogo como podia, pelo menos até aos 12 minutos. Nesse momento, Jackson Martinez foi derrubado por Cadú dentro da área, levando Bruno Esteves a apontar para a marca dos 11 metros. Nessa mesma marca, Quaresma permitiu uma boa defesa a Adriano Facchini, redimindo-se segundos depois, com um excelente cruzamento para a cabeça de Jackson, que assinou o primeiro golo da partida, chegando ao décimo nono tento no campeonato português.

Apesar do golo portista, o jogo não mudou de figurino. Do lado portista, a posse de bola não tinha grande velocidade e só a espaços o tridente ofensivo dos dragões ia causando embaraços a um Adriano que quase sempre travou as investidas contrárias, rubricando uma bela exibição. O Gil, apesar de necessitar de pontos como de água para a boca, pouco ou nada ia fazendo no momento ofensivo. A equipa estava presa de movimentos e encontrava-se enclausurada num buraco tático que raramente deixava a equipa chegar ao último terço do terreno. Por isso mesmo, até ao final do primeiro tempo, as oportunidades foram poucas: do lado portista, Herrera teve uma boa situação para marcar mas, de cabeça, permitiu a defesa a Facchini; do lado gilista, a cabeçada de João Vilela levou a bola passar a centímetros da baliza de Helton.

Por ter conseguido ter o controlo do jogo no primeiro tempo e sobretudo por estar em vantagem no marcador, foi sem surpresa que o FC Porto apresentou-se na etapa complementar dentro da mesma toada. Sem nunca carregar muito no acelerador, os dragões continuavam a desperdiçar oportunidades atrás de oportunidades: primeiro Rúben Neves, num remate que passou a centímetros da barra; depois Quaresma, para defesa de Adriano e por último uma dupla bola nos ferros, com Indi e Evandro a estarem perto do 2×0.

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Jackson Martínez foi decisivo na vitória portista
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

No duelo dos bancos, Julen Lopetegui e José Mota procuraram coisas diferentes com as alterações: o técnico portista, com as entradas de Rúben Neves e Evandro para os lugares de Casemiro e Herrera, procurou dar maior rotatividade e intensidade ao jogo portista, que, com o passar dos minutos, ia caindo de ritmo e de produtividade; do lado da equipa de Barcelos, Mota procurou empurrar a equipa para o setor mais avançado, colocando Diogo Viana, Rúben Ribeiro e Paulinho em busca de uma oportunidade que lhe permitisse sonhar com o empate. Ainda assim, a equipa de Barcelos raramente incomodou e só em duas ocasiões levou Helton a rubricar boas intervenções. Pela disposição das equipas, a vantagem magra portista parecia o desfecho previsível do encontro. Isso até ao minuto 86, em que Ricardo Quaresma cruzou de forma perfeita para Jackson que, através de um pontapé de bicicleta, voltou a bater Adriano Facchini, acabando com as esperanças gilistas e colocando um ponto final na partida.

Sem uma exibição de encher o olho, até porque o adversário não o obrigou, o FC Porto somou mais uma vitória no campeonato, que lhe permite acalentar ténues esperanças de chegar ao primeiro lugar. Com apenas dois jogos até ao final da Liga, resta à equipa portista somar os seis pontos em falta e acabar da melhor forma possível o campeonato. Da noite de hoje, sobrou mais uma exibição qb portista, com dois toques de classe assinados por Jackson Martinez: de cabeça e de bicicleta, o Cha Cha Cha provou mais uma vez o porquê de ser o avançado mais produtivo e o jogador mais valioso do campeonato português.

 

A Figura
Jackson Martinez/Julen Lopetegui – À primeira vista achará estranha esta distinção dupla mas a explicação é simples. Em relação ao colombiano, o bis nesta partida é argumento suficiente para lhe dar a distinção de MVP do encontro. O golo de bicicleta é apenas mais uma obra de parte do colombiano que voltou a isolar-se na tabela dos melhores marcadores. Em relação a Lopetegui, a minha nomeação deve-se à conferência de imprensa do técnico espanhol. Concisa, perfeita e em que disse quase tudo. Numa conferência de imprensa em que se falou mais de Jesus do que de futebol, o técnico espanhol disse o que tinha a dizer de uma forma tão incisiva que se calhar explica muito daquilo que se passa no clube. Mas em relação a isso, em próximos textos no Bola na Rede eu explicarei.

O Fora-de-Jogo
Simy – O avançado gilista foi uma completa nulidade durante o tempo em que esteve no encontro. A falta de mobilidade e intensidade no seu jogo fez com que raramente tenha ganho um duelo e com que tenha sido preterido por José Mota. Claramente uma peça a menos numa estratégia que ficou curta em termos ofensivos muito em virtude do jogo paupérrimo do avançado gilista.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

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