a minha eternidade

O primeiro terço da partida entre o Porto e o Nacional foi marcado por uma grande qualidade da equipa azul e branca, que demonstrou um caudal ofensivo muito interessante, com combinações no último terço do campo bem orquestradas e perigosas.

Devo ressalvar, em primeiro lugar, que julgo ter havido uma ponderação de Lopetegui sobre se devia manter certos modelos de jogo. Eu vinha afirmando, nas últimas semanas, que considerava que o treinador do Porto deveria repensar o modelo de saída de bola, muito “mastigado” entre os quatro elementos da defesa, que trocavam incessantemente a bola entre si, numa circulação inofensiva e descabida, que não projectava os laterais em “cavalgada atacante”, nem procurava condignamente o médio defensivo, que, quando solicitado, jogava novamente a bola para o quarteto defensivo. Este comportamento demonstrou ser infrutífero, improdutivo e, pior do que isso, arriscado para a própria equipa, que sofreu quase todos os golos na sequência de erros não forçados na sua primeira zona de construção. Ontem, julgo que houve uma mudança nessa orientação de início de posse, com o recuo de dois jogadores no início do processo ofensivo: Óliver Torres e Juan Quintero. Estes atletas baixavam no terreno (não em simultâneo) e de frente para o jogo, procuravam a verticalidade ofensiva que ainda não se viu naquela posição. Quando um destes médios descia para transportar, Casemiro subia um pouco e dava também linha de passe. O brasileiro em momento ofensivo era um 8 e no processo defensivo um 6; se o treinador espanhol mantiver esta dinâmica naquela posição específica, arranjou a melhor configuração para o médio canarinho. Como o técnico já se apercebeu de que Casemiro é mau de costas para a baliza adversária, adiantou-o para assim conseguir a sua postura frontal para o campo contrário, permitindo ao jogador executar as excelentes aberturas médio/longas e variar o sentido de jogo. Resta saber se esta variante táctica é para manter ou se terá sido apenas uma estratégia pontual.

Outro aspecto que foi alvo de uma meditação considerável do espanhol foi a questão da rotatividade. Fez muito bem em mantê-la, não deve abdicar desse paradigma de gestão do grupo, agindo bem ao rodar desta vez três jogadores. Deve manter este número “divino” para a rotatividade, alterando apenas uma peça por cada sector, excluindo o guarda-redes. O número excessivo de jogadores que vem trocando de jogo para jogo (como fez na partida com o Sporting onde alterou seis atletas) é um pouco excessivo e descaracteriza a equipa e a sua mecanização. Variando três elementos apenas não altera a dinâmica e introduz nuances individuais que diversificam o jogo colectivo. Neste encontro entraram Quaresma, Óliver e Maicon para os lugares de Tello, Herrera e Marcano. Será necessário esperar pelos próximos jogos para vislumbrar se esta pequena alteração de gestão se torna perene.

lopetegui
Terá Lopetegui pensado numa diferente variação para a saída de bola da equipa?
Fonte: record.xl.pt

Destaco a ala direita portista, onde a irmandade Danilo-Quaresma funcionou na perfeição. Combinações brilhantes, aberturas na medida certa e alternâncias posicionais entre estes dois jogadores, foram uma constante durante todo o jogo. Ora abriam muito na linha para permitir ao outro a invasão do espaço interior, ora pisavam zonas interiores para o parceiro procurar a linha de fundo e cruzar. Estiveram ambos excelentes.

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Na primeira parte, a linha defensiva do Porto esteve muito subida, quase a pisar o risco de meio campo. Como os avançados não fizeram uma pressão alta e procuraram fechar linhas de passe em contenção, a equipa apresentou-se muito compacta, com as três linhas muito juntas, um comportamento inédito, também à espera de confirmação.

O Porto na segunda parte desceu muito de produção, talvez na procura de gerir esforços para o compromisso europeu que se avizinha. A defesa recuou, e o bloco baixou consideravelmente. O Nacional conquistou o miolo, teve mais bola, embora não tenha conseguido nenhuma oportunidade de golo em ataque posicional, a contrastar com aquilo que fez na primeira parte, onde em contra ataque dispôs de boas situações para marcar.

No decorrer do jogo saiu Quintero para entrar Herrerra, no intuito de poupar o colombiano para quarta-feira e dar mais “músculo” ao meio campo. Tello “tirou” Brahimi do jogo, numa substituição necessária, visto que o Porto carecia de alguém que possibilitasse jogar em ataque rápido, uma vez que não dominava o jogo. O argelino até estava apagado, até consumar uma obra-prima repentista, como só os predestinados conseguem fazer. O capitão Jackson saiu para a entrada de Aboubakar, uma troca por troca que visou acarinhar o colombiano com aplausos e possibilitar ritmo ao camaronês.

A Figura

Danilo – foi o melhor jogador em campo. Marcou o primeiro golo numa reacção enérgica a uma defesa do guarda-redes contrário, aproveitando para disparar uma recarga imparável. Combinou na perfeição com o seu parceiro do lado direito, Ricardo Quaresma, numa cooperação fantástica que possibilitou a ambos incursões e cruzamentos perigosíssimos. Esteve, como sempre, incansável, com uma disposição física tremenda. Este jogador é um lutador, vai ao choque, ganhou segundas bolas, destemido no jogo aéreo e ainda dobrou os centrais algumas vezes em situações de perigo. É verdade que, com o seu adiantamento para atacar, destapou em algumas situações a equipa, mas omnipresente só Deus.

O Fora-de-Jogo

Jackson Martínez – Não que tenha jogado mal mas esteve pouco em jogo, não baixou de forma tão constante como habitualmente faz para combinar com os avançados, não teve tanto sucesso nas disputas pelo ar e nas poucas ocasiões de que dispôs para marcar, não o fez.