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a minha eternidade

O Futebol Clube do Porto venceu na última jornada do campeonato, em casa, o Penafiel por dois golos sem resposta. Visto que a partida foi de tal maneira desinteressante a nível competitivo, fruto da depressão e desconcentração por falta de objectivos a atingir, não irei proceder a um rescaldo ortodoxo. Julgo ser mais premente uma reflexão sobre o enquadramento antecedente e alguma tentativa de prognosticar o futuro da equipa de futebol.

Numa semana maculada e penosa para os dragões, arredados do título por demérito e falta de qualidade endémica, os atletas e responsáveis do clube viram o seu treino ser impedido (durante algum tempo) por adeptos que traziam pás e picaretas (numa exigência de mais trabalho e empenho) pretendendo vincar que não perdoavam o resultado que entregou o título ao eterno rival, Benfica. É neste ambiente hostil que acaba uma época não satisfatória, embora não incompetente.

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É mais instigante prever que caminho desbravará o universo azul e branco do que encontrar explicações sobre o que correu mal este ano. Nessa perspectiva, e visto que alguns jogadores irão certamente sair, é relevante procurar soluções internas para o funcionamento do modelo de Lopetegui (treinador que se manterá com confiança presidencial).

Evandro, que entrou de forma excepcional neste jogo, dinamizando e potenciando o futebol de conjunto, poderá ser uma peça fundamental no próximo ano. Óliver Torres, que regressará ao Atlético de Madrid, tem no brasileiro um jogador semelhante (também número 10 de base), que no sistema usual de três médios poderá ser aquele que possibilite mais critério de passe e discernimento na posse. Com habilitação de chegada à frente e definição, o brasileiro difere do espanhol na verticalidade das suas ligações. O espanhol é mais versátil na variação do sentido de jogo, alternando passes profundos com lateralizações agressivas, ao passo que Evandro tem tendência para uma verticalização mais acentuada (portanto, optando de forma menos imprevisível).

Aboubakar
Aboubakar foi peça chave na vitória portista
Fonte: Facebook oficial do FC Porto

Aboubakar é um jogador que, bem enquadrado (impulsionando a alteração de alguns subprincípios), poderá substituir o goleador Jackson. O colombiano é melhor jogador (quando comparado globalmente com o camaronês), o que não significará que Aboubakar não seja melhor em alguns aspectos. O africano é mais rápido e tem melhor remate (principalmente de fora da área), sendo melhor em desmarcações longas. Claro que perde em tudo o resto – na desmarcação curta, no jogo em apoios, cabeceamento, combinações em tabela, visão de jogo e finalização a um toque.

O Futebol Clube do Porto da época 2014/2015 teve competência, qualidade e concentração competitiva. Faltou, sim, inteligência em muitos momentos, alguns decisivos do campeonato (como na exaltação e histerismo, no banco e em campo, antes do lançamento de linha lateral que origina o famoso golo de Lima, no jogo da primeira volta com o Benfica). Lopetegui tem uma filosofia de jogo bem orquestrada e consolidada. Falta, sim, um sistema alternativo para responder a situações ou jogos onde a estratégia e abordagem inicial não surta efeito. Mais tempo não é benéfico numa concepção errada. Nesses contextos, o erro eternizar-se-ia. Não julgo que seja o caso do Porto de Lopetegui.

 

A Figura
Danilo – A única transferência já confirmada, neste caso para o Real Madrid, não tem substituto à altura no plantel. Irá, sem margem para dúvidas, obrigar a SAD portista a ter de procurar uma solução para a lateral direita no mercado de Verão. Foi o melhor neste jogo. É um jogador de excepção. Atleta de uma entrega inexcedível. É injusto que a sua despedida fique manchada por críticas de adeptos ao profissionalismo dos jogadores. Não merecia tamanha injustiça!

O Fora-de-Jogo
Claques – Os Super Dragões e Colectivo Ultras 95 demonstraram, no mínimo, muita incongruência. Reconheço nestes grupos organizados mais racionalidade no acompanhamento e avaliação do jogo do que aos restantes adeptos indiscriminados (mais voláteis e bipolares). Depois do encontro em Munique, onde a sua equipa perdeu por 6-1 (na pior prestação da época), muitos destes ultra foram receber com loas os atletas portistas. Por mais desiludidos que estejam pela derrota no campeonato, não faz sentido que depois de um empate no Restelo toda esta postura benevolente se estilhace por completo. Colocar em causa a atitude, o esforço e o profissionalismo de alguém é muito duro e difícil de provar. Como os jogadores, estes portistas também falham. Também o podem fazer. Venha a próxima época.

Foto de Capa: Facebook oficial do FC Porto

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