Pronúncia do Norte

Três semanas depois, o FC Porto voltou às vitórias. Na estreia de Luís Castro ao leme da equipa, os azuis e brancos tinham pela frente um Arouca com muita vontade de somar pontos para fugir à despromoção, mas a responsabilidade de regressar aos triunfos era enorme e nada mais do que uma resposta cabal às dificuldades sentidas nos últimos tempos passava pela cabeça dos adeptos portistas.

O novo timoneiro viu-se obrigado a utilizar Mangala como lateral-esquerdo, uma vez que Alex Sandro estava castigado e não havia outra opção disponível (Quiñones tinha jogado poucas horas antes em Chaves pela equipa B e Rafa, que até treinou com a equipa principal durante a semana, está concentrado no Nacional de Júniores). Além desta alteração forçada, registo para o regresso de Defour à equipa, mais de um mês depois da sua última aparição, e para as reentradas de Jackson e Varela no onze, depois de terem começado no banco em Guimarães.

O FC Porto entrou fortíssimo na partida, empurrando o adversário para trás, circulando a bola com dinâmica e velocidade e criando inúmeras ocasiões de perigo para a baliza de Cássio. O caudal ofensivo do FC Porto acabou por materializar-se em golo logo aos 10 minutos, quando Ricardo Quaresma converteu uma grande penalidade cometida por André Claro sobre Varela. A meio da segunda parte, Mangala vestiu a pele de Alex Sandro, tabelou com Carlos Eduardo, cruzou para a área e o brasileiro, depois do amortie de Defour, disparou para o fundo das redes. Estava feito o 2-0 e tudo parecia bem encaminhado. Depois do golo, uma série de circunstâncias voltou a fazer tremer os dragões e reinstalou a desconfiança na cabeça dos atletas: primeiro, a mudança táctica do Arouca, que havia começado em 4-4-2 e passou a dispor-se no seu habitual 4-3-3, fechando melhor os caminhos aos portistas; segundo, o golo do Arouca, que saiu dos pés de Rui Sampaio na sequência de uma bola prensada pela barreira do FC Porto num livre aparentemente inofensivo; terceiro, o facto de, cinco minutos depois desse golo, Ricardo Quaresma ter desperdiçado a possibilidade de aumentar a vantagem ao falhar o segundo penalty do jogo.

Carlos Eduardo, num remate em volley fez o segundo golo do FC Porto  Fonte: Zero Zero
Carlos Eduardo, num remate em volley, fez o segundo golo do FC Porto
Fonte: Zero Zero

Na segunda metade, o Arouca continuou a procurar chegar ao golo através de lances de contra-ataque e voltou a dificultar a vida ao FC Porto, pressionando ligeiramente mais à frente e obrigando os dragões a praticar um inconsequente jogo directo em demasiadas situações. A intranquilidade no momento defensivo voltou a fazer-se notar: foram inúmeras as bolas “despachadas” pelos centrais para a bancada a fim de evitar males maiores. Cerca da hora de jogo, Pedro Emanuel arriscou: tirou do campo um desinspirado Salim Cissé para lançar Roberto, o melhor marcador da equipa, na frente de ataque; e substituiu André Claro pelo experiente e irrequieto Pintassilgo. Luís Castro respondeu cinco minutos depois, dando uma oportunidade a Quintero, que rendeu Carlos Eduardo. A equipa serenou e aproveitou o maior balanceamento ofensivo do Arouca – claramente à procura do empate – para voltar a chegar à baliza adversária com mais frequência e com mais perigo. A entrada de Ghilas para o lugar de Varela, que hoje muito trabalhou, contribuiu para o acentuar dessa tendência. Haveria mesmo de ser o argelino a fazer a assistência para o bis de Quaresma, que fuzilou Cássio num remate de primeira sem deixar o esférico bater no solo. Entretanto, ainda houve tempo para Jackson Martínez voltar a assinar a folha dos marcadores, depois de cinco jogos em branco, carimbando o 4-1 final num remate desviado por Tinoco.

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Não posso terminar sem fazer uma avaliação sumária dos jogadores do FC Porto neste “primeiro dia do resto da época”. Na defesa: o capitão Helton esteve igual a si próprio e não teve muito trabalho, embora tenha libertado uma bola que poderia ter segurado e que originou uma das jogadas mais perigosas dos visitantes ao longo de todo o encontro; Mangala, confiante pela grande exibição que protagonizou ao serviço do seu país, esteve em bom plano como lateral esquerdo, surpreendendo pela facilidade com que se envolveu no ataque; Danilo voltou a fazer um bom jogo, procurando, como sempre, os espaços interiores a atacar; Abdoulaye e Maicon foram dos menos seguros de toda a equipa e tremeram em algumas circunstâncias, mas acabaram por não “enterrar”.

Mangala cumpriu a sua função de lateral-esquerdo com facilidade  Fonte: Zero Zero
Mangala cumpriu a sua função de lateral-esquerdo com facilidade
Fonte: Zero Zero

No meio-campo: Fernando fez um jogo discreto mas muito positivo, voltando a chamar a si a responsabilidade de ocupar toda a área à frente dos centrais; Defour surpreendeu pela capacidade de chegar à frente, pela espontaneidade nos remates e pela alta rotação que apresentou – continuando a ser o jogador “certinho” e cerebral que sempre foi, soltou-se como nunca havia conseguido soltar-se com Paulo Fonseca; Carlos Eduardo foi dos melhores em campo enquanto por lá andou, procurando, como sempre, os melhores espaços para receber a bola e entendendo-se quase na perfeição com o Mustang; Quintero entrou muitíssimo bem, voltando a demonstrar uma qualidade técnica assombrosa, especialmente ao nível do drible curto e do passe, e ajudando decisivamente o FC Porto a agarrar-se ao jogo.

No ataque: Jackson Martínez voltou às boas exibições e aos golos – um prémio justo face ao que produziu em campo, tanto no que diz respeito às oportunidades que teve (só no primeiro quarto de hora, foram três!) como ao trabalho que desenvolveu em prol do colectivo; Ghilas imprime força, velocidade e agressividade em todos os lances que disputa e isso acaba quase sempre por beneficiar a equipa – hoje jogou como extremo e jogou muito bem; Licá não teve tempo de se mostrar ao novo treinador; Quaresma foi a figura do jogo.

Uma mensagem que traduz o estado de espírito dos adeptos portistas  Fonte: Zero Zero
Uma mensagem que traduz o estado de espírito dos adeptos portistas
Fonte: Zero Zero

O regresso às vitórias é fundamental. Com o deslize do Sporting, um triunfo em Alvalade na próxima jornada garante, desde já, a passagem para o segundo posto da Liga. Entretanto, ainda há um adversário dificílimo para derrotar na Liga Europa, o Nápoles. Vamos ver como evolui a equipa com o novo treinador. Uma coisa é certa: ainda há 24 pontos para disputar no campeonato e três Taças para vencer até ao final da temporada.

Figura: Ricardo Quaresma
Oscilou entre o bom e o mau, entre o necessário e o supérfluo, entre penalties marcados e falhados, mas fez dois golos e mostrou a raça que lhe é característica. Mostrou a influência que tem na equipa e voltou a ser decisivo.

Fora-de-Jogo: Insegurança defensiva
Depois do golo sofrido, a equipa voltou a mostrar muita instabilidade. Tanto Maicon como Abdoulaye vacilaram por mais do que uma vez. O jovem senegalês revela muito potencial mas continua a revelar também alguma imaturidade; precisa de tempo e de espaço para crescer.

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