Ao quarto duelo entre dragões e leões, a vitória voltou a sorrir aos azuis e brancos, fruto de uma exibição completa, da defesa ao ataque, com enorme espírito de sacrifício e com a competência necessária para “matar” o adversário em momentos decisivos. Os verdes e brancos ficam agora a oito pontos de distância e, ainda que tenham “carregado” nos minutos finais, a ineficácia de Rafael Leão (esteve perto de ser herói em dose dupla) e Montero, bem como um Casillas enorme a fechar a baliza, não permitiram a conquista de qualquer ponto. Marega e Doumbia foram os azarados da noite.

Muito do que poderá ser a descoberta do próximo campeão nacional jogou-se esta noite no Estádio do Dragão. O FC Porto entrava em campo com o conforto de saber que, independentemente das incidências da partida, continuaria na liderança isolada da prova. O Sporting CP, por outro lado, jogava todas as fichas possíveis no encurtamento de distâncias para o rival. Face a tamanhas ausências de ambos os lados nenhum dos técnicos surpreendeu no momento de escalar os onzes iniciais. Sérgio Conceição, ainda que com os regressos de Aboubakar e Ricardo, manteve Dalot na esquerda e chamou Gonçalo Paciência para o batismo a titular esta época com a camisola do FC Porto. Jorge Jesus, que hoje não contou com Bas Dost, Gelson e Piccini, chamou Ristovski para fechar a lateral direita e Bryan Ruiz para oferecer os apoios necessários a Doumbia.

O jogo era muito importante para os portistas e quase decisivo para os sportinguistas e, dessa absoluta necessidade de vencer, saiu reforçado o espetáculo, que viu os dois conjuntos numa busca incessante pelos golos que teimaram em escassear nos três clássicos anteriores. O primeiro sinal de perigo saiu da cabeça de Marega, que enviou a bola ao poste na sequência de um pontapé de canto, ainda não estava decorrido um quarto de hora. A resposta leonina obrigou Casillas a corrigir um mau cálculo de Marcano, que deixou Doumbia isolar-se perante o espanhol. De seguida, Marega voltaria a ser protagonista quando percorreu 30 metros a cem à hora, sem qualquer oposição e, frente a frente com Rui Patrício, não conseguiu melhor do que disparar ao lado. Era a melhor oportunidade dos azuis e brancos, que estavam apenas a ensaiar o festejo que se comprovou cinco minutos depois. Sérgio Oliveira bateu um canto da esquerda e a bola percorreu toda a área até chegar a Herrera; o mexicano combinou com Maxi, que lhe devolveu a bola, fazendo um cruzamento milimétrico para a cabeçada triunfal de Marcano. O FC Porto estava por cima e a lesão de Doumbia, mesmo em cima do intervalo, não augurava nada de bom, não fosse entrar para o seu lugar o jovem prodígio com nome de predador. Rafael Leão não precisou de mais do que um minuto em campo para mostrar aos colegas o caminho para reentrar na luta. Brahimi perdeu a bola a meio-campo e Bryan Ruiz conduziu-a em direção à área até isolar o jovem avançado português, que a colocou por entre as pernas do consagrado espanhol.

Com a vitória frente ao Sporting CP, o FC Porto aproxima-se do título de campeão nacional.
Fonte: FC Porto

O duro golpe, mesmo no fim do primeiro tempo, acabou por ser corrigido logo nos instantes iniciais da etapa complementar, altura em que o estreante Gonçalo Paciência contemporizou na área até encontrar, no seu raio de visão, completamente solto, Brahimi do outro lado. O argelino recebeu com o pé direito, enquadrou-se e colocou a bola no ângulo contrário, garantindo que Patrício não lhe chegaria.

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Daqui em diante, pouco critério dos leões na procura pelo empate, ao passo que o FC Porto aproveitava para colecionar desperdícios com contra-ataques em superioridade numérica. Marega, em noite “não”, viu-se novamente isolado perante o guardião português, mas o chapéu ficou curto e Battaglia salvou em cima da linha. Na sequência, o maliano lesionou-se (parece grave) e estava dado o mote para que, a faltar 10 minutos para o fim, a ordem fosse para cerrar fileiras e guardar a preciosa vantagem com a entrada de Reyes para formar um meio-campo a três.

O Dragão haveria de suspirar de alívio quando Casillas negou o que seria um golo certo de Montero ao 87’ e quando o jovem Leão falhou de forma incrível o empate. No fim sobraram os festejos dos homens da casa, cientes de que haviam dado um passo de gigante rumo ao objetivo final. O Sporting CP, agora a oito pontos, parece estar praticamente fora da corrida.

 

Como jogou o FC Porto:

Titulares – Casillas, Maxi, Felipe, Marcano, Dalot, Herrera, Sérgio Oliveira, Otávio, Brahimi, Marega e Gonçalo Paciência.

Suplentes – José Sá, Ricardo, Reyes, Oliver, Corona, Hernâni e Aboubakar.

Substituições – Corona por Otávio aos 66’; Aboubakar por Gonçalo Paciência aos 71’; Reyes por Marega aos 81’.

Cartões amarelos – Felipe aos 64’ e Herrera aos 90+2’.

Cartões vermelhos – nada a registar.

Golos – Marcano aos 29’; Brahimi aos 49’.

 

Como jogou o Sporting CP:

Titulares – Rui Patrício, Ristovski, Coates, Mathieu, Fábio Coentrão, William Carvalho, Battaglia, Bruno Fernandes, Acuña, Bryan Ruiz e Doumbia.

Suplentes – Salin, Bruno César, Misic, Palhinha, Rúben Ribeiro, Montero e Rafael Leão.

Substituições – Rafael Leão por Doumbia aos 45’; Rúben Ribeiro por Ristovski aos 67’; Montero por Fábio Coentrão aos 85’.

Cartões amarelos – Bruno Fernandes aos 77’; Acunã aos 86’.

Cartões vermelhos – nada a registar.

Golos – Rafael Leão aos 45+1’.