A CRÓNICA: DEVAGAR, DEVAGARINHO

Quartos-de-final da Taça de Portugal. Com o Estádio do Dragão como palco, FC Porto (com tudo a perder) e Varzim SC (com tudo a ganhar) discutiam um lugar nas meias-finais de uma prova na qual, mais do que incompetentes, os azuis e brancos têm sido pouco afortunados. Aos dragões cabia a responsabilidade de vencer o jogo e o demonstrar de uma seriedade quanto baste para levar de vencida uma equipa do segundo escalão do nosso futebol.

A verdade é que o FC Porto, como tantas outras vezes nesta temporada, entrou lento e previsível e permitiu que o Varzim SC se acomodasse à partida sem grandes sobressaltos. Sempre que em ataque organizado, os comandados de Sérgio Conceição (visivelmente agastado com a exibição da equipa no primeiro tempo) foram incapazes de ferir o adversário e foi permitindo que os poveiros, por via da velocidade dos extremos, fossem conseguindo sair com a bola controlada e colocando em sobressalto a defesa portista.

Incapaz através da circulação de bola, o FC Porto chegou ao intervalo a vencer por 2-1 muito devido ao aproveitamento de uma transição rápida após roubo de bola no meio campo contrário e de um livre lateral. Pelo meio, o Varzim silenciou o Dragão na cobrança de um livre em zona central, sem que Diogo Costa fique isento de culpas. Depois de uma segunda parte jogada a um ritmo, pasme-se, ainda mais lento do que a primeira, o resultado permaneceu inalterado.

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O FC Porto não foi capaz de criar qualquer ocasião para dilatar o resultado e o Varzim SC, pese embora todo o voluntarismo dos seus jogadores, não teve capacidade física nem arte na decisão, para levar o jogo para prolongamento. Foi uma vitória previsível de uma equipa, também ela, previsível.

A FIGURA

Fonte: Varzim SC

Lumeka – Sem conseguir encontrar um jogador da equipa vencedora suficientemente merecedor de distinção, opto por dar palco ao jogador mais desconcertante da equipa do Varzim SC. Excelente jogo de um jogador inglês que, confesso, não conhecia. Muito rápido e com uma interessante qualidade técnica mostrou ter qualidade mais do que suficiente para outros patamares. Pôs a cabeça em água aos laterais portistas que pela sua zona de ação passaram. Se for capaz de melhorar o capítulo do cruzamento e a tomada de decisão pode augurar a outros voos.

O FORA DE JOGO

Fonte: FC Porto

Renzo Saravia – Toda a equipa estava a realizar um jogo insuficiente na primeira parte, mas não deixa de ser sintomático que o sacrificado volte a ser o lateral argentino (o pesadelo do jogo com o Krasnodar ainda paira na mente dos portistas). Apesar de interveniente de primeira linha no golo inaugural do jogo, Saravia raramente fez a diferença a atacar e no momento defensivo foi incapaz de suster as investidas de Lumeka. Se pudesse apostar diria que Sérgio Conceição terá saído para as cabines com vontade de mudar meia equipa, no entanto, ficou-se pelo lateral contratado no início da época ao Racing Avellaneda.

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Sem a presença de Nakajima nas costas de Soares, o FC Porto regressou a um rígido 4x4x2. Fábio Silva juntou-se a Soares e Otávio e Luís Díaz foram procurando zonas interiores de forma a abrir caminho para os laterais. A máquina, no entanto, emperrou por via da lentidão de processos dos médios e pela ausência de movimentações sem bola que fossem capazes de confundir a defesa adversária. Após a entrada de Baró, voltou a receita de ter um homem no apoio ao ponta de lança, no entanto, o problema estava mais no ritmo e intensidade de jogo do que na colocação das peças em campo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (4)

Saravia (3)

Mbemba (4)

Marcano (6)

Manafá (5)

Otávio (5)

Uribe (5)

Sérgio Oliveira (4)

Luís Díaz (4)

Fábio Silva (4)

Soares (5)

SUBS UTILIZADOS

Alex Telles (5)

Romário Baró (5)

Vítor Ferreira (-)

ANÁLISE TÁTICA – VARZIM SC

O Varzim SC que se apresentou no Estádio do Dragão foi uma bela surpresa. Perante um FC Porto errático (disso não tem culpa a equipa da Póvoa) os comandados de Paulo Alves apresentaram um surpreendente bloco médio, simplicidade de processos e objetividade na procura dos espaços nas costas dos laterais portistas. Com Baba (e mais tarde Minhoca) a fazer variar o esquema de tático entre um 4x2x3x1 e o 4x4x2 (juntava-se e Leonardo Ruiz em pressão, aproximava-se dos médios em contenção), o Varzim SC apresentou-se quase sempre organizado e com capacidade para ferir o FC Porto. O primeiro golo sofrido pelo FC Porto no Estádio do Dragão em provas nacionais esta época atesta bem a competência da equipa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ismael (5)

João Amorim (6)

Alan (5)

Hugo Gomes (6)

Cerveira (5)

Rui Moreira (6)

Pedro Ferreira (6)

Baba (6)

Lumeka (7)

Leonardo Ruiz (6)

Frédéric Maciel (5)

SUBS UTILIZADOS

Caetano (5)

Minhoca (5)

Stanley (-)

Foto de Capa: Carlos Silva / Bola na Rede

Revisto por: Jorge Neves