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FC Porto 2016/17 vs FC Porto 2017/18: O que mudou?

Nélson Mota · 4 min

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À entrada para a época 2017/18, muitas dúvidas pairavam no reino do dragão. Com a saída de Nuno Espírito Santo, o FC Porto estava uma vez mais sem treinador, depois de mais uma época sem títulos ganhos em que a maldição parecia inquebrável. O nome que se seguiu para o comando técnico já era uma cara conhecida: Sérgio Conceição. Apesar de o técnico português ter realizado uma campanha excelente ao serviço do FC Nantes, muitos adeptos portistas partilhavam da minha incerteza relativamente à sua escolha. Para a massa adepta ficava a sensação de que para o FC Porto voltar aos tempos de glória teria de se fazer uma mudança radical, pelo que a simples mudança de técnico não deveria ser suficiente. Aos poucos, Sérgio Conceição foi conquistando os adeptos portistas com um estilo de jogo intenso e “à Porto” e, nesta altura, são poucos aqueles que ainda não se renderam ao técnico.

Apesar de o FC Porto ainda não ter ganhado nada esta época, é importante valorizar o excelente trabalho até agora realizado. Sendo assim, numa altura em que estamos praticamente a meio da época desportiva, julgo ser pertinente fazer uma comparação entre a primeira metade desta época face à primeira metade de 2016/17. Em comparação com a época passada, o FC Porto ainda prossegue na Taça da Liga e na Taça de Portugal. Por esta altura, na Liga Portuguesa, os dragões estavam com menos sete pontos e a cinco pontos do SL Benfica. Na Liga dos Campeões, tal como aconteceu esta época, o FC Porto qualificou-se para os oitavos de final e teve pela frente a Juventus FC.

Fonte: Bola na Rede
Fonte: Bola na Rede

Assim sendo, o que mudou? A resposta mais acertada terá de ser uma: o treinador. Sérgio Conceição conseguiu pegar num grupo desfeito e dividido em peças e conseguiu construir o puzzle perfeito: uma equipa. A personalidade de Nuno Espírito Santo e a de Sérgio Conceição não podiam ser mais contrastantes. Enquanto Nuno é um treinador mais calmo e racional, Sérgio é mais intempestivo e agressivo. Essa mesma agressividade saudável passa para dentro de campo e os jogadores praticam um estilo de jogo intenso até ao último minuto.

Em relação a Nuno Espírito Santo, só tenho a dizer que o respeito muito. A sua qualidade nunca deverá ser posta em causa e a sua postura também não. Afinal de contas, nunca foi pecado ser-se bem-educado. A sua única época ao serviço dos dragões foi feita de altos e baixos e, apesar de ter sido eliminado das taças internas precocemente, a verdade é que lutou pelo campeonato Português até ao fim. Talvez este não fosse o momento certo para ele ter assumido o comando técnico do FC Porto. Os adeptos sentiam impaciência e urgência em “ir para cima deles” e a postura pacífica de Nuno Espírito Santo não terá agradado à maioria. Ao atual técnico do Wolverhampton Wanderers FC só resta desejar boa sorte naquele que é um desafio aliciante e com boas perspetivas de subida à Premier League.

Voltando ao presente, Sérgio Conceição é, sem dúvida, um treinador “à Porto”, ou seja, só respira e vive para o FC Porto e os adeptos gostam disso. É um treinador genuíno e autêntico a si mesmo, que prefere ser odiado por aquilo que é do que amado por aquilo que não é. Contudo, esta postura irracional pode muitas vezes levar a arrependimentos e pedidos de desculpa mais tarde, algo que já aconteceu.

Em relação ao plantel, mudou pouco mas muito ao mesmo tempo. As mexidas foram quase inexistentes, mas, muitas vezes, os mesmos jogadores com a dose certa de motivação fazem toda diferença. Os regressos de Ricardo Pereira e Aboubakar têm sido essenciais para o atual momento da equipa. Também o centro da defensiva composto por Marcano e Felipe apresenta uma solidez e entrosamento que não se verificava na época passada. O caso mais flagrante de mudança de um jogador em relação à época passada terá de ser o de Yacine Brahimi e, nesta situação, Nuno Espírito Santo terá de ser considerado culpado. Qualquer adepto que acompanhe o desporto-rei sabe que quando Brahimi está em forma é um dos melhores ou até o melhor jogador a jogar em Portugal; no entanto, durante parte da época passada, Nuno Espírito Santo afastou o extremo argelino do onze e não lhe dava a confiança devida. Felizmente, esta época, Sérgio Conceição dá ao jogador a confiança e motivação que Brahimi merece e, como tal, o argelino retribui com os excelentes jogos feitos até ao momento.

Brahimi está mais confiante e motivado do que na época passada Fonte: FC Porto
Brahimi está mais confiante e motivado do que na época passada
Fonte: FC Porto

Podemos assim concluir que, apesar da época desportiva ainda só estar a meio, verificam-se já significativas melhorias em relação à temporada passada. O FC Porto está inserido em mais competições e, logo aí, as possibilidades de vencer os títulos tão ambicionados pelos adeptos aumentam. A juntar a isso, os dragões têm ganhado bastantes jogos e com qualidade, e quando se conseguem aliar estes dois ingredientes a receita sai sempre melhor.

Foto de Capa: Bola na Rede

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Nélson Mota

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