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Segundo jogo em dois dias e segunda vitória na Colónia Cup para o FC Porto. Este domingo, a equipa de Lopetegui fez mais uma boa exibição e conseguiu uma vitória convincente por 3-0 perante o Stoke City, 9.º classificado na última Premier League. Para o jogo desta tarde, o técnico portista fez uma autêntica revolução no onze: da equipa que havia começado o duelo frente ao Valência, apenas Tello e Aboubakar repetiram a titularidade. A intenção do treinador espanhol era óbvia: com uma distância temporal tão curta entre os dois desafios, era natural que frente aos ingleses houvesse tão grande rotatividade no plantel portista.

Ao contrário daquilo que se poderia considerar – tendo em conta que o onze titular foi composto por quase todas as segundas linhas do plantel (com exceção de Imbula, Tello e Aboubakar) -, o FC Porto acabou por conseguir uma exibição extremamente interessante. Para que isso tivesse acontecido, em muito contribuiu a boa primeira parte que o meio-campo portista teve. Em particular destaque estiveram Imbula e Bueno: o primeiro numa clara dimensão de número 8 rotativo no meio campo; o ex-jogador do Rayo Vallecano tenco como função ocupar a zona entre a defesa e o meio-campo do Stoke. A ligação entre estes dois elementos, ajudados pela solidez dada por Rúben Neves, deu ao FC Porto um jogo interligado entre setores e com uma capacidade de posse em progressão assinalável. De facto, essa foi mesmo a grande diferença da exibição deste jogo para os outros nesta pré-época: o FC Porto foi uma equipa muito mais intensa e rápida em campo, em virtude das movimentações constantes e da dinâmica imposta pelo seu meio-campo.

Nas alas, a ação de Tello e Varela foi fundamental na criação de espaços, enquanto Aboubakar foi sempre o farol ofensivo da equipa, jogando de forma positiva em apoios com o meio-campo e os extremos portistas. Por tudo isso, não foi de estranhar que o jogo tenha sido quase todo disputado no meio-campo defensivo do Stoke, tal foi a diferença de atitude e qualidade evidenciadas pelas duas equipas. Os lances perigosos junto da baliza inglesa foram-se acumulando e o golo acabou por surgir aos 33 minutos por Aboubakar, num desvio perfeito à boca da baliza após cruzamento de Cristian Tello. Depois do desperdício no jogo contra o Valência, o avançado camaronês acabava finalmente por colocar no resultado aquilo que o FC Porto já demonstrava em campo: uma superioridade total. Apenas cinco minutos após o 1-0, a equipa azul e branca acabou por chegar a mais um golo, com a mesma receita. Outra vez pela direita, agora com Ricardo Pereira no cruzamento, foi a vez de Alberto Bueno (boa primeira parte do espanhol) desviar de forma irrepreensível de cabeça. A vantagem era agora dupla para o FC Porto, que seguia para o intervalo com dois golos de avanço e uma bela exibição.

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Bueno fez o primeiro golo com a camisola do FC Porto
Fonte: Facebook FC Porto

A segunda parte acabou por demonstrar a face menos interessante dos jogos de pré-época: muitas substituições e paragens, resultando num ritmo de jogo mais baixo. Ainda assim, destaque sobretudo para os primeiros dez minutos portistas, em que Sérgio Oliveira (livre direto) e Varela (isolado perante o guarda redes do Stoke) podiam ter feito o terceiro golo para o FC Porto. Depois desse assomo inicial, Lopetegui e Hughes foram alterando totalmente as peças e com isso a imagem de ambas as equipas. Do lado portista, depois de todas as alterações, destaque para as boas entradas de Sérgio Oliveira e Brahimi, claramente os mais inconformados durante a segunda parte desta partida. Foi mesmo do extremo argelino que chegou o terceiro golo portista, apontado numa grande penalidade superiormente cobrada aos 70 minutos.

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É verdade que o troféu da Colónia Cup não vem com a equipa portista no avião de regresso a Portugal, mas o que mais importa após esta competição são as boas indicações que a equipa deu nos desafios frente a Valência e Stoke City. É certo que os resultados na pré-temporada valem o que valem, mas a consistência defensiva que a equipa demonstrou nestes dois desafios é porventura a maior virtude que se pode tirar do desempenho do FC Porto. No ataque, apesar dos dois bons jogos de Aboubakar, fica claramente a ideia que ainda falta mais um ponta-de-lança com outro “instinto” e que possa trazer mais golo à equipa. No meio-campo, falta ainda aquela peça decisiva para resolver jogos e que tanta importância pode ter no jogo ofensivo portista: o tal médio ofensivo rotativo cujo último passe possa fazer toda a diferença na época da equipa de Julen Lopetegui.

 

A Figura
A 1.ª parte do FC Porto –
Solidez defensiva, dinâmica no meio-campo e agressividade no ataque foram a receita para uma primeira parte de bom nível portista. Em plano de destaque estiveram claramente Imbula, Bueno e Aboubakar, os três elementos que mais contribuíram para que a vantagem de dois golos fosse uma realidade ao intervalo.

O Fora-de-Jogo
A exibição Stoke City –
Mark Hughes tem razões para ficar claramente preocupado depois do que viu da sua equipa nesta competição. A uma semana do início da Premier League, exigia-se mais a uma formação que tão bons valores tem e que na época passada esteve tão perto de alcançar um lugar que lhe poderia dar acesso à Liga Europa.

Foto de Capa: Facebook do FC Porto

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