FC Porto 3-0 Vitória SC: Game Over

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A CRÓNICA: DRAGÕES DOMINARAM DO INÍCIO AO FIM, MAS NÃO CONSEGUIRAM ULTRAPASSAR UM DESTINO QUE NÃO DEPENDIA DE SI

Em jogo a contar para a 34.ª e derradeira jornada do campeonato português, o FC Porto recebeu o Vitória SC, quinto classificado, num duelo de capital importância para as duas equipas nas contas do campeonato. Para os dragões, uma derrota do SL Benfica e uma vitória daria o bicampeonato – 31.º da sua história. Vimaranenses queriam segurar o quinto lugar e evitar ter mais uma pré-eliminatória da Conference League na próxima temporada – tudo o que não fosse vitória e caso o FC Arouca vencesse, faria com que perdessem o quinto lugar.

Num jogo que era de dificuldade máxima para qualquer uma das equipas, foram os dragões a entrar forte – como é seu apanágio – e não foi preciso esperar muito para o primeiro momento de relevo no jogo. Entrada ríspida de Handel, aos dois minutos, valeu uma expulsão e os conquistadores ficaram a jogar com menos um elemento.

A entrada foi fortíssima – uma expulsão faz sempre mais bem do que mal para quem dela beneficia – e os azuis e brancos foram rápidos a criar perigo e a concretizarem. Taremi esteve na construção e no final aproveitou um passe atrasado de Pepê para finalizar de forma certeira. Ainda antes dos dez minutos, o FC Porto deixava claro que se o SL Benfica fosse campeão, teria que ser mesmo por si próprio.

O Vitória SC não conseguia responder e era a formação de Sérgio Conceição que ditava o ritmo do jogo, controlando a seu bel-prazer. O segundo parecia uma questão de tempo e tornou-se uma realidade ao minuto 33, com Otávio a rematar cruzado, colocado, sem dar hipóteses a Bruno Varela.

Cinco minutos depois, o FC Porto ampliou o marcador. A pressão portista sufocou o Vitória, que perdeu a bola em zona perigosa. Taremi não foi egoísta e serviu Evanilson, que fez o terceiro da partida. Dragão implacável.

Apesar de dois ou três bons apontamentos dos conquistadores com combinações no meio-campo, o resultado não estava em discussão ao intervalo. Taremi ainda teve uma bela oportunidade de fazer o quarto antes da paragem, mas Varela travou o iraniano. Jogo de sentido único.

No regresso das cabines, o FC Porto entrou com vontade de marcar mais. Nesse capítulo, Taremi estava com ‘fome de golo’ e tentou por duas vezes bater Bruno Varela, no entanto, os seus remates não tiveram a força e precisão pretendidas. Com quinze minutos de segunda parte, Otávio continuava a mostrar porque é que é um jogador fundamental na forma de jogar dos dragões – estava em todo o lado.

A gestão azul e branca consistia em atacar e atacar, sem deixar o Vitória organizar a sua defesa. As alas eram a principal zona de incidência, com vários lances de um para um no último terço. O último passe acabava por ser uma barreira, com os vimaranenses a fazerem um melhor trabalho que na primeira parte a impedir que a bola chegasse a zonas letais.

Apesar do resultado positivo, foi game over para os dragões. A vitória não foi suficiente, uma vez que o SL Benfica também venceu o CD Santa Clara, e os azuis e brancos não conseguem repetir a conquista do título. Uma segunda volta quase imaculada – apenas perderam pontos em duas partidas – não chegou, ficando ainda assim uma recuperação de oito pontos, que levou a disputa até à última.

O Vitória SC, com a derrota deste jogo e a vitória do FC Arouca no seu, foi ultrapassado no quinto lugar, tendo como castigo de começar a época um pouco mais cedo, devido aos compromissos das pré-eliminatórias da UEFA Conference League. Ainda assim, de realçar o percurso francamente positivo dos vitorianos, numa época conturbada, conseguiram apurar-se pela segunda época consecutiva para as provas europeias. Um trabalho muito acima do esperado de Moreno Teixeira.

Nota: Com 22 golos, Mehdi Taremi sagrou-se o melhor marcador desta edição da Primeira Liga. Os adeptos do FC Porto também merecem um destaque: apoio incansável, mesmo numa altura difícil.

A FIGURA

Otávio Monteiro FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Otávio – Igual a si mesmo. É difícil adjetivar algo que vemos com tanta regularidade, com tanta naturalidade e ainda assim ficámos sempre espetacularizados. O médio portista é brutal do ponto de vista defensivo e tudo o que faz ofensivamente eleva sempre o jogo da equipa. A cereja no topo do bolo é o golo, mas o seu jogo foi muito mais que um lance isolado

O FORA DE JOGO

Tomás Handel
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede


Tomás Händel – Imaginar o que seria o jogo sem a expulsão poderia levar a várias hipóteses, mas graças à expulsão do médio português, ficámos pelo imaginário. Ninguém é expulso porque quer, no entanto, a sua entrada imprudente retirou qualquer chance ao Vitória de sair do Estádio do Dragão com um resultado positivo. Esperava-se mais do médio.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Porto

Não foi possível fazer qualquer pergunta ao treinador Sérgio Conceição

Vitória SC

Bola na Rede: Dentro do balanço da época, como é que vê toda a evolução do plantel, tendo em conta que é um plantel jovem, com muitos jogadores vindos da Liga 3, como é que vê esse percurso de agosto até agora e sente que os passos foram dados e a próxima época será ainda mais positiva para o Vitória?

Moreno: Fazendo uma avaliação daquilo que é uma época, enquanto líder senti-me super orgulhoso. Se existisse sinceridade de quem está no meio, ninguém acreditaria que a gente conseguisse as competições europeias. Foi possível porque tivemos um grupo de atletas fantástico, o staff…nunca permitiu que nos faltasse nada, uma administração que nos deu sempre todo o apoio, a mim em especial, porque tive fases difíceis ao longo da época. Acreditou em nós.

Terei que falar dos adeptos, vocês viram o espetáculo que os nossos adeptos deram, fazer a avaliação da época como líder…muito satisfeito e muito orgulhoso de ter feito parte deste grupo de trabalho.

Não há muito a falar [do jogo], fica ao minuto e meio muito condicionado, aos sete, oito minutos sofrer um golo e depois passados outros minutos sofrer o 2-0, não escondo que tive medo do desfecho final, podia ser pior, e até nisto tivemos um grupo equilibrado, responsável. Podia falar da média de idades, mas ainda assim a resposta esteve lá. Do jogo é uma vitória normalíssima do FC Porto. Ficámos com uma sensação do jogo de hoje algo negativa, não conseguimos manter o quinto lugar, era isso que a gente queria, mas terá que passar essa sensação. Pelo menos a mim vai-me passar rapidamente, estou aqui com uma cara um pouco triste, porque enão dá para esconder, queríamos muito o quinto lugar, mas voltámos a qualificar o clube para as competições europeias.

Não achar que pelo jogo de hoje foram mal feitas, uma época fantástica e acabei de falar disto no balneário a toda a gente, o pessoal pode ir de férias com a consciência que são uns grandes profissionais.

Fernando Coelho
Fernando Coelho
Jogador de futsal amador, treinador de bancada profissional. A aprender diariamente, acredita que o desporto pode ser diferente. Escreve com acordo ortográfico.

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